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segunda-feira, 23 de setembro de 2024

Os herdeiros de Vale e Azevedo e Rangel estão de volta

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Quem viveu os anos 90 do SL Benfica sabe perceber o que nos levou às eleições que deram a Vitória a João Vale e Azevedo.

A presidência de Manuel Damásio entregou a Pinto da Costa e ao FC Porto o controlo total do futebol português. Desportivamente, fomos campeões em 1993/1994, mas vimos essa equipa destruída por Damásio e por Artur Jorge, com a substituição de jogadores de classe mundial por figuras de segunda categoria.

Foi nesse cenário de desespero que os benfiquistas rejeitaram o projecto e liderança de Luís Tadeu em 1997 e votaram “num salvador” chamado Vale e Azevedo, que prometia “rasgar” o sistema e com a sua política de “um escudo é um escudo”, referindo-se à moeda portuguesa e ao “rigor” em finanças.

As AGs do SL Benfica nessa altura eram marcadas pelos insultos dos fanáticos de JVA. Eram os “puros” que íam meter tudo na ordem, diziam eles.

Quando JVA foi eleito, as AGs do SL Benfica passaram a ter uns senhores de camisas negras, instrumentalizados por um vice de JVA, que ameaçavam e até agrediam todos os que colocavam JVA em causa ou que tentavam fazer perguntas difíceis.

Após a queda de Vale e Azevedo, muitos destes fanáticos apoiaram Vilarinho e Vieira, até perceberem que mesmo assim não entravam no SL Benfica.

O advento da internet permite ver muitos desses junto de Rui Rangel, outro que procurou no SL Benfica um refúgio e um escudo para a sua condição frágil, já exposta pela Justiça.

O que vimos na AG de sábado?

Muitos benfiquistas com vontade de debater, interessados nos temas relacionados com os Estatutos, mas que perceberam que um grupo organizado de sócios estava lá para condicionar os outros, gritar e ofender, permitindo apenas aos seus falar sem interrupções ou impropérios.

Daí que à tarde cerca de 15% dos sócios já não regressou e com o episódio da demissão de Seara, muitos mais abandonaram.

Vamos a factos.

Nunca gostei das escolhas e companhias de Fernando Seara no futebol.

Foi jantar para o Gambrinus com Pinto da Costa e Joaquim Oliveira após uma derrota do SL Benfica na Luz com o FC Porto, conseguida à maneira antiga.

Denunciei em exclusivo que ele seria o candidato de Joaquim Oliveira à Liga de Clubes em Maio de 2014 no post “A armadilha de Joaquim Oliveira chamada Fernando Seara”. 

Sim, em 2014 quando muitos de vós ainda brincavam com os playmobiles ou votavam alegremente em Vieira.

Mas o facto de não apreciar as suas companhias e escolhas, há limites que não se ultrapassam.

Ter um grupo de sócios a chamar-lhe “filho da puta” e "chulo" entre outras coisas não é digno de um benfiquista.

Ter uma turba organizada para provocar desacatos e ao mesmo tempo passar para fora da AG imagens para a Comunicação Social… não é digno.

Seara fartou-se e demitiu-se.

Ninguém, dirigente ou não, deve estar exposto a insultos deste tipo seja nas AGs, seja no Estádio ou até mesmo nas Redes Sociais.

Claro que Seara não se teria demitido se sentisse que Rui Costa estava de pedra e cal no SL Benfica. Mas isso são outras contas.

O mesmo ódio destilado aos Orgãos Sociais foi destilado às Casas do SL Benfica. O pretexto são os votos atribuídos às Casas há mais de 10 anos numa AG promovida por Vieira.

Eu sou contra as Casas terem “votos” em eleições. Mas isso não quer dizer que eu não entenda o papel fundamental das Casas no “viver” o SL Benfica diariamente para quem está longe da Luz.

Ir a uma Casa do SL Benfica quando se está longe é o mais parecido com ir ao Estádio que muitos benfiquistas têm. Falar das Casas com o desprezo que vi e ouvi é não entender nada do que é o SL Benfica e os benfiquistas.

Mas este ódio pelas ideias alheias e por aqueles que “não estão connosco”, o insulto fácil e a aparente “defesa do benfiquismo puro” é exactamente o que vimos nos apoiantes de Vale e Azevedo e de Rangel.

Contra esse ódio me bati, como me bati anos a fio contra a gestão de Vieira que muitos desses entretanto defendiam com unhas e dentes.

Não há lugar no SL Benfica para ódio às ideias dos outros.

Muito menos há espaço para grupos e coligações negativas, sob a capa do benfiquismo militante.

Não queremos que o SL Benfica perca jogos só para dizermos que “temos razão” e para ver a Direcção cair.

Não participamos em coligações com a Comunicação Social para achincalhar o SL Benfica e para, ao mesmo tempo, não se falar das Finanças miseráveis do FC Porto ou dos investidores obscuros do Sporting CP.

Esses que se dizem “puros” fazem isso. É a politica de terra queimada, em que vale tudo para irem a eleições.

Temos que respeitar os Orgãos eleitos, todos os sócios e a suas ideias. Fazer isso é que é respeitar o SL Benfica e a sua história.

Podemos e DEVEMOS discordar de tudo o que achamos estar menos bem. Mas com IDEIAS e PROJECTOS e não com gritos, insultos e ódio.

Mandamos Vale e Azevedo embora no passado e rejeitamos Rui Rangel.

Não serão os seus herdeiros que retomarão esse legado de destruição do SL Benfica.

segunda-feira, 17 de junho de 2024

Seara e Noronha Lopes: as faces visíveis do que está mal no SL Benfica

29 comentários


O que tinha tudo para ser uma AG (dupla) histórica fica na memória pelos piores motivos.

Primeiro do lado do PMAG, Fernando Seara.

Erros numa organização que nem uma agremiação de bairro cometia.

O erro maior foi não ter preparado logo de início a AG no estádio, como sucedeu com a da tarde. Se a afluência não fosse a esperada, não seria da parte do SLB que não tinham sido criadas as condições.

A consequência disto é que a AG da manhã começou tarde e terminou e ainda estavam lá fora imensos sócios. Inaceitável.

Depois a acreditação dos sócios. Poucos postos para receber milhares de sócios. Isto tem algum sentido?

Cabe ao PMAG liderar toda a organização da AG e garantir os fundos necessários da parte do clube para que as condições sejam as ideais.

Fernando Seara desprezou os benfiquistas e a sua mobilização e interesse no momento do clube. É um reflexo do que muitos que estão no clube e na SAD acham dos adeptos e dos sócios: uns estorvos que de vez em quando temos de aturar.

Mas a outra metade do que se passou não fica atrás de Fernando Seara no desprezo pelos valores do SL Benfica.

Falo de João Noronha Lopes e dos seus fiéis seguidores. Prestaram um péssimo serviço ao benfiquismo e ao clube. Fizeram exactamente o contrário daquilo que diziam estar a defender.

A democracia e o benfiquismo não são compatíveis com a baderna, a gritaria, os insultos e os assobios constantes. A AG não é um jogo de futebol mas uma altura solene e deve ser respeitada como tal.

Quer isto dizer que não pode haver paixão? Não pode haver nenhum momento de desagrado ou discordância? Óbvio que não! Pode e deve.

Mas o que se passou no sábado foi outra coisa. Foi uma acção concertada de desestabilização do SL Benfica.

Quer Rui Costa quer outros sócios, fora desta “igreja de fanáticos” de Noronha Lopes, não tiveram condições para explanar os seus pensamentos ou as suas ideias sem uma constante gritaria ou assobios.

Uma conduta vergonhosa nada condizente com a tradição do SL Benfica de Borges Coutinho ou Ferreira Bogalho.

João Noronha Lopes e os seus fiéis fizeram lembrar sim as AGs do Sporting de Bruno de Carvalho, em que o mesmo fanatismo e intolerância para com os outros acabou por resultar num dos períodos mais negros da história dos lagartos. Uma conduta totalmente inaceitável.

Aos que chegaram recentemente ao NGB e aos que só em 2020 acordaram para o que se passava no clube, relembro que a minha opinião sobre o Rui Costa “Presidente e Gestor” é a pior possível há muitos anos, ainda ele só tinha como função fumar cigarros em horário de expediente.

Mas numa altura de pré-temporada, em que urge que se prepare a época, andar a desestabilizar o clube por causa de um acontecimento com quase 5 anos, por um orçamento cuja aprovação ou não não tem consequências na gestão do clube, e enxovalhar o Presidente do SL Benfica e todos os que pensam de forma diferente é fazer muito mal ao SL Benfica.

Ademais, a confusão em torno dos resultados da votação do orçamento é um reflexo da falta de interesse em “construir”.

Quer Fernando Seara quer João Noronha Lopes e todos os que pensam como eles prestam um péssimo serviço ao Sport Lisboa e Benfica. 

O desprezo pelos restantes benfiquistas é repugnante. São a ligação a um passado de intolerância que não queremos que regresse.

Uma nota final quanto ao tema “eleições”.

Eu não defendo eleições antecipadas no caso de Rui Costa pretender continuar como Presidente. Defendo sim, como outros benfiquistas, que deve reestruturar a sua equipa profundamente e atacar o último ano de mandato com a ambição e estratégia adequadas aos pergaminhos do SL Benfica.

No entanto, se Rui Costa não tiver planos para se recandidatar, acho que deve convocar eleições antecipadas.

Ou se entretanto as investigações judiciais produzirem resultados com consequências imediatas para a reputação do Presidente, também deve convocar eleições antecipadas e afastar-se.

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