O que aconteceu na AG de sábado passado não só era previsível, como penso que terá sido um abre-olhos grande para todos os sócios, candidatos incluídos.
Há algo que ninguém pode negar: as AGs do SL Benfica foram, em muitas alturas da sua história, lugares efervescentes, quentes e de muita paixão.
Só que o que se passou no sábado nada teve a ver com paixão, mas sim com calculismo, com estratégia e com marketing eleitoral. Tudo o que não deve fazer parte de uma AG de um clube que todos, supostamente, amam.
Acho que ninguém saiu a ganhar com o que se passou, mas claramente ficou demonstrado que Vieira faz parte do passado definitivamente, que João Diogo Manteigas foi ingénuo (no mínimo), que Cristóvão Carvalho e Martim Mayer ganharam credibilidade junto dos sócios pelas posições que assumiram e que Rui Costa facilmente usará isto a seu favor.
Finalmente, (e João Diogo Manteigas terá percebido isso da pior maneira), João Noronha Lopes e os seus voluntários são grande parte dos responsáveis por este clima de ódio.
Não está em causa os sócios retirarem-se como marcação de uma posição pública quando Vieira ía falar, mas saíam e voltavam quando acabasse. Não o fizeram, gritaram, assobiaram e vaiaram e acabaram por imitar o pior do Vieirismo nos seus tempos.
Escutando todas as declarações, penso que ontem João Diogo Manteigas terá percebido o que lhe acontecerá se alguma vez considerar dar a mão a Noronha Lopes: será atirado para debaixo do autocarro à primeira oportunidade. Os voluntários de Noronha Lopes levaram isto tudo bem planeado, ensaiado e conseguiram arrastar consigo apoiantes de outras listas que de forma ingénua acharam que íam conseguir capitalizar votos. ERRADO.
Queriam demonstrar peso e insatisfação? Simples. Silêncio total durante o discurso de Vieira e zero palmas no fim. Isso sim seria uma posição que respeitava a solenidade de uma AG do SL Benfica mas também marcaria uma posição. Preferiram a baderna. Falam tanto no episódio do aperto de pescoço…e no sábado replicaram isso de outra forma.
O SL Benfica, mesmo durante a Ditadura em Portugal, foi sempre um referencial de Democracia, e impedir alguém de falar é tudo menos honrar os valores do SL Benfica. Como ficou demonstrado, muitos dos que invocavam “Democracia” para aprovar os novos Estatutos, gostam de tudo menos de… Democracia.
Cada dia que passa, para os que têm redes sociais, e para os que vão assistindo nas TVs e nos jornais a estes episódios, fica evidente que Noronha Lopes e os seus são o maior perigo para o futuro do SL Benfica. Vieirismo 2.0 com requintes de Vale e Azevedo na agressividade e ameaças.
Quem frequentou as AGs nos tempos de Vale e Azevedo sabe bem a que me refiro. Os camisas negras que intimidavam, ameaçavam e agrediam. Os gritos da turba contra todos os que não alinhassem. É o que se vê hoje do lado de Noronha Lopes e dos seus voluntários.
Todos os que vivemos os tempos de ameaças pessoais dentro e fora do SL Benfica sabemos bem os riscos que corremos por defender o SL Benfica com paixão.
Por isso é que considero que se deve também valorizar a coragem de Martim Mayer e Cristóvão Carvalho não só ao falarem do que se passou, mas também na defesa dos seus pontos de vista como na questão do Voto Electrónico.
Os sócios estão a perceber que estas eleições não são sobre o “preto e branco” ou seja sobre “a mudança” e o “manter A ou B".
Estas eleições são sobre que SL Benfica queremos, como há muito o BenficabyGB tem sublinhado.
O que certamente não honra os valores e a história gloriosa é a versão do SL Benfica dos arruaceiros, defendida por Noronha Lopes e os seus estrategas.
Venham os debates, a dois e em conjunto, e que quem não quiser ir que fique marcado como não qualificado para ser Presidente do SL Benfica.






