Mais uma reunião de presidentes, mais uma sessão de lavagem cerebral sobre as
supostas vantagens dos direitos televisivos.
A novidade é que passamos de um valor de 300 milhões de euros para um
intervalo entre os 250 milhões e os 500 milhões.
Ora, só mesmo no mundo do faz de conta de Pedro Proença é que estes números
fazem sentido.
O básico do valor global dos direitos televisivos só depende de 2
factores:
a)
Número de países que adquiram os direitos e/ou alcance da plataforma que
compre os mesmos direitos (e quanto estão dispostos a pagar)
b) Audiências estimadas
O resto são tudo tretas para encher páginas de propaganda.
Além disto, há que pensar que hoje a concorrência não se limita aos restantes
campeonatos europeus.
Por exemplo, a Arábia Saudita pelos jogadores que tem lá no campeonato,
aumentou em muito a distribuição mundial dos seus jogos, mesmo sendo de fraca
qualidade.
A MLS deixou de apenas interessar aos americanos e já vende para outros
países.
O mercado asiático está inundado de opções e acima de tudo procura ver
os jogos onde estão craques conhecidos.
Em Portugal, todos sabemos que o SL Benfica vale mais de metade do
valor atual de mercado dos direitos televisivos globais. É também o único
clube que tem nomes conhecidos além fronteiras, os chamados craques, com Di
Maria à cabeça.
Temos o Sporting CP que a nível nacional continua a ser de longe o
segundo clube que mais audiências origina, seguido do FC Porto e
SC Braga.
A atratividade do nosso campeonato lá fora limita-se aos nossos imigrantes, e
mesmo onde estão nem sempre isso é líquido como se viu esta temporada em
França.
A qualidade no nosso futebol jogado é miserável. A falta de qualidade das
arbitragens é chocante.
Então em que se baseia Pedro Proença para atirar agora um valor de 500
milhões? Em propaganda.
A teoria da cenoura, tão eficaz em alguma mentalidade portuguesa.
Daí que o antigo árbitro preferido do FC Porto fala sempre em antecipar a
entrada em vigor deste suposto novo regime com esta "cenoura".
Mas porque antecipar? O único propósito: salvar o FC Porto da ruína
financeira.
Como se viu nas contas divulgadas há dias, o FC Porto está em falência,
sem novas receitas, e sem margem de crescimento em nada.
Só um novo acordo de direitos televisivos permitirá ao FCP se refinanciar,
com essa garantia financeira.
Nem SL Benfica, nem Sporting CP e até nem o SC Braga precisam de um novo
acordo antecipado.
Aliás, o SL Benfica
NÃO PRECISA DE CENTRALIZAÇÃO DE DIREITOS TELEVISIVOS.
Pedro Proença, que continua a afirmar que não vai para a Associação de
Ligas Europeias por ter um compromisso com o futebol português, esconde a
verdade do que pretende:
1) Salvar financeiramente o FC Porto, por quem já tanto fez como
árbitro
2) Presidir à Federação Portuguesa de Futebol nos próximos 12 anos
3) Controlar a Arbitragem sob a capa de um organismo autónomo
Qual Flautista de Hamelin, com a sua propaganda dos 500 milhões,
Pedro Proença procura
guiar os ratos do futebol português para a sua ruína.
Ficarão presos muitos anos a um acordo que não os beneficiará, que não terá os
valores anunciados, e que beneficiará apenas um único clube: o
FC Porto.
E como o Flautista do conto, Pedro Proença voltará mais uma vez com a
sua flauta para "reformar" o futebol português, levando dessa vez "as
crianças" ou seja acabará com a verdade desportiva e a alegria da
imprevisibilidade do jogo.
Por tudo isto, repito que o SL Benfica
NÃO PODE ASSINAR QUALQUER ACORDO DE CENTRALIZAÇÃO DE DIREITOS TELEVISIVOS
QUE NÃO DEFENDA OS SEUS INTERESSES E OS DO FUTEBOL PORTUGUÊS POR INTEIRO.
Mais ainda:
O SL BENFICA NÃO PODE APOIAR PEDRO PROENÇA PARA PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO
PORTUGUESA DE FUTEBOL.
O SL Benfica
DEVE PROMOVER OU APOIAR UM CANDIDATO ALTERNATIVO A ESTE PODER ENTRANHADO DO
FC PORTO.
Há tempo ainda.
Espero que no SL Benfica haja vontade.

