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13 maio 2026

Todos querem mandar, ninguém sabe construir. O SL Benfica dos indignados profissionais

168 comentários

Não pude deixar de me lembrar de Luís Filipe Vieira ontem ao assistir à conferência de imprensa de Florentino Perez.

A postura, o olhar os jornalistas nos olhos, o falar dos “papagaios” e de ter que se “proteger o Real Madrid dos aventureiros”. E se há coisa que Florentino Perez fez foi proteger o Real Madrid de quase toda a gente que quisesse ser candidato à presidência, como que caídos do ar.

Cerca de 187 milhões de euros no banco ou em património que conforte o aval bancário está ao alcance de muito poucos. Se fosse necessário algo desse género no SL Benfica, respeitando as devidas diferenças quanto aos orçamentos, quantos dos últimos candidatos estariam em condições de o ser?

Também a condição de apresentar listas completas é algo condicionante. Nas últimas eleições do SL Benfica, alguns dos candidatos não o fizeram.

Como quase todos saberão, se há presidente de que discordei muitas vezes foi Luís Filipe Vieira, mas isso não me impede (como não impediu durante o seu mandato) de reconhecer que há temas em que ele era mestre. Este era um deles. A comunicação e a identificação dos que se atravessavam no seu caminho.

Se há coisa que Florentino fez foi acabar com o Real Madrid dos “mecenas” e criar uma máquina profissional de uma ponta a outra. É essa máquina que permite a contratação dos melhores e mais caros do mundo.

No Real Madrid só os sócios “proprietários” podem votar nas eleições. Quase não há vagas para essa categoria de sócio, sendo que na maioria dos casos só o conseguem ser por herança familiar, transferência dentro da família ou sendo parte de lista de espera muito limitada.

É para esses que Florentino falou ontem. Para os 100 mil sócios proprietários.

Também na convocação de eleições, no Real Madrid não se anda meses a arrastar o clube para a sarjeta com lavagem de roupa suja.

Em 15 dias saberemos quem são os candidatos e se foram aceites ou não. Caso só exista uma lista, não há votação e esse candidato é automaticamente eleito presidente. Caso exista mais que uma lista, as eleições ocorrem nos 15 dias seguintes. Por isso, na pior das hipóteses, no princípio de Junho o presidente eleito está a trabalhar na nova temporada sem espinhas.

Trazendo isto tudo para o SL Benfica, andamos um ano com pré-campanha e campanha. Tivemos um conjunto de associados que mantiveram eleições em Outubro (em pleno decorrer da temporada) e a obrigar a 2 voltas caso existam pelos menos 3 candidatos. Caso único no mundo do futebol. Ouvimos falar em “democracia” desde a aprovação dos novos estatutos, mas os mesmos que os promoveram são os que gritam “demissão!” em qualquer momento menos bom.

Temos todos os dias os adversários (é o seu papel) a atacar o SL Benfica, mas também temos uma minoria barulhenta de benfiquistas que persiste em fazer dos fracassos do SL Benfica um pretexto para ataques pessoais e campanhas sujas contra toda a gente no clube.

Nunca vi nenhum projecto ser construído pelo telhado ou ter as condições ideais para ser executado num clima de guerra constante.  

Na segunda-feira no estádio, um conjunto de benfiquistas que se consideram mais benfiquistas que os outros insultavam todos à sua volta por considerarem que essa “maioria” era responsável pelo insucesso desta temporada.

Rui Costa é a cara e o principal responsável dos sucessos e insucessos desde 2021. Mas não o é sozinho. Todos os sócios (como proprietários) somos parte destes resultados, quer gostemos quer não. Não podemos ser benfiquistas no Marquês ou no Jamor quando se levanta a Taça e nada ter a ver com isto quando os resultados são maus.

No calor do jogo, gritar e exteriorizar a frustração faz parte. Fora dele, não. Todos somos treinadores, gestores e opinadores. Todos podemos discordar e apresentar outras soluções, caminhos, opções.

Sem distinguirmos o que é crítica construtiva (e por vezes até irada, incisiva e apaixonada!) de vontade de destruir, de que tudo corra mal para ter razão… não se vai muito longe.

Gritam demissão como se fazer cair uma Direcção com a complexidade da aberração que criaram nos estatutos fosse algo rápido e simples de realizar.

Querem que o Rui Costa faça melhor ou perceba que não tem condições para o fazer (como quase todos achamos)? Sejam melhores que ele nas soluções que apresentam como alternativa. Não chega campanhas de redes sociais com fábulas inventadas. Não chega ter uma pequena empresa e dizer-se que se sabe "gerir".

Não apresentem algo claramente melhor e novas eleições só servirão para mais uns meses de arruaça, lavagem de roupa suja e 5 milhões estoirados no processo eleitoral.

Apresentem algo bem melhor e nós os "proprietários" saberemos dar essa oportunidade. 

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