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27 fevereiro 2019

Bruno Lage: mostre exemplos aos miúdos do que é ser SL Benfica. Sem receio de nada ou ninguém!

64 comentários

28 de Abril de 1991, Estádio das Antas.

Coloco aqui o relato do "MaisFutebol" de alguns dos acontecimentos desse jogo:

"1991. O futebol mergulhara numa guerra de palavras que das Antas a Lisboa deixava a recta final da luta pelo título a ferver em polémica, ataques pessoais e denúncias não confirmadas. Jogos de bastidores, pistolas, metralhadoras, guarda-costas. 

Tudo fazia parte da violenta discussão que embrulhava o futebol em ondas de choque e maledicência. Eram tempos de cólera. De tal forma que em Janeiro Pinto da Costa suspende Geraldão, o central dos livres decisivos, por suspeitar que o jogador brasileiro tinha um contrato promessa com o Benfica. O F.C. Porto entra numa espiral de maus resultados tal que em Abril, por altura do clássico com o Benfica nas Antas, só a vitória lhe interessava para recuperar a liderança.

Faltavam duas jornadas para o final do campeonato. A época não podia desejar mais polémica que essa. Um F.C. Porto-Benfica para decidir o campeão no ano de todas as provocações. Um clássico iniciado claro fora de campo, nos ataques pessoais e nas denúncias de corrupção. Dias antes o F.C. Porto tinha eliminado o Benfica da Taça de Portugal e Erickson acusara o adversário de molhar o relvado em benefício próprio. Respondeu Octávio Machado que «o Benfica já não precisa de se preocupar com a água». «Contratamos uma empresa de aspiradores para sugar a relva e, com um pouco de sorte, ainda pedimos emprestado o tapete vermelho de veludo por onde costuma passar o Papa. Nós é que temos de nos preocupar com o árbitro», dizia.

A preocupação com o árbitro não era apenas uma insinuação. Era uma acusação. Os dirigentes portistas insistiam que Carlos Valente tinha jantado no dia anterior com a direcção encarnada. O clima em torno do jogo do tudo ou nada era tal que João Santos nem foi ao estádio das Antas. Preferiu ficar no hotel e acompanhar o jogo pela rádio. Dentro do campo o Benfica foi melhor e ganhou. Naquele que foi o clássico de César Brito. «Esse jogo marcou-me para toda a vida. Fazer o que fiz numa partida que decidiu o título é inesquecível para qualquer jogador», diz o antigo avançado. «Os deuses deviam estar comigo nessa tarde».

Dois golos em dois toques na bola

Deviam estar. O jogo, esse, terminou com a vitória do Benfica por 2-0. «Entrei faltavam dez minutos para o final da partida e marquei dos golos em duas vezes que toquei na bola». César Brito lembra-se como se fosse hoje. «O primeiro é na sequência de uma jogada do Vítor Paneira pela direita, vai à linha, centra e eu cabeceio ao segundo poste. O segundo começa numa excelente abertura do Valdo, eu ganho em corrida à defesa do F.C. Porto e faço um chapéu ao Vítor Baía», conta. «Que saudades!». César Brito lembra-se também da rábula da criolina. «Quando chegámos aos balneários nem se podia lá entrar. Estava um cheiro impossível de um gás qualquer que tinham espalhado. Fomos obrigados a equiparmo-nos nos corredores». Tudo isso porém são memórias bem mais vãs. «No final ganhámos e as polémicas passaram para segundo plano».

Polémicas que de resto não ficaram por aí. Logo no final do jogo Pinto da Costa libertou toda a cólera em cima do árbitro da partida. «Carlos Valente teve um comportamento provocador, chegando a insultar o banco do F.C. Porto», acusa. O Benfica respondeu com uma queixa no Ministério da Administração Interna, acusando os dirigentes portistas de terem agredido e insultado Jorge de Brito e outros directores do Benfica, que inclusivamente teriam até sido obrigados a fugir do estádio das Antas escondidos numa ambulância. Eram os desmandos da época quente 90/91 que terminou com o triunfo encarnado." - MaisFutebol.

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Os protagonistas que criaram aquele ambiente de guerra em 1991 são os mesmos de hoje.
Pinto da Costa ou Reinaldo Teles continuam a lá estar. 

Os mais novos não conhecerão este episódio ou acharão que foi coisa pouca. Leiam tudo!


O presidente do SL Benfica, João Santos, talvez o último presidente que afrontou o FC Porto e os seus poderes instalados no futebol português sem qualquer receio, foi aconselhado pela polícia a ficar no hotel pois tinha sofrido inúmeras ameaças de morte, inclusive do guarda Abel(capanga), e que seriam para levar muito a sério. Mas mesmo essas ameaças não o calaram.

Contava o então vice-presidente do SL Benfica, Gaspar Ramos:

"Mas em todos os incidentes nunca se viram dirigentes misturados na confusão. Recorda-se da ameça do guarda Abel a João Santos? – Foi na tomada de posse do Salgueiros. O guarda Abel apareceu e disse que ia matá-lo ao hotel onde ele estava hospedado (creio que João Santos estava no Hotel Batalha). O episódio foi de tal maneira feio que o presidente do Salgueiros mandou o ‘chauffer’ trazer João Santos a Lisboa logo nessa noite, evitando assim a estadia no hotel."

O responsável para o nosso futebol de então relatou em pormenor várias situações desse dia.

Sobre o guarda Abel:
"Chegou a estar cara a cara com ele? – Cheguei. E posso dizer que nunca tinha visto uns olhos com tanto ódio. Se pudessem disparar balas, aqueles olhos matavam. 

A intimidação resultou? – Não, medo nunca senti, mas era revoltante e muito perturbador. Quando recebia os telefonemas ameaçadores, nos quais prometiam fazer-me isto e aquilo, respondia sempre com dureza. Enquanto fui director do SLB nunca deixei, por medo ou intimidação, de denunciar tudo o que fosse contra o Benfica, em particular, e o futebol, em geral."

"Recorda-se desse jogo que o Benfica venceu, com dois golos de César Brito? – Como se fosse hoje. A pressão começou antes do jogo. O FC Porto dizia que o árbitro do encontro, Carlos Valente, tinha viajado com a equipa do Benfica no mesmo comboio, o que era falso. 

No dia do jogo, os jogadores foram obrigados a equipar-se no corredor porque colocaram um produto tóxico nos balneários. O nosso fotógrafo tirou fotografias, mas, por precaução, entregou-nos o rolo. E fez bem, porque quando saiu tiraram-lhe a máquina. Acabámos por entregar o rolo à comunicação social. Mas quem lhe tirou a máquina? – O guarda Abel e o grupo que comandava e que andava por todo o lado, inclusivamente nos túneis de acesso ao relvado.

"Chegaram a sentir necessidade de medidas especiais de segurança? – Não. Os incidentes nas Antas tinham sido um escândalo, fora demonstrada a existência de uma guarda pretoriana dentro do FC Porto e alguns dirigentes do clube sentiam-se incomodados. José Guilherme Aguiar, que era vice-presidente do FC Porto, chegou a dizer-mo. 

Sobretudo, porque, no fim do jogo, Jorge de Brito e Fezas Vital foram agredidos quandos se dirigiam à cabina e tiveram que se refugiar numa ambulância da Cruz Vermelha, ambulância essa que eles tentaram virar. Os dois dirigentes sofreram escoriações e, sobretudo, um enorme susto."
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Leiam este relato e expliquem-me como é que se pode olhar para o FC Porto de Pinto de Costa e Reinaldo Teles sem sentir nojo. 

Sem sentir um desprezo enorme por quem nunca prezou o fair-play, regras ou respeito pelo adversário.

Sem sentir uma vontade enorme de ir aquele antro e mostrar como vencer sem precisar de jeitinhos dos defesas adversários ou dos árbitros.


Ganhar limpo e com classe, como a equipa de 1991.

Bruno Lage diz que todos contam. Em 1991, aos 79 minutos César Brito estava no banco. Aos 85 minutos já tinha colocado 2 batatas lá dentro.

Os nossos que sábado entrarem ali que tenham em mente que mesmo ameaças de morte, gás tóxico e agressões não chegaram para intimidar o Sport Lisboa e Benfica de 1991.

Entrem com orgulho de vestir o Manto Sagrado e joguem por nós. Joguem por vocês. 

JOGUEM PELO SPORT LISBOA E BENFICA!


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