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09 outubro 2020

Algumas notas sobre o relatório e contas da Benfica SAD

52 comentários

Já muito se escreveu sobre o relatório e contas da Benfica SAD referente ao exercício de 2019/2020. Vou aqui tentar não repetir o óbvio, que, por esse mesmo motivo, já foi diversas vezes referido por essa blogosfera fora … e não só. 

Este é um texto essencialmente técnico que incide sobre a temática do relato financeiro. Vou, contudo, tentar apresentá-lo de forma compreensível para todos os leitores (incluindo para o presidente do nosso Benfica). Vou ainda tentar não me alongar muito no texto, pois sei (em grande medida por experiência própria) que textos longos perdem interesse. 

Podemos fazer várias leituras do mais recente relatório e contas da Benfica SAD. A leitura que aqui partilho convosco incide sobre as verdades que não são ditas, mas que transparecem da informação financeira relatada… porque “the trouth is out there”. 

Começo pelo seguinte parágrafo que se encontra na mensagem do presidente na página 7 do relatório e contas da Benfica SAD. 

“Um caminho assente no respeito dos nossos compromissos, na credibilidade da nossa palavra ou na sustentabilidade do nosso negócio, tudo sinónimos de mais de uma década de desenvolvimento que conjuga o rigor, a paixão pelo futebol, a solidez financeira e a obtenção de resultados.” 

Sr. Presidente, está a gozar com os sócios e adeptos do Benfica? Tudo o que vou falar neste texto é mencionado neste parágrafo… mas ao contrário! 

1- Conjugação de solidez financeira com obtenção de resultados (presume-se que desportivos) 

A conjugação das 2 coisas pressupõe que essas 2 coisas se verificam em simultâneo. Ou seja, a solidez financeira (aqui medida pelos capitais próprios) evidencia uma tendência crescente e o desempenho desportivo (aqui medido pela posição no ranking da UEFA) também evidencia uma tendência positiva. Ora o gráfico seguinte não deixa dúvidas quanto à magnitude da inverdade subjacente a esta afirmação do presidente do Benfica.



De facto, o capital próprio da SAD tem vindo a aumentar consistentemente desde 2013, mas também tem aumentado a posição do Benfica no ranking da UEFA (e aqui o aumento é negativo). Ou seja, ao contrário do que o atual presidente e a atual liderança do clube e da SAD têm tentado transmitir, a consolidação financeira da SAD tem sido feita à custa do sucesso desportivo do Benfica onde verdadeiramente interessa e onde o Benfica se tornou grande: na Europa! O melhor desempenho do Benfica em termos de ranking da UEFA ocorreu precisamente quando a solidez financeira foi mais afetada. 

Senhor presidente, tenha a decência de assumir perante os sócios e adeptos do Benfica que não consegue conjugar a solidez financeira com o sucesso desportivo. Outros há que o conseguem fazer. Os sócios devem ter conhecimento disso e devem ter a possibilidade de dar a oportunidade aos que conseguem verdadeiramente conjugar o sucesso em ambas as vertentes... ou então, tenha a decência de assumir perante os sócios e adeptos do Benfica que, para si e para a atual liderança, o verdadeiro objetivo do futebol do Benfica não é o sucesso desportivo. 

2- Sustentabilidade do negócio 

Senhor presidente, aqui está mesmo a gozar connosco! Está a gozar tanto connosco, que isto já roça o sadismo. 

Desde quando é sustentável um modelo de negócio em que os rendimentos operacionais (de direitos de TV, comerciais e de bilhética e afins) representam 81% dos gastos operacionais (essencialmente custos fixos)? Então os rendimentos da venda dos nossos produtos/serviços não chegam para cobrir os custos fixos da atividade e isto é um modelo sustentável? … e estamos a olhar para números que beneficiam do forte contributo da Liga dos Campeões, algo que, infelizmente, não vai acontecer na presente época. 

Esperem… temos lucro! Isso é que interessa. O “bottom line” não mente! Afinal, parece que o negócio é sustentável. Mas como surgiu esse lucro? Esse lucro surgiu com a venda de passes de atletas, de onde resulta um contributo líquido de 125,7 milhões de euros para o resultado do exercício de 2019/2020. Então isso leva-nos a concluir que a sustentabilidade do modelo de negócio da SAD assenta na alienação dos seus melhores ativos. 

Mas que raio de gestão é esta? Isto é um hino à gestão de curto prazo e revela uma profunda miopia estratégica por parte do presidente do Benfica e da atual liderança. Está-se a sacrificar o desempenho futuro à custa de resultados imediatos. Um claro exercício de destruição do valor dos acionistas da SAD e, sobretudo, do potencial de sucesso desportivo do futebol do Benfica. 

Em primeiro lugar, todos sabemos que transações como a verificada no exercício de 2019/2020 (João Félix) não surgem todos os anos. Tivemos esta em 2019, houve mais algumas com ocorrência esporádica nos últimos anos … e não tivemos outra desta magnitude já na presente época, porque o nosso presidente não quis vender o passe do Vinicius por muitas dezenas de milhões de euros e, dessa forma garantir a competitividade desportiva do plantel … do Tottenham. 

Em segundo lugar, quando delapidamos o nosso plantel com a venda do passe dos principais atletas, estamos a comprometer o sucesso desportivo e, dessa forma, a pôr em causa uma importante fonte de rendimentos (as receitas da Liga dos Campeões), como aliás já percebemos este ano. Por outro lado, sem os principais atletas, a qualidade do futebol praticado diminui, o que afasta o interesse dos adeptos do futebol em geral com consequências nefastas ao nível de outra fonte de rendimentos muito importante: patrocínios. Aliás, o insucesso desportivo referido atrás não se faz sentir unicamente ao nível das receitas associadas à participação nas competições da UEFA. Como é referido no primeiro parágrafo da página 28 do relatório e contas, ficar aquém dos objetivos desportivos acordados com os patrocinadores também resulta em menores rendimentos associados a patrocínios. 

Em terceiro lugar, sem os principais atletas no plantel, com uma qualidade de jogo mais pobre e sem sucesso desportivo consentâneo com o que os sócios e adeptos do Benfica esperam e merecem, é de esperar menos público no estádio (quando tal for possível) e, consequentemente, também menos receitas de bilheteira e afins. 

Em quarto lugar, com a saída do plantel dos principais atletas e com o consequente insucesso desportivo associado, a visibilidade da equipa e de outros atletas com potencial existentes no plantel diminui substancialmente, o que prejudica a própria fonte da alegada sustentabilidade do negócio: a venda de passes de atletas. Uma incoerência do próprio modelo de negócio subjacente à tão propalada consolidação financeira e desportiva… já de si cheia de incoerências. 

Uma última nota sobre a sustentabilidade do negócio. Muito mais havia a dizer sobre as verdades escondidas no relatório e contas relacionadas com este tópico, mas, para não me alongar em demasia, quero apenas fazer referência à variação observada na rubrica de gastos com o pessoal. De acordo com a demonstração dos resultados, esta rubrica diminuiu de 88,3 milhões de euros no exercício de 2018/2019 para 85,6 milhões de euros no exercício de 2019/2020. Finalmente, boas notícias … ou não! 

Vamos então perceber um pouco melhor o que se passa nesta rubrica e, para isso, vamos fazer uma breve incursão pela nota 19 (página 132 do relatório e contas). De acordo com a informação que se encontra nesta nota, afinal os salários até subiram (remunerações fixas). Houve um aumento de 13% na folha salarial da SAD (sendo que o número de atletas sob contrato até baixou significativamente). Ou seja, continuamos a engordar a estrutura e a cavalgar nesse aumento inexorável dos salários que se paga sem que isso se traduza em sucesso desportivo… mais uma ode à brilhante gestão do futebol do Benfica! 

Mas se a folha salarial aumentou, porque motivo diminuíram os gastos com o pessoal? Essa diminuição deve-se essencialmente à redução nas remunerações variáveis. Uma redução de 9,5 milhões de euros que se percebe pelo facto de o futebol do Benfica ter falhado em toda a linha na época desportiva de 2019/2020. O que não se percebe muito bem é como ainda assim foram incorridos gastos com remunerações variáveis no montante de 7,3 milhões de euros. Certamente tem a ver com a conquista da supertaça ou com o brilhante segundo lugar alcançado na fortíssima liga portuguesa. Fomos os primeiros de entre todos os perdedores… É, mais uma vez, a apologia da mediocridade. É a falta de cultura de vitória que crassa no nosso clube e uma imagem pálida do Benfica que os nossos pais e avós deixaram e que, pelas vicissitudes da vida, acabou nas mãos desta liderança que não sente e não respeita a gloriosa herança do Benfica. 

3- Rigor 

Estou a ficar sem adjetivos para a vocação que o nosso presidente demonstra ter para essa tão nobre arte de “zombar” com os outros (neste caso sócios e adeptos do Benfica). Vamos ver alguns exemplos desse rigor (ou da falta dele) ao nível do relato financeiro da Benfica SAD. 

Primeiro exemplo: No exercício de 2019/2020 a rubrica de gastos com fornecimentos e serviços externos ascendeu a 72,7 milhões de euros. Excede claramente o total agregado das receitas de bilheteira e com atividades comerciais. A composição desta rubrica é apresentada na nota 18, onde podemos constatar que os trabalhos especializados ascendem a 11,4 milhões de euros. Mas a que respeitam estes trabalhos especializados? A administração da SAD responde da seguinte forma na página 131 do relatório em contas: 

A rubrica de trabalhos especializados inclui diversos fornecimentos e serviços prestados por terceiros, sendo de destacar os gastos com consultores e de assistência técnica. 

Ficaram elucidados? Eu também não. Um esclarecimento lacónico que revela uma grande parcimónia nas palavras. Afinal, há que poupar em alguma coisa… 

Na mesma nota e em relação à mesma rubrica, constata-se que os outros fornecimentos e serviços ascendem a 7,9 milhões de euros. “Outros” devia corresponder a um montante residual no contexto da rubrica em causa, mas não. É simplesmente o terceiro componente com mais peso nesta rubrica e sobre o mesmo nada é dito. Vê-se um claro aperfeiçoamento na arte de poupar em explicações sobre temas “complicados”. 

Em suma, nada é dito sobre o que representam 19,3 milhões de euros de gastos com fornecimentos e serviços externos. Não sou eu que estou a ser demasiado exigente com as explicações que a administração devia dar no relatório e contas. São as normas internacionais de relato financeiro que especificamente o exigem (alínea c) do parágrafo 112 da IAS 1). Normas estas que a administração da SAD diz, no primeiro parágrafo da nota 2.2 (página 95 do relatório e contas), ter seguido. Ninguém explica, assim, como foi gasto este dinheiro, o qual daria, por exemplo, para pagar o salário ao Cavani durante 2 épocas. 

Segundo exemplo: Na página 40 do relatório e contas é dito que a dívida líquida (empréstimos bancários acrescidos dos empréstimos obrigacionistas e deduzidos de caixa e equivalentes) diminuiu quase 30%. Parece ser um bom indicador. Mas como se explica o aumento dos gastos financeiros de 15,6 milhões de euros para 16,8 milhões? Não era suposto pagarmos menos juros quando diminui a dívida remunerada? Este aparente paradoxo não é explicado no relatório e contas. Aliás, na página 126 do relatório e contas é referido que a taxa de juro média dos empréstimos no exercício de 2019/2020 foi 3,86%. Como se chega e esta taxa e como se relaciona a mesma com os gastos financeiros indicados na demonstração dos resultados? Ficamos sem resposta para estas dúvidas legítimas. Mais, esta divulgação da taxa média de juro está incompleta, pois devia incluir o comparativo do ano anterior, conforme requerido pelo parágrafo 38 da IAS 1 que a administração afirma ter adotado da preparação das demonstrações financeiras. 

Este aumento dos gastos financeiros pode ter várias explicações. Há, contudo, pelo menos uma que me preocupa bastante. Tem a ver com o desconto das receitas da Nós. Em primeiro lugar, este desconto das receitas futuras da Nós é um empréstimo obtido (garantido com os créditos sobre a Nós). Como tal, devia, por respeito ao dever de transparência que a administração da SAD tem (para com os sócios, adeptos, investidores, regulador, …) e atendendo à caraterística qualitativa da informação financeira útil da representação fidedigna, prevista na estrutura concetual das normas internacionais de relato financeiro que a administração diz adotar, ter sido apresentado como um empréstimo obtido e não na rubrica de outros passivos. “Outros” tem sempre uma conotação de menor importância e, para além disso, esta classificação faz com que este financiamento obtido não seja sujeito aos requisitos de informação que se aplicam à rubrica de empréstimos obtidos. Não é, assim, dada qualquer informação sobre as condições deste financiamento, incluindo sobre taxa de juro do mesmo. Não é, desta forma, possível confirmar se este financiamento tem associada uma taxa de juro tão elevada, que tenha contribuído de forma decisiva para o aumento observado nos gastos financeiros. 

Terceiro exemplo: Na página 147 do relatório e contas é feita referência aos processos judiciais que envolvem a SAD e os seus representantes. Mais uma vez, a arte da parcimónia nas explicações no seu melhor! Explicações lacónicas sobre os processos judiciais que envolvem a SAD, que não permitem perceber, entre outros, qual a verdadeira natureza dos mesmos e quais os efeitos financeiros associados, divulgação requerida pelo parágrafo 86 da IAS 37 (norma que a administração diz ter adotado). Este é um assunto sempre delicado, mas os sócios, adeptos e interessados em geral têm o direito de saber quais as consequências financeiras e desportivas que a SAD enfrenta decorrentes destes processos… mas neste particular, o tão propalado rigor não dá para mais. 

Quarto exemplo: No último parágrafo da página 97 do relatório e contas (nota 2.4) é referido que os prémios de assinatura pagos aos jogadores são considerados como parte integrante do custo de aquisição do correspondente passe, o qual é classificado como um ativo intangível a amortizar durante o período do contrato. Ora, este tratamento não se afigura como estando correto, uma vez que o pagamento é efetuado ao atleta. Uma vez que o atleta tem um vínculo laboral com a SAD, tais pagamentos devem ser classificados como gastos com o pessoal (são em substância salários). Este entendimento é preconizado também na página 6 da publicação da PwC “Accounting for Typical Transactions in the Football Industry”, de outubro de 2018. Curiosamente, a PwC é quem audita as demonstrações financeiras da SAD. Alguém anda distraído… 

Quinto exemplo: No primeiro parágrafo da página 104 do relatório e contas é referido o seguinte: “o rédito corresponde ao justo valor do montante recebido ou a receber relativo a serviços prestados”. Na página anterior é ainda referido que o rédito é reconhecido de acordo com as disposições da norma IFRS 15. Ora, de acordo com o parágrafo 46 desta norma, o rédito corresponde ao preço da transação, o qual consiste na contrapartida a que a entidade tem direito ao transferir o controlo sobre os bens ou serviços para o cliente (parágrafo 47 da mesma norma). Ou seja, a base de medição do rédito (componente tão importante do desempenho) referida pela administração no relatório e contas não está de acordo com a norma que a mesma administração diz ter aplicado. Mais um exemplo do rigor a que a atual liderança do Benfica nos tem habituado. 

Existem mais verdades “ocultas” no relatório e contas da Benfica SAD que ficam para uma próxima ocasião. Urge debater o tema da qualidade do relato financeiro, uma vez que a grandeza de uma instituição também se mede pela transparência da sua comunicação, muito em particular do seu relato financeiro… e a transparência é um dos pilares em que se alicerça o nosso sonho de transformarmos o BENFICA NO MAIOR E MELHOR CLUBE DO MUNDO. 

31 agosto 2020

Eleições do Sport Lisboa e Benfica: Quem afinal tem ideias e quem tem... as dos outros?

68 comentários

Começo este texto afirmando que os meus 50 votos ainda não estão entregues a ninguém.

Por razões morais e de respeito pelo nosso clube e pela sua história, nunca votei nem votarei Luis Filipe Vieira.

Na pior das hipóteses terei que assumir uma "espécie de voto útil" no candidato que, em Outubro, depois de ler todos os programas, ver todos os debates e observar todas as listas, me pareça ser o que defenderá melhor os interesses e o futuro do Sport Lisboa e Benfica.

Dito isto, estou muito atento a todas as candidaturas e ao que andam a fazer.

Luis Filipe Vieira:

A sua preocupação é arrebanhar os situacionistas, os que têm ganho dinheiro consigo no Benfica e arranjar os "Cavanis" da vida para vencer as eleições. Luis Filipe Vieira não tem nada de novo a apresentar ou a dar aos benfiquistas. A sua propaganda também já não resulta.

As ameaças aos sócios nas Casas do Benfica são disso evidência, para quem as desconhecia.

Cheira a fim de regime, felizmente para o Benfica.

Servir o Benfica:

Um movimento muito interessante pela espécie de romantismo que encerra na sua génese, bem como a forma limpa como apresentam as suas ideias e pelo espírito de grupo que se tem observado nas deslocações que já fizeram.

O seu programa é também ele interessante, com muitos pontos em comum com o outro programa que já se conhece. Levantam a questão do número de votos dos sócios bem como a limitação de mandatos. Têm demonstrado preocupação com o voto electrónico, defendendo o voto físico como a opção mais transparente. Quando analisar o programa completo, esmiuçarei mais em pormenor.

Fico com a ideia de que não irão a votos mas que procuram ser uma espécie de charneira para a luta pela democracia no Benfica.

Se estiver a ser injusto na avaliação, não levem a mal, pessoal do Movimento! Estou a gostar muito da vossa postura.

Rui Gomes da Silva:

Tem sido, para mim, a maior surpresa da campanha até agora.

Digo isto porque todos lembramos o Rui Gomes da Silva com cara de mau dos debates, do Dia Seguinte, sempre impiedoso na defesa dos seus pontos de vista. É positivo termos convicções, mas não o é quando o fazemos de forma tão incisiva que não damos espaço aos outros para contraditar.

Mas o Rui Gomes da Silva que se tem visto é um tipo acessível, no Twitter e no Facebook. Nas entrevistas ao Jornal I e ao jornal A Bola, lemos muitas ideias novas que desconhecíamos que preocupassem Rui Gomes da Silva. A sua campanha até agora pela positiva, sem problemas em até fazer referências aos concorrentes, o que também não esperava.

A carta ao Presidente da MAG, que despoletou também iniciativas idênticas das outras listas, foi muito positiva.

A comunicação com os sócios através de videos semanais que respondem a questões dos mesmos tem também revelado uma abertura que não se esperava da parte de Rui Gomes da Silva.

Impressionou-me ter sido o primeiro a lançar um programa completo, abrangente e que toca em quase todos os pontos que afectam o clube e a SAD.

Discordo da questão dos votos corresponderem a 1 voto por cada ano de associado, mas isso é uma questão de opinião.

Positivo a importância de colocar o futebol feminino na SAD, bem como a promoção de algumas modalidades a projecto europeu. Mas assim como com o Movimento Servir o Benfica, reservo-me para um post de análise mais profunda ao programa.

João Noronha Lopes:

Tem sido a maior desilusão da campanha, ao contrário de Rui Gomes da Silva.

Fiquei entusiasmado quando o seu nome foi avançado na imprensa, e quando depois o vi lançar a sua candidatura no CCB. Um gestor com uma imagem que não está ligada a processos judiciais ou a confusões com a justiça é algo sempre de apreciar hoje em dia.

Mas o passar do tempo tem sido mau para Noronha Lopes. Aquele entusiasmo inicial foi substituído por uma desilusão cada vez maior com o vazio de ideias e com os tiros nos pés dados pela própria candidatura.

Primeiro, as críticas ferozes da candidatura e dos seus apoiantes aos novos equipamentos e ao emblema. Isto quando na apresentação da mesma tinham um símbolo monocromático.

Segundo, a trapalhada que foi a apresentação de apoiantes ex-atletas do clube. Apresentam quatro mas afinal eram só dois, pois os outros desmentiram. Na minha terra, uma mentira só tem um nome e não é trapalhada.

Terceiro, as entrevistas aos jornais A Bola e Record. Iguais, sem nada que as distinga e com a particularidade de ler ali as ideias que Rui Gomes da Silva vem defendendo por meses.

Quarto, a dificuldade que Noronha Lopes tem em falar de Domingos Soares de Oliveira. Não augura nada de bom.

Quinto, a cópia que ontem começou a fazer dos vídeos semanais de Rui Gomes da Silva, com a agravante de, assim como Vieira, precisar de ler papéis para comunicar com os sócios.

Uma dica, João Noronha Lopes: o presidente da Assembleia Geral é o verdadeiro provedor dos sócios. É na Assembleia Geral que os sócios precisam de ser protegidos de quem lhes quer apertar o pescoço ou os quer silenciar. Para resolver problemas administrativos, já existe o departamento de sócios.

Sexto, anunciou ao final da tarde de dia 27 de Agosto que também tinha questionado o presidente da MAG sobre as questões da votação, quando afinal só mandou a carta hoje, datada de hoje. Mais uma vez, reagiu e imitou mais uma iniciativa de Rui Gomes da Silva.

Sétimo, até na apresentação de apoiantes anónimos imitou os apoios anónimos de Bruno Costa Carvalho. 

É preocupante que esta candidatura, que tinha tudo para ser um excelente pólo agregador, esteja a seguir um caminho errado. Sem ideias próprias, preocupada em apresentar personalidades como se o Benfica alguma vez tivesse sido construído por notáveis ou vedetas, e com um candidato frágil. 

Dá ideia de que João Noronha Lopes não segue uma agenda e ideias próprias, mas sim é uma espécie de eco dos mentores da candidatura. É pena. 

Em resumo:

Teremos umas eleições certamente interessantes, capazes de mobilizar os benfiquistas.

Considero fundamental a questão do voto electrónico e a questão dos debates.

Será inconcebível não ter do mesmo lado as 3 candidaturas.

Até Outubro teremos muito que analisar e decisões para tomar.

10 julho 2020

Os 6 anos de JJ e os 5 anos pós-JJ

80 comentários

Uma análise dos jogos oficiais disputados entre 15 de agosto de 2009 e 6 de junho de 2020.

Durante os 6 anos de Jorge Jesus (ou “JJ”) foram disputados 321 jogos oficiais (uma média de 53,5 jogos por época), dos quais resultaram 225 vitórias, 51 empates e 45 derrotas[1] para o Benfica. O Benfica (SLB) marcou neste período 673 golos (2,1 por jogo) e sofreu 250 golos (0,8 por jogo).

No período pós-JJ foram disputados 261 jogos oficiais (uma média de 52,2 jogos por época[2]), dos quais resultaram 176 vitórias, 41 empates e 44 derrotas para o Benfica. O Benfica (SLB) marcou neste período 573 golos (2,2 por jogo) e sofreu 242 golos (0,9 por jogo).


[1] Para este efeito, foi considerado um empate nos jogos decididos através da marcação de grandes penalidades. Foram 4 jogos decididos desta forma, com 2 vitórias e 2 derrotas do SLB.
[2] Ainda faltam disputar 5 jogos na época de 2019/2020, o que dará uma média de 53,2 jogos por época no período pós-JJ.


GM
GS
GM-GS
Jogos
V
E
D
% Vit
% Vit Aj
Qop
JJ
673
250
423
321
225
51
45
82%
78%
0,28
Pós-JJ
573
242
331
261
176
41
44
55%
75%
0,28
O indicador “% Vit Aj“ (percentagem ajustada de vitórias) considera que um empate equivale a meia vitória e a meia derrota.
“Qop” corresponde à probabilidade média de o adversário do SLB vencer o jogo; esta probabilidade foi obtida a partir das fixed odds publicadas pela Betexplorer e considera igualmente que os empates equivalem a meia vitória e a meia derrota. Significa que as 11 épocas em análise, o Benfica teve uma probabilidade média de vitória nos jogos disputados de, aproximadamente, 72%.

No período em que o Benfica foi treinado por JJ, a percentagem ajustada de vitórias (78%) foi ligeiramente superior à correspondente percentagem observada no período pós-JJ (75%). Esta diferença não é estatisticamente significativa. Esta análise não pondera a qualidade dos planteis nos dois períodos, sendo que é razoável considerar que durante o período em que o Benfica foi treinado por JJ os plantéis teriam, em média mais qualidade.
A qualidade média do oponente, medida a partir das fixed odds atrás referidas, foi equivalente nos dois períodos em análise.
Estes resultados são de seguida analisados de acordo com 4 dimensões distintas: local onde os jogos foram disputados; competição; período do ano em que os jogos foram disputados; condição de favorito.

a         a) Local
JJ
GM
GS
GM-GS
Jogos
V
E
D
% Vit
% Vit Aj
Qop
Casa
388
104
284
155
127
18
10
82%
88%
0,22
Fora
272
136
136
155
92
31
32
59%
69%
0,34
Neutro
13
10
3
11
6
2
3
55%
64%
0,36
Total
673
250
423
321
225
51
45
82%
78%
0,28











Pós-JJ
GM
GS
GM-GS
Jogos
V
E
D
% Vit
% Vit Aj
Qop
Casa
322
105
217
125
91
19
15
73%
80%
0,22
Fora
230
126
104
128
80
22
26
63%
71%
0,33
Neutro
21
11
10
8
5
0
3
63%
63%
0,31
Total
573
242
331
261
176
41
44
55%
75%
0,28

JJ
GM/jogo
GS/jogo
GM-GS
Casa
2,50
0,67
1,83
Fora
1,75
0,88
0,88
Neutro
1,18
0,91
0,27
Total
2,10
0,78
1,32




Pós-JJ
GM/jogo
GS/jogo
GM-GS
Casa
2,58
0,84
1,74
Fora
1,80
0,98
0,81
Neutro
2,63
1,38
1,25
Total
2,20
0,93
1,27
Durante o “período JJ”, o Benfica foi mais dominador a jogar em casa do que no “período pós-JJ”, tendo a qualidade média do oponente sido equivalente nos dois períodos.

A jogar fora, o Benfica do “período pós-JJ” foi ligeiramente mais bem-sucedido. Mais uma vez, a qualidade média do oponente entre os dois períodos não diferiu significativamente.

O melhor desempenho observado, ao nível da diferença de golos, nos jogos disputados em campo neutro no “período pós-JJ” é essencialmente justificado pelas goleadas obtidas em jogos da supertaça.


a          b) Competição
JJ
GM
GS
GM-GS
Jogos
V
E
D
% Vit
% Vit Aj
Qop
CN
426
132
294
184
139
27
18
76%
83%
0,24
LC
43
45
-2
38
14
10
14
37%
50%
0,44
LE
73
34
39
40
26
8
6
65%
75%
0,39
ST
0
2
-2
2
0
1
1
0%
25%
0,35
TL
61
17
44
29
25
4
0
86%
93%
0,28
TP
70
20
50
28
21
1
6
75%
77%
0,24
Total
673
250
423
321
225
51
45
79%
78%
0,28











Pós-JJ
GM
GS
GM-GS
Jogos
V
E
D
% Vit
% Vit Aj
Qop
CN
405
117
288
166
128
21
17
77%
83%
0,22
LC
50
65
-15
40
14
8
18
35%
45%
0,52
LE
13
14
-1
8
2
3
3
25%
44%
0,45
ST
11
2
9
4
3
0
1
75%
75%
0,35
TL
38
20
18
19
10
7
2
53%
71%
0,23
TP
56
24
32
24
19
2
3
79%
83%
0,20
Total
573
242
331
261
176
41
44
55%
75%
0,28
CN – Liga Portuguesa; LC – Liga dos Campeões da UEFA; LE – Liga Europa; ST – Supertaça; TL – Taça da Liga; TP – Taça de Portugal

JJ
GM/jogo
GS/jogo
GM-GS/jogo
CN
2,32
0,72
1,60
LC
1,13
1,18
-0,05
LE
1,83
0,85
0,98
ST
0,00
1,00
-1,00
TL
2,10
0,59
1,52
TP
2,50
0,71
1,79
Total
2,10
0,78
1,32




Pós-JJ
GM/jogo
GS/jogo
GM-GS/jogo
CN
2,44
0,70
1,73
LC
1,25
1,63
-0,38
LE
1,63
1,75
-0,13
ST
2,75
0,50
2,25
TL
2,00
1,05
0,95
TP
2,33
1,00
1,33
Total
2,20
0,93
1,27

A análise comparativa dos dois períodos é resumida na seguinte tabela:
Análise
Relevância estatística
Notas
CN
Desempenho semelhante nos dois períodos
Não

LC
Desempenho superior no “período JJ”
Não
Mais jogos no “período pós-JJ”
LE
Desempenho superior no “período JJ”
Sim
Poucos jogos no “período pós-JJ”
ST
Desempenho superior no “período pós-JJ”
Não

TL
Desempenho superior no “período JJ”
Sim

TP
Desempenho superior no “período pós-JJ”
Não



a         c) Período do ano
JJ
GM
GS
GM-GS
Jogos
V
E
D
% Vit
% Vit Aj
Qop
Jul-Nov
222
98
124
113
73
19
21
65%
73%
0,29
Dez-Fev
252
57
195
108
88
14
6
81%
88%
0,25
Mar-Mai
199
95
104
100
64
18
18
64%
73%
0,31
Total
673
250
423
321
225
51
45
70%
78%
0,28











Pós-JJ
GM
GS
GM-GS
Jogos
V
E
D
% Vit
% Vit Aj
Qop
Jul-Nov
207
97
110
102
65
15
22
64%
71%
0,30
Dez-Fev
232
83
149
97
71
13
13
73%
80%
0,26
Mar-Jun
134
62
72
62
40
13
9
65%
75%
0,27
Total
573
242
331
261
176
41
44
67%
75%
0,28
A repartição da época desportiva em 3 períodos está em linha com o post feito neste blog: http://cabelodoaimar.blogspot.pt/2014/01/as-epocas-de-jesus.html

JJ
GM/jogo
GS/jogo
GM-GS
Jul-Nov
1,96
0,87
1,10
Dez-Fev
2,33
0,53
1,81
Mar-Mai
1,99
0,95
1,04
Total
2,10
0,78
1,32




Pós-JJ
GM/jogo
GS/jogo
GM-GS
Jul-Nov
2,03
0,95
1,08
Dez-Fev
2,39
0,86
1,54
Mar-Mai
2,16
1,00
1,16
Total
2,20
0,93
1,27
A principal diferença entre o desempenho do Benfica no “período JJ” e no “período pós-JJ” verifica-se nos meses de Inverno. 

Nos jogos disputados nos meses de dezembro a fevereiro, o Benfica apresenta um desempenho superior no “período JJ”. 

Esta diferença tem alguma relevância estatística e manifesta-se num período em que, tradicionalmente, o calendário competitivo em Portugal era muito preenchido no “período JJ”. Coincide também com os meses em que não há competições da UEFA.

             d) Condição de favorito
JJ
GM
GS
GM-GS
Jogos
V
E
D
% Vit
% Vit Aj
Fav
639
197
442
286
216
42
28
76%
83%
Nfav
34
53
-19
35
9
9
17
26%
39%
Total
673
250
423
321
225
51
45
0%
78%










Pós-JJ
GM
GS
GM-GS
Jogos
V
E
D
% Vit
% Vit Aj
Fav
540
181
359
226
169
34
23
75%
82%
Nfav
33
61
-28
35
7
7
21
20%
30%
Total
573
242
331
261
176
41
44
55%
75%
Para este efeito, o Benfica é favorito sempre que a probabilidade de vitória do oponente obtida a partir das fixed odds (Qop).
Fav – jogos em que o SLB tem uma probabilidade de vencer superior a 50%.
Nfav – jogos em que o SLB tem uma probabilidade de vencer inferior ou igual a 50%.

JJ
GM/jogo
GS/jogo
GM-GS
Fav
2,23
0,69
1,55
Nfav
0,97
1,51
-0,54
Total
2,10
0,78
1,32




Pós-JJ
GM/jogo
GS/jogo
GM-GS
Fav
2,39
0,80
1,59
Nfav
0,94
1,74
-0,80
Total
2,20
0,93
1,27

A principal conclusão a tirar é a de que o Benfica no “período JJ” foi mais forte com os fortes do que no “período pós-JJ”. Esta diferença, contudo, não é estatisticamente significativa.

A qualidade media dos oponentes no “período pós-JJ” foi ligeiramente superior.

CONCLUSÃO

De uma forma geral, o desempenho do Benfica no “período JJ” não difere de forma relevante do desempenho no “período pós-JJ”. Os indicadores são ligeiramente superiores no “período JJ”, porém esta diferença não é estatisticamente significativa.

Há ainda que ter em conta que o Benfica no “período JJ” contou com plantéis com uma qualidade média superior à dos plantéis no “período pós-JJ”. Este aspeto não foi quantificado e, consequentemente, tido em consideração nesta análise.

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