Entrevista de Rui Costa:
Gostei do tom e da fluidez da conversa.
Apreciei as explicações dadas sobre vários momentos do mercado de Verão e
sobre entradas e saídas do plantel. Não explicou tudo acerca disso, mas diria
que foi mais que suficiente para esclarecer todos.
Só que, como escrevi na antevisão da entrevista, Rui Costa tinha que dar um
sinal para a nação benfiquista acerca do posicionamento do clube relativamente
aos acontecimentos das primeiras 4 jornadas do campeonato.
E como alguns esperavam, esse posicionamento foi uma desilusão.
Não porque defendesse ou esperasse linguagem bélica ou mais brejeira.
O que esperava sim era linguagem clara, inequívoca, que se referisse
directamente a quem gere o nosso futebol, e à Arbitragem e à Disciplina.
A comparação entre o que se passa nos jogos do SL Benfica e nos do FC Porto
seria esclarecedora, quanto a critérios a todos os níveis.
A menção directa de que o SL Benfica não iria assinar nenhum acordo de
Centralização de Direitos Televisivos sem reformas profundas no futebol
português daria um sinal claro para todos.
Em 5 minutos Rui Costa poderia ter deixado uma mensagem para todos. Não o
fez.
Escolheu (ou aconselharam-no) proferir uma série de frases sem sal, que
nada dizem e que apontam aos benfiquistas que o mais provável é tudo ficar na
mesma e termos de assistir a um campeonato podre, batoteiro, injusto em que
lutaremos contra todos, dentro e fora de campo.
Uma oportunidade perdida e que me deixa muito preocupado.
Relatório e Contas 2023/2024:
O que salta logo à vista é que, sem a ida de Jota para a Arábia Saudita, o
exercício teria sido novamente negativo.
Preocupante.
Temos uma estrutura demasiado grande, sendo que há que perceber que ter
escalões sem fim de tudo e mais alguma coisa é um custo pesado em recursos
humanos e serviços.
E falando em serviços, gastamos muito dinheiro também nessa rubrica. Não pode
ser. Tudo tem de ser optimizado ao cêntimo e não andar a gastar como se não
houvesse amanhã.
Daí que estamos com um passivo de 444M€. É muito para quem tem feito vendas
recorde nos últimos anos.
Perder-se a oportunidade de reduzir o passivo para apostar em valores incertos
parece-me arriscado. Entre os nórdicos e o João Victor, estamos já a falar de
35M€.
Daí que subscrever as palavras de Luis Mendes que considerou a temporada
anterior “muito boa” é difícil.
Fomos campeões mas não ganhamos mais nada. Ir aos quartos de final da
Champions não é nenhum troféu.
Falar em “simbiose perfeita” entre a parte económica e desportiva é
também um exagero.
Tudo isto não quer dizer que se fez ou faz tudo mal.
Mas que há muito a mudar e a melhorar há, começando por dentro.
Não há tempo a perder.


