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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Villas-Boas e Pedro Proença: mudaram o cargo mas não mudaram a postura

4 comentários

Há pessoas que mudam de cargo. E há pessoas que, apesar de mudarem de cargo, parecem nunca mudar de discurso.

André Villas-Boas é um desses casos.

Hoje é presidente do FC Porto. Ontem foi treinador do mesmo clube. E basta recuar até 2010 para perceber que a obsessão contra o SL Benfica não nasceu agora, nem apareceu por acaso.

Nas primeiras semanas como treinador do FC Porto, Villas-Boas já encontrava tempo para falar do SL Benfica.

Em agosto de 2010, depois de Jorge Jesus ter afirmado que o Benfica seria campeão, Villas-Boas respondeu que as conferências de imprensa do Benfica eram “monólogos para um canal” e que as mensagens eram fáceis de passar porque o treinador “nunca é confrontado com perguntas”. A tal teoria da “imprensa do Sul”.

Poucas semanas depois, voltou ao ataque.

Quando Luís Filipe Vieira criticou as arbitragens, Villas-Boas afirmou que, com a paragem do campeonato, “era natural que as arbitragens fossem o entretenimento”.

Mas o tema dos árbitros haveria de voltar várias vezes.

Em dezembro de 2010, quando Jorge Jesus relacionou a diferença pontual entre Benfica e FC Porto com os critérios na marcação de grandes penalidades, Villas-Boas respondeu que essa questão era “um entretenimento”.

É curioso recordar isto hoje.

Porque em 2026, já presidente do FC Porto, Villas-Boas continua a ter sonhos molhados com o SL Benfica.

No editorial da revista Dragões de agosto de 2026, Villas-Boas dedicou uma parte significativa do seu discurso ao SL Benfica e a Pedro Proença.

Vilas Boas considerou “cruel e desrespeitosa” a decisão de colocar o presidente da Federação Portuguesa de Futebol na sexta fila da tribuna da Luz. Criticou o SL Benfica por ter divulgado excertos de conversas privadas de Proença e classificou o mapa dos lugares da tribuna como um “manifesto político”.

Mais importante ainda: Villas-Boas decidiu assumir publicamente a defesa de Pedro Proença.

Não estamos, portanto, perante uma simples opinião sobre protocolo. Estamos perante um presidente do FC Porto que, perante uma polémica, escolheu atacar o SL Benfica e defender Pedro Proença.

E aqui vale a pena recordar quem foi Pedro Proença enquanto árbitro.

Por exemplo, a 2 de março de 2012, SL Benfica e FC Porto encontraram-se na Luz. Pedro Proença foi o árbitro. O FC Porto ganhou por 3-2, com o golo decisivo de Maicon aos 87 minutos.

O problema?

O golo foi marcado em posição irregular. Até o Correio da Manhã descreveu o lance como um golo marcado “em fora de jogo” e registou que a posição de Maicon era irregular.

Também o Record, ao fazer posteriormente o balanço das polémicas de Proença com o Benfica, identificou nesse jogo duas situações particularmente contestadas: uma falta sobre Witsel que esteve na origem do segundo golo portista e, sobretudo, o fora de jogo no lance que decidiu o jogo.

É história documentada.

E há outro detalhe que não deixa de ser curioso: nas duas últimas épocas em que Pedro Proença dirigiu clássicos entre o SL Benfica e FC Porto, ambos terminaram com vitórias do FC Porto e ambos tiveram impacto direto na luta pelo título.

Portanto, quando Villas-Boas aparece hoje a defender Pedro Proença e a atacar o SL Benfica por causa da forma como o recebeu na Luz, é legítimo recordar o passado.

É este o Villas-Boas que alguns parecem ter esquecido. Alguns benfiquistas apelidaram-no de “lufada de ar fresco”, quando venceu Pinto da Costa naquela representação que foram as eleições do FC Porto.

O mesmo homem que hoje se apresenta como alguém que quer renovar, modernizar e dignificar o futebol português é o homem que, enquanto treinador do FC Porto, construiu uma parte significativa do seu discurso público a atacar o SL Benfica.

Existe um padrão de ligação entre Vilas Boas, o FC Porto e Pedro Proença: a hostilidade ao SL Benfica. Proença ameaçou o SL Benfica na gravação divulgada há algumas semanas.

E há uma pergunta que merece ser feita:

Mudou André Villas-Boas ou mudou apenas o lugar onde está sentado?

Porque o cargo mudou. A gravata mudou. O discurso institucional tornou-se mais elaborado.

Mas, quando aparece uma oportunidade para atacar o SL Benfica, Vilas Boas não resiste e regressa ao ódio visceral pelo nosso clube.

E é aqui que entra Pedro Proença.

É perfeitamente legítimo Villas-Boas defender quem entender. É perfeitamente legítimo considerar inadequado o lugar atribuído ao presidente da FPF na tribuna da Luz.

Mas também é legítimo perguntar por que razão a indignação é tão grande agora.

Sobretudo quando falamos de Pedro Proença, um árbitro que durante anos esteve no centro de algumas das maiores polémicas envolvendo SL Benfica e FC Porto. E isto acontece num momento particularmente sensível.

Em janeiro de 2026, transitou em julgado a decisão judicial que condenou o FC Porto no chamado caso dos emails, obrigando a SAD portista a pagar ao Benfica 605.300,90 euros, acrescidos de juros e custas.

O Conselho de Disciplina da FPF tem desde 2017 um processo a decorrer sobre este tema, e mesmo apesar do trânsito em julgado da decisão, continua em silêncio.

Basta colocar os factos em cima da mesa.

Um treinador do FC Porto que, em 2010 e 2011, atacava sistematicamente o SL Benfica.

Um presidente do FC Porto que, em 2026, continua a utilizar o SL Benfica como alvo privilegiado do seu discurso.

Um Pedro Proença que, enquanto árbitro, esteve envolvido em decisões altamente polémicas em clássicos que terminaram com vitórias do FC Porto.

E um Villas-Boas que, perante a atual polémica, escolhe colocar-se inequivocamente do lado de Proença e contra o SL Benfica.

Cada um que tire as suas conclusões.

Eu fico apenas com uma:

Há quem consiga mudar de presidente sem conseguir mudar de rivalidade.

E talvez seja essa a verdadeira essência de André Villas-Boas. Não é o homem novo que chegou para romper com o passado. É o mesmo homem de sempre, agora sentado na cadeira de presidente.

Agora tem um parceiro à sua medida na FPF: Pedro Proença.

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4 comentários

  1. O Pinto tinha-nos um ódio selvagem. Este tem-nos um ódiozinho frio. Muito mais perigoso.

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  2. Não sejam estúpidos.
    Com o AVB, o Porto para o campeonato já sofreu duas goleadas na época 24/25 e dois empates na época 25/26.

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    1. Caro Benfiquista todo e verdade sobre esse vira casacas agora que apanhou o lugar de cadeira de sonho, mas a custa do velho tenho a crer que o senhor pinto da costa foi mais cedo porque nunca seria traído por um vira casacas este André e muito mais perigoso que o pinto, ele nunca quis uma lufada de ar fresco pois a verdade desportiva nunca lhe interessou a batota e o jogo deles.

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  3. Depois de lido este longo e verdadeiro texto do Shadows assalta-me logo pergunta sacramental: como foi possível Rui Costa apoiar a candidatura de Pedro Proença prá FPF? Eu só tenho uma resposta. Rui Costa traiu e de que maneira o Benfica. Nunca lhe vou perdoar.

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