O seguinte texto é da autoria do benfiquista "Scott Não Minto", a quem agradecemos mais uma contribuição para o debate sobre o SL Benfica.
A pré-epoca está agora a começar, pelo que ainda é demasiado cedo para tecer grandes comentários sobre o plantel com que o nosso Benfica se vai apresentar para o arranque da temporada.
Até agora, podemos apenas retirar as ilações obvias: o nosso jogador mais promissor não continua de águia ao peito, o melhor jogador dos últimos anos vai retirar-se devido a um problema crónico nas costas e aquela famosa frase do “vamos apenas fazer contratações cirúrgicas” até ao momento refletiu-se em Caio Lucas e Jhonder Cadiz.
A verdade é que, apesar destas já tradicionais patranhas vieiristas (todos os anos somos brindados como perolas como “o Benfica já não precisa de vender jogadores” ou “só saem pelo valor da clausula”) o Benfica tem atualmente uma oportunidade de ouro para cimentar, ainda mais, a sua predominância no futebol português, pois os seus dois mais diretos adversários debatem-se com delicados problemas de tesouraria.
Podemos dizer que a estratégia atual tem servido para o campeonato (embora seja difícil perdoar Vieira pelo falhanço histórico quando vende 4 titulares e não contrata jogadores de qualidade para os repor, fazendo-nos perder o inédito penta…).
Mas não se iludam os mais incautos: para um Benfica europeu é curto. Obvio que a estratégia de aproveitamento do Seixal é de valorizar e tem dados inúmeros frutos financeiros e, finalmente, desportivos.
Mas o tão ansiado Benfica europeu necessita também de jogadores de classe indiscutível e de craveira mundial, que façam a diferença no difícil palco da Liga dos Campeões. O Benfica tinha um jogador destes (Jonas) e um com tudo para ser um jogador destes (João Félix).
Por muito talentosos que Tiago Dantas ou David Tavares sejam (e são!), não lhes cabe a eles levar o Benfica para a frente na prova milionária. A eles cabe-lhes aprender com humildade e aprimorar os aspetos do seu jogo que ainda são frágeis.
O pesado fardo da responsabilidade do sucesso do Benfica na Europa tem de recair nos ombros mais largos dos jogadores mais velhos. E esses agora são Pizzi, André Almeida, Jardel, Samaris ou, até ver, Fejsa e Salvio.
Embora sejam jogadores de qualidade e que merecem o respeito e carinho dos benfiquistas por tudo o que deram ao clube, a verdade é que, a meu ver, o Benfica necessita de mais duas ou três contratações, essas sim, cirúrgicas, e que sejam de dimensão europeia. Contratações que sejam uma certeza e sejam para trazer uma mais-valia imediata ao plantel.
Relembro que, há cerca de dez anos, craques de renome como Pablo Aimar ou Saviola assinavam pelo Benfica. Jogadores feitos, de classe reconhecida e que punham as defesas contrárias em sentido. É de um par desses que precisamos para que o futebol do Benfica dê o pulo qualitativo de que todos estamos à espera e que os benfiquistas devem exigir a Vieira.
Na minha humilde opinião, para além de não sair mais ninguém importante, precisamos:
1. Guarda redes:
Se calhar estamos mal habituados, pois nos últimos anos tivemos Oblak, Ederson ou Júlio Cesar a defender a nossa baliza. E é verdade que Vlachodimos é um bom guarda-redes, é jovem e ainda pode evoluir. Mas… para melhor troca-se sempre não é verdade?
2. Lateral direito:
Eu assumo-me como um dos maiores fãs do André Almeida. É um jogador que dá tudo, que se reinventou com o tempo e que se transformou num jogador fiável e de inegável qualidade. Espero, sinceramente, que acabe a carreira na Luz. Mas, por muito esforçado que seja, a verdade é que, em determinados jogos de grau de dificuldade mais elevado, o nosso sub-capitão não consegue dar conta do recado.
Embora o seu lugar no plantel seja inquestionável, o seu lugar no onze pode não ser. E na impossibilidade de se contratar um lateral direito já feito (há vários de qualidade a acabar contrato com os tubarões europeus), urge arranjar um jovem que seja verdadeira alternativa e seja uma verdadeira ameaça ao posto do André. Desde que Nelson Semedo saiu que deixou de haver concorrência.
3. Avançados:
A confirmar-se, saúdo a vinda do Raul de Tomás, avançado jovem, de qualidade e que encaixa perfeitamente no esquema ofensivo do mister Lage. Mas é necessário mais. Partindo do princípio que se manterá um esquema de 4 avançados, é obrigatório contratar, pelo menos, mais um. E infelizmente na equipa B não há miúdos nesta posição para puxar à equipa principal, pelo que tem mesmo de vir um “Saviola”.
Nos últimos tempos, os benfiquistas têm sido bombardeados com propaganda da direção de que querem restaurar o “Benfica europeu”. Tem de ser agora. Esta direção tem de dar a Bruno Lage (que já mostrou ter excelentes unhas para tocar esta guitarra) condições — leia-se plantel — para poder competir dignamente na Europa.
Caso contrário, toda essa conversa “europeia” não passará, mais uma vez, de populismo.



