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segunda-feira, 6 de maio de 2013

Benfica e Jesus - A simbiose perfeita

 ●  4 comentários  ● 

Esta época além de estar a ser brilhante é o momento ideal para se tirar conclusões e tomar decisões sobre que estrutura do clube se deve adoptar para garantir um futuro ganhador a médio e longo prazo. Considero que o Benfica de hoje em dia é o clube ideal para a figura do manager. 


O Benfica moderno é um clube em que, quer alguns de nós apreciem esse facto ou não, quem dita as leis em todas as facetas da vida do clube é o Presidente. Um Presidente que não permite que mais nenhum dirigente assuma protagonismo e ganhe popularidade entre a massa associativa do clube podendo assumir-se como potencial rival. Assim sendo, o Benfica é um clube onde não podem existir dirigentes fortes que definam a política desportiva do clube de uma forma autónoma mesmo que subordinada ao Presidente (ex. Rui Costa). Logo, a figura ideal no Benfica moderno para definir e coordenar a política desportiva no futebol directamente com Vieira é o treinador, não como o conhecemos em Portugal mas sim em Inglaterra - o Manager. Isto com todos os outros membros da estrutura encarnada subordinados a Vieira e ao Manager apenas assessorando estes dois intervenientes.



O manager é alguém que trabalhe em conjunto com a Direcção e defina a equipa, modelo táctico, política de venda/aquisição de jogadores, prospecção, definição de política de comunicação, gerar receitas para o clube, etc, etc. Óbviamente que tendo tal peso na estrutura do clube assume sobre si todas as responsabilidades do sucesso ou falhanço do clube em atingir os seus objectivos
Ora ao longo destes quatro anos Jorge Jesus assumiu todas estas funções no Benfica com excelentes resultados na geração de receitas com vendas de jogadores, aumento da média de espectadores, tudo fruto da implementação de um modelo de jogo atraente. Curiosamente, também ninguém parece ter "mão" nas intervenções públicas de Jesus o que indicia que é este que também define a comunicação no que diz respeito ao futebol.
Ou seja, Jesus é de facto um manager. Alguém que puxou a si a definição de quase toda a política do clube no que diz respeito ao futebol. Isto só foi possível porque Jesus é um profundo conhecedor da realidade futebolística portuguesa, alguém que conhece os corredores, sabe que movimentações ocorrem na penumbra mas que tem o respeito de muitas das pessoas que se movem na penumbra.

E o Benfica actual era o único clube em Portugal para oferecer essas condições a Jesus. O Sporting de á uns anos também oferecia essas condições (e conseguiu gerar outro excelente manager - Paulo Bento) tal como o Porto também ofereceu essas condições a Mourinho (e nunca mais o fez desde aí - Jesualdo era um subordinado da estrutura e não um líder). Coincidentemente, estes três treinadores portugueses são os três treinadores mais respeitados no País e com mais projecção internacional.

Chegados a este ponto, qual deve ser o futuro tanto do Benfica como de Jorge Jesus?

Quanto ao clube, e repetindo-me, é por demais óbvio para mim que o Benfica só tem a ganhar neste momento em adoptar por completo a figura de manager na estrutura do clube. O Presidente tem personalidade forte, gosta de ditar as regras e não admite dirigentes que lhe roubem o protagonismo. Ao mesmo tempo tem reconhecidos méritos na recuperação da credibilidade do clube - fruto das parcerias com a banca - e no lançamento de projectos extra-desportivos de grande sucesso (BenficaTV, angariação de sócios, Museu Benfica, etc). Como tal a adopção do Manager permite ter alguém que assuma todo a responsabilidade da política desportiva do clube sem que se assuma como sucessor do Presidente. Oferecendo estas condições a um treinador competente o clube também só tem a ganhar.

Quanto a Jesus, o Benfica é o clube perfeito para si. Isto porque no futebol existem dois caminhos que um treinador ou jogador podem seguir para garantir a imortalidade: 
- Alcançar o sucesso no maior número de clubes possíveis - via seguida por exemplo por Mourinho, Trapattoni, Cristiano Ronaldo. 

- Garantir a imortalidade associando o seu nome aos sucessos de um só clube - via seguida por Alex Ferguson e Leo Messi. 

Jesus é o único treinador português que tem tudo para ser mais do que um "clone" de Mourinho. E para ser mais do que isso a única decisão a tomar é permanecer no Benfica, alcançando a imortalidade no futebol da mesma forma que Alex Ferguson o fez no Manchester United: pegando num colosso adormecido e devolvendo-o ao topo do seu País e transformando-o num monstro temido por toda a Europa. Ainda para mais, Jesus está a mais de meio caminho andado de conseguir isso - este ano basta conquistar a Liga Europa e o campeonato e os dados estão lançados.
Poderia Jesus ir para o estrangeiro? Podia, mas seria a decisão mais correcta esbanjar todo o prestígio e autoridade que conquistou no Benfica num país onde ninguém o conhece, com estruturas dirigentes que lhe retirarão o apoio caso as coisas corram mal e onde algo sempre se perde na tradução? Ou não seria melhor ficar num clube onde efectivamente tem poder para ditar regras na gestão desportiva, onde é apreciado pelo resultados e pela rentabilidade financeira que garantiu e pelo futebol atraente que implementou?

Benfica e Jesus são o par perfeito e tudo deve ser feito para que seja mantido durante os próximos anos até ao natural esgotar do ciclo que os une. E esse fim de ciclo ainda está muito longe de chegar.

4 comentários blogger

  1. bom artigo. Nesta altura Jesus é o melhor para o Benfica e o Benfica é o melhor para Jesus.

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  2. De facto, parece-me ser uma opção interessante. No entanto, não sei se Jorge Jesus estará interessado numa opção destas, muito embora o discurso que teve no FMH diga (ou dê a entender) o contrário. Passando Jorge Jesus para Manager, quem poderia ser o respectivo e também necessário Treinador Adjunto? É que nos actuais, Raúl José, Pietra e Miguel Quaresma, não revejo as criticas características para desempenhar essa função.

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  3. Alguém mande este post ao presidente e ao treinador, por favor!!

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