Quem viveu os anos 90 do SL Benfica sabe perceber o que nos levou às eleições que deram a Vitória a João Vale e Azevedo.
A presidência de Manuel Damásio entregou a Pinto da Costa e ao FC Porto o controlo total do futebol português. Desportivamente, fomos campeões em 1993/1994, mas vimos essa equipa destruída por Damásio e por Artur Jorge, com a substituição de jogadores de classe mundial por figuras de segunda categoria.
Foi nesse cenário de desespero que os benfiquistas rejeitaram o projecto e liderança de Luís Tadeu em 1997 e votaram “num salvador” chamado Vale e Azevedo, que prometia “rasgar” o sistema e com a sua política de “um escudo é um escudo”, referindo-se à moeda portuguesa e ao “rigor” em finanças.
As AGs do SL Benfica nessa altura eram marcadas pelos insultos dos fanáticos de JVA. Eram os “puros” que íam meter tudo na ordem, diziam eles.
Quando JVA foi eleito, as AGs do SL Benfica passaram a ter uns senhores de camisas negras, instrumentalizados por um vice de JVA, que ameaçavam e até agrediam todos os que colocavam JVA em causa ou que tentavam fazer perguntas difíceis.
Após a queda de Vale e Azevedo, muitos destes fanáticos apoiaram Vilarinho e Vieira, até perceberem que mesmo assim não entravam no SL Benfica.
O advento da internet permite ver muitos desses junto de Rui Rangel, outro que procurou no SL Benfica um refúgio e um escudo para a sua condição frágil, já exposta pela Justiça.
O que vimos na AG de sábado?
Muitos benfiquistas com vontade de debater, interessados nos temas relacionados com os Estatutos, mas que perceberam que um grupo organizado de sócios estava lá para condicionar os outros, gritar e ofender, permitindo apenas aos seus falar sem interrupções ou impropérios.
Daí que à tarde cerca de 15% dos sócios já não regressou e com o episódio da demissão de Seara, muitos mais abandonaram.
Vamos a factos.
Nunca gostei das escolhas e companhias de Fernando Seara no futebol.
Foi jantar para o Gambrinus com Pinto da Costa e Joaquim Oliveira após uma derrota do SL Benfica na Luz com o FC Porto, conseguida à maneira antiga.
Denunciei em exclusivo que ele seria o candidato de Joaquim Oliveira à Liga de Clubes em Maio de 2014 no post “A armadilha de Joaquim Oliveira chamada Fernando Seara”.
Sim, em 2014 quando muitos de vós ainda brincavam com os playmobiles ou votavam alegremente em Vieira.
Mas o facto de não apreciar as suas companhias e escolhas, há limites que não se ultrapassam.
Ter um grupo de sócios a chamar-lhe “filho da puta” e "chulo" entre outras coisas não é digno de um benfiquista.
Ter uma turba organizada para provocar desacatos e ao mesmo tempo passar para fora da AG imagens para a Comunicação Social… não é digno.
Seara fartou-se e demitiu-se.
Ninguém, dirigente ou não, deve estar exposto a insultos deste tipo seja nas AGs, seja no Estádio ou até mesmo nas Redes Sociais.
Claro que Seara não se teria demitido se sentisse que Rui Costa estava de pedra e cal no SL Benfica. Mas isso são outras contas.
O mesmo ódio destilado aos Orgãos Sociais foi destilado às Casas do SL Benfica. O pretexto são os votos atribuídos às Casas há mais de 10 anos numa AG promovida por Vieira.
Eu sou contra as Casas terem “votos” em eleições. Mas isso não quer dizer que eu não entenda o papel fundamental das Casas no “viver” o SL Benfica diariamente para quem está longe da Luz.
Ir a uma Casa do SL Benfica quando se está longe é o mais parecido com ir ao Estádio que muitos benfiquistas têm. Falar das Casas com o desprezo que vi e ouvi é não entender nada do que é o SL Benfica e os benfiquistas.
Mas este ódio pelas ideias alheias e por aqueles que “não estão connosco”, o insulto fácil e a aparente “defesa do benfiquismo puro” é exactamente o que vimos nos apoiantes de Vale e Azevedo e de Rangel.
Contra esse ódio me bati, como me bati anos a fio contra a gestão de Vieira que muitos desses entretanto defendiam com unhas e dentes.
Não há lugar no SL Benfica para ódio às ideias dos outros.
Muito menos há espaço para grupos e coligações negativas, sob a capa do benfiquismo militante.
Não queremos que o SL Benfica perca jogos só para dizermos que “temos razão” e para ver a Direcção cair.
Não participamos em coligações com a Comunicação Social para achincalhar o SL Benfica e para, ao mesmo tempo, não se falar das Finanças miseráveis do FC Porto ou dos investidores obscuros do Sporting CP.
Esses que se dizem “puros” fazem isso. É a politica de terra queimada, em que vale tudo para irem a eleições.
Temos que respeitar os Orgãos eleitos, todos os sócios e a suas ideias. Fazer isso é que é respeitar o SL Benfica e a sua história.
Podemos e DEVEMOS discordar de tudo o que achamos estar menos bem. Mas com IDEIAS e PROJECTOS e não com gritos, insultos e ódio.
Mandamos Vale e Azevedo embora no passado e rejeitamos Rui Rangel.
Não serão os seus herdeiros que retomarão esse legado de destruição do SL Benfica.


