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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A entrevista de Mário Figueiredo, Presidente da Liga

 ●  1 comentário  ● 

Confesso que apenas no carro ouço rádio. Uma das minhas preferidas é a TSF, que para mim será sempre TSF - Rádio Jornal.
E ontem ao final da tarde, apanhei sem querer, a entrevista do Presidente da Liga de Clubes, Mário Figueiredo, acabado de cumprir o seu primeiro aniversário no seu cargo, no programa "Entrelinhas" do jornalista João Ricardo Pateiro com o seu colega Mário Fernando.

E Mário Figueiredo, logo a responder à primeira questão colocada, assumiu que o seu grande objectivo neste seu mandato é abrir o mercado das transmissões televisivas, retirando o monopólio à Olivedesportos.
Diz o Presidente da Liga que na forma actual de como estão negociados os direitos televisivos ( DT ) dos jogos da Liga, os clubes são prejudicados financeiramente. Aliás o termo utilizado foi mesmo "asfixiados"

Na queixa apresentada pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional ( LPFP ) à Alta Autoridade da Concorrência ( AdC ), em relação ao monopólio da empresa de Joaquim Oliveira, a LPFP  crê que os actuais clubes da Liga podiam receber 100 a 200 milhões a mais, do que os actuais 60 milhões que recebem !!
Os números são justificados por análises de "várias empresas independentes" ao facto de os clubes estarem a viver sob um monopólio.

Esse monopólio é criado com contratos de longa duração, onde muitos deles terminam em 2018 ou mesmo 2019, com cláusulas de exclusividade, que por si só inibem o aparecimento de um concorrente, com o agravante de os contratos terminarem em anos diferentes, tornando ainda mais difícil para um possível concorrente entrar no "mercado" pois pouco interesse teria em comprar os direitos de apenas um clube, pois o interesse maior é comprar os jogos de um campeonato.
E a "cereja no topo do bolo é" a cláusula de preferência existente em todos os contratos, em favor da Olivedesportos, não dando assim qualquer hipótese à concorrência de entrar no negócio das transmissões televisivas e mantendo este mercado fechado.
Considera abusiva também a posição da Olivedesportos como parte interessada do lado dos clubes, como accionista no capital de SAD´s e parte interessada no lado do transmissor dos jogos como accionista da Sport TV.
Mário Figueiredo vai mais longe ainda ao considerar que os contratos em vigor são nulos, por impedir a concorrência !!

A asfixia de receitas dos clubes nos direitos televisivos, junta-se o facto de há mais de um ano, os clubes estarem proibidos de fazerem publicidade a empresas de apostas desportivas, quando 1/5 do Top 20 europeu dos clubes com maiores receitas, o fazem, por exemplo.
Na questão das apostas on line, existem por essa Europa fora, diferentes legislações, o que permiteria no entender de Mário Figueiredo, que o Ministro que tutela o desporto, já ter tido tempo suficiente para legislar esta matéria que na sua opinião ajudaria a trazer outra receita importante para os clubes portugueses.

Reparei que em toda a entrevista, Mário Figueiredo quando queria referir-se à Olivedesportos, dizia "o monopolista" ou "a empresa monopolista", com uma única excepção.

Falou do contrato com o monopolista sobre a Taça da Liga, ainda do caso único na Europa, que a Liga seja uma competição organizada pela Liga de Clubes, mas que está "fora" da órbita da LPFP, a marcação dos jogos e das suas horas, apontando o dedo ao contrato monopolista dos DT.
Continuou a guerra com Fernando Gomes, indirectamente acusando-o de ser um testa de ferro do monopolista e afirmando que Fernando Gomes entrou no FC Porto pela mão do monopolista.
Sobre o alargamento deu indicações que neste momento não é prioritário, apesar de acreditar que seria importante uma Liga com 18 clubes.
A relação institucional entre LPFP e FPF também foi tema, mas Mário Figueiredo acusou a FPF de tentar marginalizar a LPFP, como no caso do "Totonegócio", ao negociar dívidas de clubes profissionais, colocando a LPFP de lado e que a FPF só pagou porque perdeu todos os processos em tribunal e que poderia perder a Utilidade Pública.

Duas menções ao Benfica nesta entrevista. A primeira questionado se Vale e Azevedo tinha razão ao considerar que o contrato que o Benfica detinha era nulo, Mário Figueiredo declinou comentar por não estar na posse de todos os detalhes dessa situação.
E sobre a rejeição da proposta dos 22 milhões de euros por parte do Benfica, o Presidente da LPFP foi vago e não respondeu directamente à questão, mas ficou a ideia de que acredita na centralização dos direitos televisivos na Liga e que assim com concorrência e outros valores em cima da mesa é possível ter Benfica e os restantes clubes satisfeitos.
Os moldes da distribuição do dinheiros dos direitos podem ser baseados como em Inglaterra onde a diferença do 1ª classificado para o último são de 60%, ou como em Itália, onde o historial dos clubes, a sua base de apoio é o garante da maior fatia do "bolo", mas tudo será decidido pelos clubes em Assembleia.

Para ouvir toda a entrevista na íntegra, é só clicar aqui

1 comentários blogger

  1. Dá a impressão que Mário Figueiredo quer romper com os grilhões que dominam o futebol português, mas acho que também vai acabar por ser consumido pela "empresa monopolista".

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