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sábado, 11 de junho de 2016

LFV: Ederson, Semedo e Lindelof não saem do Benfica no defeso!

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Outros jogadores sairão, mas de acordo com a II Parte da entrevista que será publicada amanhã no Record, Luis Filipe Vieira aceitou dar conta que o Benfica não abre mão destes três jogadores.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Ronaldo merece a seleção que Futre também merecia e não teve

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Sim, a história de Paulo Futre e Cristiano Ronaldo ao nível das seleções nacionais tem alguns pontos em comum. Ambos nasceram, nesse ponto de vista, na geração errada.

Paulo Futre, para quem se lembra, era um portento de jogador. Numa altura em que a europa do futebol, fruto da limitação dos estrangeiros por equipa, estava limitada à verdadeira elite, Futre foi durante anos, o único grande embaixador do futebol português fora de portas, ao qual se seguiu Rui Barros alguns anos depois.

Também Futre nos seus tempos de glória merecia uma seleção mais forte que o projetasse para voos ainda mais altos. Mas na verdade a seleção era ele e os outros, e os outros não eram mais do que alguns outros “bonzitos” jogadores, bons cá dentro diga-se, no futebol nacional, mas sem projeção nem experiência de grandes palcos para elevar o nível da seleção nacional a um nível capaz de disputar sequer as grandes competições internacionais.

Quando Paulo Futre chegou ao fim, ou quando chegou por exemplo à Luz já em fase descendente e marcado por lesões, foi a altura em que nascia a Geração de Ouro do Futebol português. E Paulo Futre deve de facto ter-se perguntado várias vezes dos porquês de não ter nascido 5 ou 6 anos mais tarde, e poder ter ainda competido ao lado de jogadores como Rui Costa, Fernando Couto, Jorge Costa, Figo, Paulo Sousa ou João Pinto. Futre foi ainda a tempo de apanhar o inicio desta geração, mas já não era o verdadeiro Paulo Futre.

Com Cristiano aconteceu na realidade o mesmo. Cristiano Ronaldo nasceu para a seleção no Europeu 2004 disputado em Portugal, numa altura em que a tal geração de ouro dava os últimos passos, com um Figo perto do fim, um Rui Costa que já era suplente de Deco, e o próprio Deco que já não era novo por sinal.

E Cristiano Ronaldo esteve perto de fazer história logo na estreia em grandes competições internacionais, com aquela triste final perdida jogada na Luz contra a Grécia, mas a partir daí a seleção passou a ser também, tal como no tempo de Futre, o Cristiano Ronaldo e mais 10, sendo que os outros 10, salvo duas ou três exceções na defesa mais mediáticos, eram do meio campo para a frente, pouco mais do que a mediania de Veloso ou Meireles, Nani por vezes num patamar um pouco mais alto, jogadores que encostaram sempre a seleção cá atrás, deixando Ronaldo sempre só e entregue à sua sorte lá à frente.

O meu pai, que não é lá grande adepto de Ronaldo, disse-me muitas vezes: “Ah, ele joga bem é lá fora, na seleção não joga nada, vem cá para passar férias.” Eu sempre discordei dizendo: “O Ronaldo, se não joga bem na seleção é porque de facto joga praticamente sozinho, e os adversários sabem que ao contrário do que acontece em Madrid, marcando o Ronaldo, anulam Portugal do ponto de vista ofensivo.”

Eu, na verdade, fui sempre adepto do jogador Cristiano Ronaldo... Lá está, estou-me marimbando para a personalidade, para o mau feitio que alguns dizem que tem, não estou habilitado a julgar o homem que não conheço...

À distância imagino que ser Ronaldo não deve ser nada fácil de alguns pontos de vista... Não deve ser nada fácil não poder dar um peido sabendo que o seu aroma vai ser comentado por milhões e decomposto nos seus elementos químicos mais básicos... Não deve ser fácil não poder sair à rua sabendo que ao mínimo passo em falso haverá 150 telemóveis levantados e a filmar o “mau” momento, gente que só espera o momento em que ele caia de lá de cima... Não deve ser fácil tantos milhões de pessoas a querer levar para casa um pedaço de si... Na minha ingenuidade se calhar, imagino que não deva ser fácil crescer como Cristiano Ronaldo sem desenvolver um lado cínico e arrogante que o proteja um pouco do mundo exterior...

Mas eu sempre disse ao meu pai: “O Ronaldo está-se marimbando para a seleção?! Então tu achas que o Ronaldo, que assumidamente quer ser visto como o melhor jogador de todos os tempos, que assumidamente também trava há 10 anos uma luta titânica, semana a semana, palmo a palmo e golo a golo com Lionel Messi pela Bola d´Ouro, não sabe, mais do que ninguém, que seria um título europeu ou mundial ao nível das seleções a poder diferenciá-lo de Lionel Messi?! Não é esse o único título que lhe falta e que o pode levar ao patamar dos Deuses?”

Para mim pois, Ronaldo pode logicamente ter maus jogos e é mais fácil tê-los na seleção onde joga muitas vezes sozinho do que no seu clube no meio de outras estrelas mas, nunca será por falta de vontade ou empenho.

Aliás, Ronaldo não chegou ao patamar que chegou, um dos melhores jogadores de sempre, com falta de empenho. Se há coisa que nunca ninguém lhe pode apontar é falta de atitude profissional. Se há coisa que lhe permitiu por exemplo ter uma carreira tão antagónica da de Quaresma, não é talento a mais, é precisamente ter sempre vivido a vida de um profissional de elite.

E sim, para mim Ronaldo ou Messi serão muito provavelmente os dois melhores futebolistas de sempre. E não o são, no caso de Ronaldo pelo menos, por fazerem em campo coisas mais fantásticas do que fazia Ronaldinho, Maradona, o brasileiro Ronaldo ou Zidane... Messi e Ronaldo são provavelmente os dois melhores de sempre, não pelo talento que possuem (esse, os outros também tinham, e se calhar até mais) mas pela consistência com que o demonstram semana após semana...

Messi e Ronaldo têm duas carreiras em paralelo, já em fase descendente imagino, vividas sempre no topo, comprovadas com números jogo após jogo e época após época, e praticamente sem épocas perdidas, sem grandes lesões sequer, ao contrário da irregularidade de outros grandes talentos do passado.

E ainda hoje é assim... O que assusta mesmo é ver hoje Ronaldo ou Messi já na barreira dos 30 anos e perguntar quem são os talentos que vêm a seguir capazes de chegarem a este nível de performance... Sim, há por aí alguns grandes jogadores, como sempre houve no passado, um David Silva (mais velho), um Hazard, um Van Bruyne por exemplo mas, como tantos outros, são jogadores de dois grandes jogos e três maus a seguir, muito longe da regularidade que Messi e Ronaldo demonstraram ao longo de mais de 10 anos de carreira.

Aos 31 anos, o que desejo é que Ronaldo vá ainda a tempo de conquistar esse título internacional que lhe falta... Ele merece-o, porque trabalhou, como muito poucos o fizeram ao longo da vida, para que esse sonho fosse possível...

Realisticamente, para contarmos com um Ronaldo ainda ao mais alto nível, terá de ser já neste Europeu ou no próximo Mundial... E há de facto, hoje, uma nova geração de jogadores em Portugal a aparecer, que podem ser possivelmente uma nova geração de ouro, e que podem permitir a Ronaldo esse feito...

Este ano já? Espero que sim, mas no próximo mundial não há desculpas para que jogadores como Raphael Guerreiro, Nélson Semedo, André Gomes, Cancelo, Bernardo, Rafa, Renato Sanches, William, Danilo, André Silva, Gelson Martins e outros que seguramente aparecerão, não possam formar uma extraordinária seleção portuguesa, e permitir a Ronaldo, definitivamente, conquistar um lugar no meio dos Deuses.






quinta-feira, 9 de junho de 2016

Mudam as regras, mas estão lá os mesmos.

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A Liga de Clubes, presidida por Pedro Proença, brindou o mundo do futebol com um série de multas “pesadas” para comentadores ou equivalentes, com ligação aos clubes de que se anunciam adeptos.

Também Fernando Gomes avançou com um “agora é que é” para o seu novo mandato como presidente da FPF.

Ora, este novo regulamento da Liga tem desde logo um “cheirinho” a hipocrisia e a mais uma norma para ser ignorada por todos os elementos do mundo do futebol.

Não houve temporada em que de forma completamente aberta se tenha colocado em causa tudo e todos como esta que agora terminou. Sanções ou castigos? Multas ou coimas? Zero.

Aliás, a seriedade do trabalho das estruturas do futebol ficou evidente no timing e no próprio castigo a Slimani. O presidente ou timoneiro da FPF não era o mesmo? Não poderia, como fez noutros casos, pressionar o órgão competente a ser célere na decisão?

O problema do futebol português é de fundo e não se resolve com normativos ou uma “nova ordem” no futebol quando as pessoas são as mesmas.

Achei curioso que Rui Santos no seu programa “Tempo Extra” se tenha insurgido contra o facto deJoão Vieira Pinto ter tomado posse como vice-presidente por ter sido condenado por fraude fiscal.

Não é mais grave que a FPF tenha como presidente o director financeiro do FC Porto durante todo o período do Apito Dourado? Não é gravíssimo que a FPF tenha como presidente alguém que falava em código com António Araújo, a “ama-seca” das “deusas” que serviam os árbitros “amigos” do FC Porto e que um desses momentos até esteja disponível para todos ouvirem?

É uma demonstração enorme de hipocrisia e falta de seriedade invocar o passado de João Vieira Pinto e ignorar o passado de Fernando Gomes!!

Compreendo que alguns visitantes do NGB tenham questionado porque não mencionei Rui Gomes da Silva mas o vice-presidente do SLB, com mais ou menos polémica, sempre assumiu tudo o que disse e diz e não é um pau mandado de ninguém no seu papel de benfiquista/comentador. Não conspurca o nome dos outros para “lavar” qualquer acção do Benfica ou sua.

RGS afirmou no “O Dia Seguinte” desta semana que a falta de coragem é o principal problema que nunca iria permitir que o Sporting descesse de divisão como consequência das acções de Paulo Pereira Cristovão. Tem razão.

Mas, caro RGS, eu digo que um futebol que não desceu o FC Porto como consequência do “Apito Dourado” nunca irá descer qualquer outro clube. A justiça desportiva não precisava de ignorar as escutas telefónicas entretanto disponibilizadas no Youtube como muitos juristas na altura deixaram claro.

Aliás, até o processo rídiculo da descida do Boavista e da sua recuperação para a primeira Liga deixa evidente o grau de (pouca) imparcialidade dos órgãos dirigentes do desporto português. Só quem não tem memória é que não se lembra de como o clube axadrezado foi “levado ao colo” com um jogo caceteiro, violento e que beneficiou de muitos “acasos” que prejudicaram terceiros e beneficiaram o clube do então presidente da Liga Valentim Loureiro, cuja actuação ficou também evidente em escutas também disponibilizadas então.

Não ter sustentado o processo de descida do Boavista em TODAS essas evidências quase passaria, diria, por algo premeditado.

É com Pedro “Ofereci 2 Campeonatos ao FCP” Proença, com Fernando “Facturas” Gomes ou até com Tiago “Cachecol do Porto” Craveiro que se vai lançar uma nova era no futebol português? Não.

É com dirigentes que apoiam e fomentam personagens ridículas como Inácio, Pedro Guerra, José Eduardo, Calado, Miguel “Favas na Boca” Guedes, Bernardino Barros e tantos outros que se vai construir um futebol credível para os patrocinadores apostarem? Não.

Já agora, ainda não se interrogaram o que mudou na FPF para Bruno de Carvalho fazer tão rasgados elogios ao programa de Fernando Gomes? Talvez Rui Santos queira responder no próximo “Tempo Extra”.

Nota final: Vale e Azevedo foi solto esta semana. O vigarista que roubou o Benfica saiu em liberdade condicional. Mas...

...já faliram bancos, dezenas de dirigentes hoje em dia enriquecem à custa dos “seus” clubes, políticos que faliram o próprio país, CEO’s que em nome da empresa adquiriram buracos negros de dinheiro como o exemplo da Manutenção da TAP no Brasil, mas nisto tudo o único gajo obrigado(e bem) a cumprir pena foi um ex-presidente do Benfica. Não deixa de ser…”curioso”.   

Inácio, Pedro Guerra e Miguel Guedes indignados.

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"A LPFP, reunida em Assembleia Geral, aprovou nesta quarta-feira o pagamento de multas pesadas por parte de comentadores televisivos que estejam ligados a clubes, a pedido dos patrocinadores das competições profissionais.

«Discutiu-se o caso dos comentadores televisivos ligados aos clubes que, às vezes, têm comportamentos menos corretos perante os outros clubes, o que será penalizado, nomeadamente a pedido dos patrocinadores da Liga», revelou o presidente da Assembleia Geral da Liga, Mário Costa.

De acordo com Mário Costa, é exigida «alguma contenção para que, de uma vez por todas, acabe este clima de suspeição no futebol português». «Quem puser em causa o nome da Liga ou dos seus dirigentes e dos atletas será punido de uma forma muito severa», rematou, em declarações reproduzidas pela Agência Lusa." - Maisfutebol.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Engana todos o mais depressa que conseguires!

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União da Madeira ou Portimonense?

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Face à decisão da Liga de acatar a recomendação da FPF, e visto que os regulamentos são, à boa maneira portuguesa, pouco claros, há que decidir quem acompanha o Gil Vicente.

Resta saber qual o lobby mais forte que será capaz de condicionar a AG da Liga.

A escolha, no meu ponto de vista, seria o Portimonense.

O União desceu e o demérito não deveria ser recompensado.
Mas aposto que os clubes relacionados com o FCP não votarão Portimonense.
Veremos.

Esse dia em que Rui Vitória olhou para o céu e percebeu qual era a sua grande vitória

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Este foi, na verdade, um final de época fantástico, apoteótico mesmo. Acredite quem quiser, que apesar deste ter sido um título que na verdade não previ, e no qual convictamente não acreditei de inicio, a alegria sentida neste mês de Maio superou em larga escala a que senti há um ano atrás.

Há um ano na festa do BI, admito que foi a altura em que questionei tudo, dos porquês deste amor ao Benfica, desta dedicação, deste coração ao pé da boca. Foi o ano de uma festa mal planeada pela Direção no Marquês do Pombal, com muito pouca ou nenhuma espontaneidade, e que acabou à pedrada. Nos dias seguintes à festa, recordo-me bem, ninguém falava de títulos, ninguém falava do mérito dos jogadores ou da grandeza do clube, falava-se sim da noite de festa... que não houve...

E eu acho na verdade que é essa noite em fim de Maio que dá sentido a todo o amor clubístico que se manifesta ao longo do ano... No dia em que essa noite deixar de valer, no dia em que também essa noite começar a ser lembrada apenas pelos piores motivos, no dia em que essa noite deixar de ser uma noite de lágrimas de alegria para ser de remorso de quem se arrependeu de sair de casa, então, para mim pelo menos, todas as tricas da bola deixam de fazer sentido...

Este ano não. Este ano valeu! Este ano foi a vitória da mística, da crença, do esforço, da alma, da vitória épica sobre toda a lógica dos números... Tão saboroso como este, para mim só mesmo aquele outro título praticamente consumado em Alvalade com a noite mágica de João Pinto no 6-3 de Alvalade... Esse foi mágico, como mágicos são todos aqueles títulos em que, quando toda a gente nos julga mortos, renascemos das trevas com uma força só nossa, e lembramos a todos a matéria de que é feito este nosso grande clube...

Mas este título teve também um herói improvável, um herói de carne e osso... Sim, a vitória foi dos adeptos, foi em larga escala a vitória dos jogadores, foi também a vitória da Direção que com naturalidade colhe sempre os louros nestes momentos mas, esta foi a vitória de Rui Vitória acima de tudo...

Rui Vitória, um Patinho Feio para tantos desde o início, um treinador que começou muito mal em termos de resultados, um treinador que na verdade foi vítima, não da sua impopularidade, mas porque pagou em impopularidade o facto de tantos adeptos estarem na realidade contra a saída do ex-treinador, deu a volta por cima e foi o herói improvável...

E aqui frisei a seu tempo, que também aqui Jorge Jesus deu uma ajuda fundamental, no dia em que rebaixou um dos “nossos” ao patamar de lixo... Sim, nesse dia Rui Vitória passou a ser um dos Nossos na sua plenitude de direitos, mesmo daqueles que sempre haviam olhado para si com alguma (muita) desconfiança... Nesse dia também, Jorge Jesus conseguiu até virar os ainda muitos adeptos saudosos da sua presença contra si... Foi um dois em um fatal, um dois em um fundamental que virou o tabuleiro do jogo definitivamente a nosso favor!

Numa altura em que as fichas do jogo estavam claramente contra nós, Rui Vitória tornou-se no símbolo da luta e no elemento agregador que fez toda a gente sem exceção (mesmo os maiores críticos) remar para o mesmo lado... Num ano difícil, num ano de muitas contradições nos atos e no discurso e de muitas pontas soltas até mesmo dentro do clube, os adeptos deram as mãos e só queriam ver Rui Vitória saltar vitorioso como saltou naquela final contra o Nacional com os olhos muito perto das lágrimas... Foi a vitória da humanidade e da justiça, depois de tudo o que teve de passar... Estava escrito que tinha de ser ele o herói!

Não admira portanto que neste final de época, o denominador comum de todas as entrevistas dadas pelo nosso treinador, tenha sido o realce dado pelos entrevistadores à guerra verbal com o ex-treinador, a essa conferência de imprensa de Jorge Jesus, à união entre treinador, jogadores e massa adepta, e na verdade muito pouco aos méritos táticos de Rui Vitória.

E não admira também que a páginas tantas, e ao perceber a linha de análise de todas as abordagens ao que foi a corrente época, Rui Vitória tenha sentido a necessidade de se desmarcar um pouco dessa corrente ao dizer: “Calma lá que também não é só a dar as mãos e a fazer correntes que se ganham campeonatos.” O que Rui Vitória quis dizer foi, na verdade, calma lá que também há aqui muito trabalho de campo.

Este discurso do “Nós”, e do “Ganhamos juntos”, e do mérito dos “jogadores ao roupeiro” é muito bonito quando se ganha... Mas não é o fundamental e está bem longe de ser o mais importante nestas coisas da bola... Rui Vitória vai também descobrir mais cedo ou mais tarde, como tantos o descobriram antes dele e tantos hão-de descobrir depois, que quando o Benfica perde a culpa não se divide por todos como se divide nas vitórias... A solidariedade nestas tricas da bola faz-se de resultados, e quem anda nesta vida tem de encarar isso como natural e como sendo a única coisa que verdadeiramente interessa!

Rui Vitória mereceu como ninguém este final feliz e apoteótico que viveu, mereceu também esse sentimento de ter sido capaz de não se perder a si próprio nem ter sido engolido pela grandeza do clube  (por exemplo como Paulo Fonseca admite hoje que aconteceu consigo quando esteve no Porto), ter sido capaz de ganhar sem abdicar dos seus princípios éticos... Nesse dia em que já vitorioso olhou para o céu, deve ter percebido que foi essa a sua grande vitória...

Mas Rui Vitória teve também muitos meses para perceber o quanto interessou sempre à máquina de comunicação encarnada explorar e instrumentalizar sempre o seu lado mais humano para acentuar (e justificar) a clivagem com o ex-treinador...

Rui Vitória deve também ter percebido que foi sempre do ex de que se falou todas as semanas ao longo do ano e muito pouco de si...

E se Rui Vitória não percebeu, eu pelo menos percebi, a mudança do discurso dos Guerras desta vida a que as vitórias dão azo: no início era a fuga e a traição a razão da mudança, sustentada nesse processo em tribunal e a exigência de 14 milhões de euros ao ex-treinador, a proteção clara do Presidente admitindo sempre o cenário de desaire...

No final não, com a vitória à vista a máquina de comunicação encarnada virou a agulha para os méritos do Presidente, o seu conhecimento futebolístico, o seu sexto sentido para estas coisas da bola, que lhe permitiram alterar CONVICTAMENTE o paradigma e a linha de futebol do Benfica, de tomar mesmo medidas impopulares contra a opinião da maioria dos adeptos, sem prejuízo nenhum dos resultados desportivos da equipa...

Na verdade, aquilo que se percebe, é que este trajeto 2015/2016 foi bem mais o resultado das circunstâncias do que o resultado de qualquer brilhante planeamento vindo de cima mas...

Luís Filipe Vieira sai na realidade por cima disto tudo, num ano difícil para si com tudo para correr mal, e num ano que terá garantido a sua presença à frente dos destinos do clube pelo menos nos próximos 25 anos!

É isto criticar mais uma vez a gestão e a legitimidade de Luís Filipe Vieira à frente dos destinos do clube?! De maneira nenhuma. Este era o mandato dos resultados desportivos, era essa a bandeira eleitoral, LFV está a cumprir o que prometeu, e três títulos seguidos não podem ser fruto do acaso!

Mas na minha cabeça, esta terá sido sempre a época de Rui Vitória, e não me consigo lembrar de um único momento em que tenha sido a Direção a virar as contas da época a nosso favor!





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