Conforme demonstrado no post "Escândalo: Porto Canal financiado novamente com dinheiros públicos", o Porto Canal foi contemplado com uma quantia em compra de publicidade no âmbito de uma acção muito duvidosa de ajuda à tesouraria de Orgãos de Comunicação Social seleccionados.
Ora, o que levou o Governo a achar que um canal detido por um clube de futebol, só porque passa alguns programas não relacionados com desporto, merecia ser financiado?
O que levou o Governo a não levar em conta que, já em plena pandemia, o "Turismo do Alentejo" contratou ao Porto Canal num ajuste directo, diria eu, escandaloso, quase 20 mil euros?
As audiências do Porto Canal são irrisórias. Há rádios locais com mais ouvintes.
O Porto Canal não é um canal de serviço público. É um canal privado, detido por um clube de futebol. Se havia alguém que tinha de injectar dinheiro no Porto Canal seria o seu principal acionista: o FC Porto.
Inclusive, foi um canal instrumental nos ataques a um concorrente, neste caso o SL Benfica, através de meios já condenados na justiça.
Mas isto está longe de ser caso único.
Relembro que durante o consulado de Emídio Gomes como presidente da CCDR-N, que depois assumiu o cargo de vice do FC Porto para "Planeamento de Novos Empreendimentos", foram entregues ao FC Porto as Piscinas da Campanhã, tendo tudo sido pago com dinheiros públicos.
A isto podemos juntar o Centro de Estágio do Olival, onde o Estado já enterrou quase 20 milhões de euros em dinheiros públicos e que o FC Porto utiliza a preço simbólico e que abordamos várias vezes aqui no NGB, inclusive no post "O Centro de Estágio do Olival já foi devolvido aos contribuintes?".
Aliás, em VN Gaia, os casos são mais que muitos.
Por exemplo, em 2016, discutia-se a cedência ao FC Porto, também a preço simbólico, da utilização do Estádio Jorge Sampaio, conforme demonstramos na altura no post "Os nossos impostos ao serviço do FC Porto".
Gostaria que alguém esclarecesse, por exemplo, porque razão o Porto Canal, irrelevante no panorama nacional e detido por um clube de futebol, recebeu mais compra de publicidade que um jornal de referência como o Observador.
O que explica que um clube que pagou no último ano quase 24 milhões de euros em comissões a agentes receba apoios com dinheiro dos nossos impostos?











