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segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

A Santa Aliança e o "Projecto Roquette" que nunca morre!

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Corria o ano de 2010 e João Rocha - ex-presidente do Sporting - denunciava o seguinte: "Havia um projecto com o FC Porto que era muito prejudicial para o Sporting. Era mesmo inqualificável. Insurgi-me num Conselho Leonino e numa assembleia geral. Era um projecto gravíssimo que só podia sair da cabeça de um indivíduo sem responsabilidades. José Roquette dizia que era um projecto válido, porque era a única maneira de Sporting e FC Porto estarem sempre representados na Liga dos Campeões."

Sabem quem era o "estratega" de Pinto da Costa poucos anos mais tarde sempre quis manter esse caminho de que para o FCPorto o melhor é manter o Sporting como barreira ruidosa entre o FCPorto e o SLBenfica.. e para isso há que dar-lhes uns títulos de vez em quando e fazer parecer que eles é que são os beneficiados.


Essa mesma estratégia foi tentada várias vezes (Dias da Cunha e Bettencourt chegaram a alinhar, mas sempre comidos de cebolada) e foi recuperada mais tarde por Bruno de Carvalho ainda com o delfim no FCPorto:

E teve o seu momento mais mediático quando os dois clubes se juntaram para fazer espionagem empresarial ao SLBenfica, como a justiça comprovou nos julgamentos de Rui Pinto, e aproveitar para expor de forma truncada mais de 10 anos de comunicações do SLBenfica:

Continuo a achar maravilhoso que alguém ache que o FCPorto perdeu o controlo do futebol português.

O FCPorto sempre foi demasiado inteligente para achar que o controlo de um ecossistema de milhões se faz à descarada com nomes ligados ao Clube. Basta retirarem a cabeça das redes sociais para entenderem que o FCPorto sempre utilizou testas de ferro e pessoas "desligadas" do Clube e até com filiações a outros clubes para controlar os dois pilares fundamentais: Arbitragem e Disciplina - precisamente o que nunca quiseram que saísse da esfera ora da Liga or da FPF... e nunca ninguém parou para pensar porquê...

Durante anos a fio, o futebol português era controlado por um sportinguista (Joaquim Oliveira), porém o seu gosto pelo poder e pela riqueza sempre superou qualquer intenção clubista. Joaquim Oliveira tinha os clubes todos na mão porque era o veículo de entrada de dinheiro nos clubes... mas nunca quis cargos em nenhum clube nem na Liga ou FPF. Aliás, era acionista dos três grandes... Um "Santo"!

Quando há o apelo de poder (e do dinheiro), não há clubismos... Ficaram surpreendidos por saber o Clube de coração do "delfim" durante muitos e muitos anos.. mas isso são contas de outro rosário.

Desengane-se quem acha que o Sporting "manda nesta merda toda" como diz o ingénuo do Rui Costa e como diziam os candidatos a Presidente. Quem manda não dá a cara e tem influencia sobre eles todos, sejam eles de que clube forem... porque sempre fez parte da "máquina", porque soube posicionar-se para ser porta de entrada para os portugueses acederem aos milhões dos Arabias... e quem faz chegar o dinheiro aos Clubes e aos árbitros, tem deles o que quiser.

Hoje em dia já não há árbitros corruptos, porque não recebem para errar ou beneficiar. Hoje em dia há árbitros (e Clubes) agradecidos porque acedem a recursos financeiros e até oportunidades profissionais se souberem estar "do lado certo" da história do futebol português.

O "delfim" de Pinto da Costa, depois de provar ao seu mentor (com o Amorim no Sporting) que mantinha o controlo do "tugão" voltou às boas graças do velho e juntos arquitetaram o plano de "varrer o lixo" para o passado (na pessoa de um dirigente inabalável, doente e prestes a falecer) para dar a entender que o FCPorto era agora de uma liderança séria e honesta... Não foi preciso sequer dois anos até caírem as mascaras.

Depois disso, foi só recolocar as peças no sitio certo, e a gratidão do poder faz o resto...

Podem continuar a exigir comunicados, conferências de imprensa, pedidos de demissão... tudo o que quiserem. A única solução para tudo isto nunca será, como dizia um candidato nas eleições do Benfica (que até me dava vontade de rir), que a Liga e a FPF respeitem que dependem do SLBenfica. Como??

Precisamente o contrário. A solução será sempre promover a destruição do poder de influencia que dita no tugão, há décadas, quem é campeão, quem desce e quem sobe - tanto nas classificações dos clubes como nos árbitros e delegados da Liga.

A solução tem que passar por ter um projecto para a Arbitragem e a Disciplina serem independentes da Liga e da FPF, profissionais e com regulamentos que protejam o futebol e não os Clubes. Porém para chegar aqui é preciso fazer acordos, cedências e compromissos entre clubes porque hoje em dia ninguém vai trocar o certo (protecção do Sistema) pelo incerto (o acaso arbitrário de um futebol honesto) se não houver outras contrapartidas.

É preciso medidas para proteger os Clubes ao nível da geração de receitas - como dificultar a concentração de talento da formação nos grandes criando mecanismos de transferências mais tardias e reguladas de forma independente. É na geração de talentos que os clubes podem enriquecer... e se os clubes grandes secam tudo desde cedo, eles nunca terão capacidade de gerar receitas e vão sempre "cair em tentação" de se colocar ao serviço do Sistema.

Não podemos querer um modelo que reconheça o Benfica como o maior (nenhum clube vai apoiar essa mudança), mas sim um modelo de lhes permita obter mais receitas, maior relevância e sem terem que vender a alma nem ao Sistema de Interesses actual, nem ao SLBenfica nem a ninguém

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

A impunidade acabará no dia em que SL Benfica e Sporting CP quiserem

71 comentários

Afinal, há mais gente que se preocupa em tentar salvar o futebol português e os clubes.

O texto de Rui Gomes da Silva na passada segunda-feira (link) foi lapidar quanto aos caminhos que têm que ser necessariamente percorridos.

Saúdo a frontalidade do Luis Lisboa no blogue “És a Nossa Fé” (link).

A chave é mesmo esta: colocar de lado pequenas questões acessórias e olhar para os temas fundamentais.

Quem me acompanha no NGB, sabe que defendo há muitos anos que no dia em que SL Benfica e Sporting CP perceberem que juntos podem limpar o futebol português, isto muda mesmo.

Não é por acaso que Pinto da Costa só ganhou quando teve um aliado num dos clubes de Lisboa ou quando pelo menos um desses clubes estava fragilizado e por isso inactivo quanto a opor-se às movimentações do FC Porto nos bastidores do futebol.

Relembro também que durante décadas havia um entendimento tácito entre SL Benfica, Sporting CP e o CF Belenenses em nunca apoiar ninguém ligado ao FC Porto para ocupar o lugar de presidente da FPF.

Fernando Martins no SL Benfica abriu a porta a Pinto da Costa. Foi o início dos tempos negros do nosso futebol.

Manuel Damásio apoiou Pinto da Costa para presidente da então Liga de Clubes.

Entretanto o Sporting entrou numa espiral de presidentes completamente opostos a João Rocha, que era um senhor.

Sousa Cintra era e é um anti-benfiquista primário. Portanto, terreno fértil para Pinto da Costa.

Santana Lopes é um político e na altura muito perto do poder, e portanto pouco interessado em guerras. Ideal para Pinto da Costa.

Roquette foi quem assumiu esse entendimento tácito com o FC Porto de partilha de poder desde que ganhasse um campeonato, como ganhou, de quando em vez.

Quem aproveitou esse embalo foi Valentim Loureiro e com a vergonha de arbitragens que nos lembramos, o Boavista foi campeão.

Como o FC Porto vacilou esses anos, aproveitando também o período de terra queimada no SL Benfica, o Sporting tornou a ser campeão.

Mas com a entrada de Vieira no SL Benfica, nunca mais o FC Porto teve oposição para tomar conta do futebol.

Mesmo com o Apito Dourado, essa oportunidade de ouro para limpar o futebol, Vieira preferiu apoiar o director financeiro do FC Porto para presidente da Liga de Clubes, primeiro, e depois para presidente da Federação Portuguesa de Futebol.

Portanto, escusam de pensar que há inocentes na ascensão do FC Porto. Não há.

Voltamos ao princípio:

Para livrar o futebol português desta podridão trazida pelo FC Porto de Pedroto e Pinto da Costa é preciso SL Benfica e Sporting CP serem inteligentes e não anti-qualquer coisa.

Sejamos realistas: o futebol português não existe sem SL Benfica. Muito menos terá qualquer possibilidade de ser viável sem SL Benfica e Sporting CP.

Portanto, e com tanto em jogo nos próximos tempos em especial quando se trata da Centralização dos Direitos Televisivos, os 2 clubes mais representativos do país têm que assumir a liderança do projecto de reforma do futebol português.

O poder concedido ao FC Porto e à AF Porto têm liquidado o futuro do nosso futebol.

Não é por acaso que assim que puderam acabaram com as zonas inferiores que garantiam que na Primeira Divisão estavam representados clubes de todo o país.

Não é por acaso que se repetem os casos, como no final da anterior temporada, em que clubes afectos ao FC Porto são beneficiados nas subidas à Primeira Divisão e até à Segunda Liga.

A reforma do futebol português também passa por isto: restabelecer critérios na Segunda Liga que devolvam o futebol ao país inteiro e dessa forma mais visibilidade e praticantes serão atraídos.

Só alguém não afecto ao FC Porto, com independência provada, poderá construir uma alternativa para liderar a FPF e reformar o futebol português.

Por mais que as Associações de Futebol, em especial as do Porto e Braga, queiram opor-se a mudanças, nada pode ser feito no futebol português contra a vontade do SL Benfica e Sporting CP juntos nessa mudança.

Repito: o SL Benfica tem na Centralização de Direitos Televisivos a sua oportunidade de liderar este processo de reformas no futebol português.

Sabemos que o que está na mesa é dar muito dinheiro ao FC Porto e ao SC Braga retirando ao SL Benfica e também ao Sporting CP.

Querer pagar fortunas a clubes por audiências que não têm, além de errado, é subverter a lógica do mérito.

É também roubar os clubes que fazem mexer o mercado da televisão.

Enquanto tivermos adeptos/sócios que preferem andar com odiozinhos que apenas permitem ao FC Porto do Apito Dourado continuar a reinar, nada vai mudar.

Quando os adeptos/sócios perceberem que a exigência e a mudança de mentalidades será o caminho para liquidar a influência dessa agremiação regional, então sim, teremos mudanças.

Os dirigentes são um reflexo da mentalidade da maioria dos seus adeptos.

Está na mão de todos nós essa mudança.

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