Não pude deixar de me lembrar de Luís Filipe Vieira ontem ao assistir à conferência de imprensa de Florentino Perez.
A postura, o olhar os
jornalistas nos olhos, o falar dos “papagaios” e de ter que se “proteger o Real
Madrid dos aventureiros”. E se há coisa que Florentino Perez fez foi proteger o
Real Madrid de quase toda a gente que quisesse ser candidato à presidência, como
que caídos do ar.
Cerca de 187 milhões de
euros no banco ou em património que conforte o aval bancário está ao alcance de
muito poucos. Se fosse necessário algo desse género no SL Benfica, respeitando
as devidas diferenças quanto aos orçamentos, quantos dos últimos candidatos
estariam em condições de o ser?
Também a condição de
apresentar listas completas é algo condicionante. Nas últimas eleições do SL
Benfica, alguns dos candidatos não o fizeram.
Como quase todos saberão,
se há presidente de que discordei muitas vezes foi Luís Filipe Vieira, mas isso
não me impede (como não impediu durante o seu mandato) de reconhecer que há
temas em que ele era mestre. Este era um deles. A comunicação e a identificação
dos que se atravessavam no seu caminho.
Se há coisa que
Florentino fez foi acabar com o Real Madrid dos “mecenas” e criar uma máquina
profissional de uma ponta a outra. É essa máquina que permite a contratação dos
melhores e mais caros do mundo.
No Real Madrid só os sócios
“proprietários” podem votar nas eleições. Quase não há vagas para essa
categoria de sócio, sendo que na maioria dos casos só o conseguem ser por herança
familiar, transferência dentro da família ou sendo parte de lista de espera
muito limitada.
É para esses que
Florentino falou ontem. Para os 100 mil sócios proprietários.
Também na convocação de
eleições, no Real Madrid não se anda meses a arrastar o clube para a sarjeta com
lavagem de roupa suja.
Em 15 dias saberemos quem
são os candidatos e se foram aceites ou não. Caso só exista uma lista, não há votação
e esse candidato é automaticamente eleito presidente. Caso exista mais que uma
lista, as eleições ocorrem nos 15 dias seguintes. Por isso, na pior das
hipóteses, no princípio de Junho o presidente eleito está a trabalhar na nova
temporada sem espinhas.
Trazendo isto tudo para o
SL Benfica, andamos um ano com pré-campanha e campanha. Tivemos um conjunto de
associados que mantiveram eleições em Outubro (em pleno decorrer da temporada)
e a obrigar a 2 voltas caso existam pelos menos 3 candidatos. Caso único no
mundo do futebol. Ouvimos falar em “democracia” desde a aprovação dos novos
estatutos, mas os mesmos que os promoveram são os que gritam “demissão!” em
qualquer momento menos bom.
Temos todos os dias os
adversários (é o seu papel) a atacar o SL Benfica, mas também temos uma minoria
barulhenta de benfiquistas que persiste em fazer dos fracassos do SL Benfica um
pretexto para ataques pessoais e campanhas sujas contra toda a gente no clube.
Nunca vi nenhum projecto
ser construído pelo telhado ou ter as condições ideais para ser executado num clima
de guerra constante.
Na segunda-feira no
estádio, um conjunto de benfiquistas que se consideram mais benfiquistas que os
outros insultavam todos à sua volta por considerarem que essa “maioria” era responsável
pelo insucesso desta temporada.
Rui Costa é a cara e o principal
responsável dos sucessos e insucessos desde 2021. Mas não o é sozinho. Todos os
sócios (como proprietários) somos parte destes resultados, quer gostemos quer
não. Não podemos ser benfiquistas no Marquês ou no Jamor quando se levanta a
Taça e nada ter a ver com isto quando os resultados são maus.
No calor do jogo, gritar
e exteriorizar a frustração faz parte. Fora dele, não. Todos somos treinadores,
gestores e opinadores. Todos podemos discordar e apresentar outras soluções,
caminhos, opções.
Sem distinguirmos o
que é crítica construtiva (e por vezes até irada, incisiva e apaixonada!) de
vontade de destruir, de que tudo corra mal para ter razão… não se vai muito
longe.
Gritam demissão como se
fazer cair uma Direcção com a complexidade da aberração que criaram nos
estatutos fosse algo rápido e simples de realizar.
Querem que o Rui Costa
faça melhor ou perceba que não tem condições para o fazer (como quase todos achamos)? Sejam melhores que
ele nas soluções que apresentam como alternativa. Não chega campanhas de redes sociais com fábulas inventadas. Não chega ter uma pequena empresa e dizer-se que se sabe "gerir".
Não apresentem algo
claramente melhor e novas eleições só servirão para mais uns meses de arruaça,
lavagem de roupa suja e 5 milhões estoirados no processo eleitoral.


