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02 julho 2019

O Benfica para 2019/2020, por Scott Não Minto

51 comentários
O seguinte texto é da autoria do benfiquista "Scott Não Minto", a quem agradecemos mais uma contribuição para o debate sobre o SL Benfica.


A pré-epoca está agora a começar, pelo que ainda é demasiado cedo para tecer grandes comentários sobre o plantel com que o nosso Benfica se vai apresentar para o arranque da temporada. 

Até agora, podemos apenas retirar as ilações obvias: o nosso jogador mais promissor não continua de águia ao peito, o melhor jogador dos últimos anos vai retirar-se devido a um problema crónico nas costas e aquela famosa frase do “vamos apenas fazer contratações cirúrgicas” até ao momento refletiu-se em Caio Lucas e Jhonder Cadiz. 

A verdade é que, apesar destas já tradicionais patranhas vieiristas (todos os anos somos brindados como perolas como “o Benfica já não precisa de vender jogadores” ou “só saem pelo valor da clausula”) o Benfica tem atualmente uma oportunidade de ouro para cimentar, ainda mais, a sua predominância no futebol português, pois os seus dois mais diretos adversários debatem-se com delicados problemas de tesouraria. 

Podemos dizer que a estratégia atual tem servido para o campeonato (embora seja difícil perdoar Vieira pelo falhanço histórico quando vende 4 titulares e não contrata jogadores de qualidade para os repor, fazendo-nos perder o inédito penta…). 

Mas não se iludam os mais incautos: para um Benfica europeu é curto. Obvio que a estratégia de aproveitamento do Seixal é de valorizar e tem dados inúmeros frutos financeiros e, finalmente, desportivos. 

Mas o tão ansiado Benfica europeu necessita também de jogadores de classe indiscutível e de craveira mundial, que façam a diferença no difícil palco da Liga dos Campeões. O Benfica tinha um jogador destes (Jonas) e um com tudo para ser um jogador destes (João Félix). 

Por muito talentosos que Tiago Dantas ou David Tavares sejam (e são!), não lhes cabe a eles levar o Benfica para a frente na prova milionária. A eles cabe-lhes aprender com humildade e aprimorar os aspetos do seu jogo que ainda são frágeis. 

O pesado fardo da responsabilidade do sucesso do Benfica na Europa tem de recair nos ombros mais largos dos jogadores mais velhos. E esses agora são Pizzi, André Almeida, Jardel, Samaris ou, até ver, Fejsa e Salvio. 

Embora sejam jogadores de qualidade e que merecem o respeito e carinho dos benfiquistas por tudo o que deram ao clube, a verdade é que, a meu ver, o Benfica necessita de mais duas ou três contratações, essas sim, cirúrgicas, e que sejam de dimensão europeia. Contratações que sejam uma certeza e sejam para trazer uma mais-valia imediata ao plantel. 

Relembro que, há cerca de dez anos, craques de renome como Pablo Aimar ou Saviola assinavam pelo Benfica. Jogadores feitos, de classe reconhecida e que punham as defesas contrárias em sentido. É de um par desses que precisamos para que o futebol do Benfica dê o pulo qualitativo de que todos estamos à espera e que os benfiquistas devem exigir a Vieira. 

Na minha humilde opinião, para além de não sair mais ninguém importante, precisamos: 

1. Guarda redes: 
Se calhar estamos mal habituados, pois nos últimos anos tivemos Oblak, Ederson ou Júlio Cesar a defender a nossa baliza. E é verdade que Vlachodimos é um bom guarda-redes, é jovem e ainda pode evoluir. Mas… para melhor troca-se sempre não é verdade? 

2. Lateral direito: 
Eu assumo-me como um dos maiores fãs do André Almeida. É um jogador que dá tudo, que se reinventou com o tempo e que se transformou num jogador fiável e de inegável qualidade. Espero, sinceramente, que acabe a carreira na Luz. Mas, por muito esforçado que seja, a verdade é que, em determinados jogos de grau de dificuldade mais elevado, o nosso sub-capitão não consegue dar conta do recado. 

Embora o seu lugar no plantel seja inquestionável, o seu lugar no onze pode não ser. E na impossibilidade de se contratar um lateral direito já feito (há vários de qualidade a acabar contrato com os tubarões europeus), urge arranjar um jovem que seja verdadeira alternativa e seja uma verdadeira ameaça ao posto do André. Desde que Nelson Semedo saiu que deixou de haver concorrência. 

3. Avançados: 
A confirmar-se, saúdo a vinda do Raul de Tomás, avançado jovem, de qualidade e que encaixa perfeitamente no esquema ofensivo do mister Lage. Mas é necessário mais. Partindo do princípio que se manterá um esquema de 4 avançados, é obrigatório contratar, pelo menos, mais um. E infelizmente na equipa B não há miúdos nesta posição para puxar à equipa principal, pelo que tem mesmo de vir um “Saviola”. 

Nos últimos tempos, os benfiquistas têm sido bombardeados com propaganda da direção de que querem restaurar o “Benfica europeu”. Tem de ser agora. Esta direção tem de dar a Bruno Lage (que já mostrou ter excelentes unhas para tocar esta guitarra) condições — leia-se plantel — para poder competir dignamente na Europa. 

Caso contrário, toda essa conversa “europeia” não passará, mais uma vez, de populismo.

13 março 2019

"O Benfica pode ganhar a Liga Europa?", por Scott Não Minto

56 comentários

O seguinte texto é da autoria do benfiquista "Scott Não Minto" que contribuirá com várias reflexões no futuro aqui no NGB.

Obrigado e bem-vindo.

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A confiança e otimismo dos adeptos do Benfica para com Bruno Lage é devidamente justificada pelos resultados, exibições e, porque não, pela postura até agora inatacável do novo mister do Glorioso. 

Esta confiança leva a que muitos sonhem com a conquista da Liga Europa, competição pela qual já fomos a três finais e nunca conseguimos trazer o tão ilustre caneco. 

Eu alinho neste diapasão, embora mantenha reservas face a dois importantes aspetos da equipa liderada por Bruno Lage: o plantel é curto em algumas posições e a falta de experiência (dos jogadores e do treinador) fruto da juventude do plantel, que se pode vir a revelar fulcral na altura das decisões. 

Primeiro ponto: é inquestionável a qualidade dos miúdos que tem jogado na primeira equipa do Benfica (embora, naturalmente, tenham ainda muito para crescer e aprender). 

Segundo ponto: é injusto pormos-lhes nos ombros toda a pressão inerente a jogar num clube da dimensão do Benfica. Por exemplo, o Félix tem tudo para ser craque de craveira internacional? Tem. 

Tem de ser ele o principal responsável pelo Benfica jogar bem ou mal? Não devia. Só tem 19 anos. 
Por isso é que um plantel só pode ser competitivo se tiver uma harmoniosa mescla de experiência e juventude (e qualidade, claro. A experiência do Felipe Augusto dispensamos nós bem). 

Terceiro ponto: Bruno Lage, independentemente de como terminar a época, é treinador. 
A Equipa tem princípios de jogo. Sabe o que fazer em campo. Não há chutão para a frente só porque sim. 

Quarto e mais importante ponto: não foi dado a Bruno Lage plantel para lutar pelas três frentes. 
Se me perguntarem se acredito na conquista do título todos os benfiquistas dirão que sim. 

Quanto à conquista da Liga Europa eu digo também um contundente “sim”. 

O Benfica de Lage já mostrou que consegue bater-se com qualquer um dos tubarões que estão em prova. A questão é que a competitividade da nossa equipa está muito dependente de lesões, castigos e, essencialmente, a forma como a sobrecarga de jogos vai afetar o plantel, pois a verdade é que por muito talentosos que “os bebés do Seixal” sejam, o plantel é curto para jogar 2 vezes por semana sempre em alta rotação. 

Não estou aqui a antever uma futura eliminação na Europa ou a justificar a mesma por antecipação. Estou simplesmente a apontar que não foram dadas condições a Bruno Lage para disputar as três competições em falta sem haver gestão de esforço, o que se agrava mais quando no plantel alguns dos atletas mais experientes (e mais caros) são clientes habituais do departamento médico. 

Neste sentido, se há alguém a quem não podemos dar qualquer tipo de mérito pelo atual momento do Benfica é a Luis Filipe Vieira. 

Ao contrário do que disse hipocritamente há uns dias, não confiou no jovem treinador da equipa B. Se confiasse, não teria mantido Rui Vitoria muito mais tempo do que devia. Não teria tentado o regresso de Jorge Jesus e não teria falado de Mourinho. 

Por último, não reforçou a equipa em janeiro (apesar de, teoricamente, termos dinheiro para o Mourinho), que tanto precisava de um lateral e ainda empobreceu a frente de ataque. 

Posto isto, se me dissessem em novembro que o Benfica iria estar a jogar assim e nesta posição eu não acreditaria. 

O mérito é de Bruno Lage e se podemos escrever um texto a falar da possibilidade de se conquistar uma Liga Europa é graças ao novo mister. Por isso é que, caso as coisas não corram tão bem convém não enveredarmos pela critica fácil. 

Para o ano Lage construirá a equipa de raiz e espero que Vieira lhe dê dois reforços de inquestionável qualidade para ganhar tudo internamente e, finalmente, fazer uma participação na Liga dos Campeões de acordo com os pergaminhos do clube. (O David Luiz está em final de contrato... tratem lá disso). 

Esperemos que a Direção do nosso clube consiga reter o talento que temos no Seixal, tal como os seus administradores tem dito ultimamente que vão fazer, pois temos qualidade para que a próxima época possa ser muito especial. 

Para além de que os benfiquistas não vão perdoar se virem outra geração talentosa não ser aproveitada pelo clube.

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O texto é da autoria do benfiquista "Scott Não Minto".

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