Corria o ano de 2010 e João Rocha - ex-presidente do Sporting - denunciava o seguinte: "Havia um projecto com o FC Porto que era muito prejudicial para o Sporting. Era mesmo inqualificável. Insurgi-me num Conselho Leonino e numa assembleia geral. Era um projecto gravíssimo que só podia sair da cabeça de um indivíduo sem responsabilidades. José Roquette dizia que era um projecto válido, porque era a única maneira de Sporting e FC Porto estarem sempre representados na Liga dos Campeões."
Sabem quem era o "estratega" de Pinto da Costa poucos anos mais tarde sempre quis manter esse caminho de que para o FCPorto o melhor é manter o Sporting como barreira ruidosa entre o FCPorto e o SLBenfica.. e para isso há que dar-lhes uns títulos de vez em quando e fazer parecer que eles é que são os beneficiados.
Essa mesma estratégia foi tentada várias vezes (Dias da Cunha e Bettencourt chegaram a alinhar, mas sempre comidos de cebolada) e foi recuperada mais tarde por Bruno de Carvalho ainda com o delfim no FCPorto:
E teve o seu momento mais mediático quando os dois clubes se juntaram para fazer espionagem empresarial ao SLBenfica, como a justiça comprovou nos julgamentos de Rui Pinto, e aproveitar para expor de forma truncada mais de 10 anos de comunicações do SLBenfica:
Continuo a achar maravilhoso que alguém ache que o FCPorto perdeu o controlo do futebol português.
O FCPorto sempre foi demasiado inteligente para achar que o controlo de um ecossistema de milhões se faz à descarada com nomes ligados ao Clube. Basta retirarem a cabeça das redes sociais para entenderem que o FCPorto sempre utilizou testas de ferro e pessoas "desligadas" do Clube e até com filiações a outros clubes para controlar os dois pilares fundamentais: Arbitragem e Disciplina - precisamente o que nunca quiseram que saísse da esfera ora da Liga or da FPF... e nunca ninguém parou para pensar porquê...
Durante anos a fio, o futebol português era controlado por um sportinguista (Joaquim Oliveira), porém o seu gosto pelo poder e pela riqueza sempre superou qualquer intenção clubista. Joaquim Oliveira tinha os clubes todos na mão porque era o veículo de entrada de dinheiro nos clubes... mas nunca quis cargos em nenhum clube nem na Liga ou FPF. Aliás, era acionista dos três grandes... Um "Santo"!
Quando há o apelo de poder (e do dinheiro), não há clubismos... Ficaram surpreendidos por saber o Clube de coração do "delfim" durante muitos e muitos anos.. mas isso são contas de outro rosário.
Desengane-se quem acha que o Sporting "manda nesta merda toda" como diz o ingénuo do Rui Costa e como diziam os candidatos a Presidente. Quem manda não dá a cara e tem influencia sobre eles todos, sejam eles de que clube forem... porque sempre fez parte da "máquina", porque soube posicionar-se para ser porta de entrada para os portugueses acederem aos milhões dos Arabias... e quem faz chegar o dinheiro aos Clubes e aos árbitros, tem deles o que quiser.
Hoje em dia já não há árbitros corruptos, porque não recebem para errar ou beneficiar. Hoje em dia há árbitros (e Clubes) agradecidos porque acedem a recursos financeiros e até oportunidades profissionais se souberem estar "do lado certo" da história do futebol português.
O "delfim" de Pinto da Costa, depois de provar ao seu mentor (com o Amorim no Sporting) que mantinha o controlo do "tugão" voltou às boas graças do velho e juntos arquitetaram o plano de "varrer o lixo" para o passado (na pessoa de um dirigente inabalável, doente e prestes a falecer) para dar a entender que o FCPorto era agora de uma liderança séria e honesta... Não foi preciso sequer dois anos até caírem as mascaras.
Depois disso, foi só recolocar as peças no sitio certo, e a gratidão do poder faz o resto...
Podem continuar a exigir comunicados, conferências de imprensa, pedidos de demissão... tudo o que quiserem. A única solução para tudo isto nunca será, como dizia um candidato nas eleições do Benfica (que até me dava vontade de rir), que a Liga e a FPF respeitem que dependem do SLBenfica. Como??
Precisamente o contrário. A solução será sempre promover a destruição do poder de influencia que dita no tugão, há décadas, quem é campeão, quem desce e quem sobe - tanto nas classificações dos clubes como nos árbitros e delegados da Liga.
A solução tem que passar por ter um projecto para a Arbitragem e a Disciplina serem independentes da Liga e da FPF, profissionais e com regulamentos que protejam o futebol e não os Clubes. Porém para chegar aqui é preciso fazer acordos, cedências e compromissos entre clubes porque hoje em dia ninguém vai trocar o certo (protecção do Sistema) pelo incerto (o acaso arbitrário de um futebol honesto) se não houver outras contrapartidas.
É preciso medidas para proteger os Clubes ao nível da geração de receitas - como dificultar a concentração de talento da formação nos grandes criando mecanismos de transferências mais tardias e reguladas de forma independente. É na geração de talentos que os clubes podem enriquecer... e se os clubes grandes secam tudo desde cedo, eles nunca terão capacidade de gerar receitas e vão sempre "cair em tentação" de se colocar ao serviço do Sistema.
Não podemos querer um modelo que reconheça o Benfica como o maior (nenhum clube vai apoiar essa mudança), mas sim um modelo de lhes permita obter mais receitas, maior relevância e sem terem que vender a alma nem ao Sistema de Interesses actual, nem ao SLBenfica nem a ninguém





