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sábado, 31 de março de 2012

Os quartos da Champions - 1ª mão II

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Portugal, 31 de Março de 2012

No texto anterior salientei que apesar do nosso passado glorioso de conquistas desportivas, somos a equipa com o 2º orçamento mais baixo nesta fase da Champions. Para chegar aqui eliminamos pelo menos 2 orçamentos superiores, o Manchester United e o Zenit, já que se desconhece o orçamento do Basileia e o do Otelul é seguramente inferior ao nosso. Apesar do povo costumar dizer que “não há duas sem três”, também se diz que “à terceira foi de vez”.

Nesta 1ª mão, fizemos um bom conjunto de indicadores estatísticos apesar da eliminatória ser desequilibrada em termos orçamentais: tivemos o 2º melhor registo de remates à baliza (17), tivemos o melhor registo de remates enquadrados com a baliza (8), a par do Real Madrid, fomos a equipa que a par do Barcelona fez menos faltas (9) e fomos a única equipa que actuando em casa, teve posse de bola de 50%. Milan, Marselha e APOEL tiveram menos.

Onde foi afinal que falhamos? Bem, se optarmos pela lógica de La Palisse, falhamos porque o adversário meteu um golo e nós não. Se optarmos pela lógica do “primo” do La Palisse podemos pegar nas questões técnico - tácticas, apontando para cima do treinador, ou podemos reparar que o golo nasceu do lado esquerdo, apontando para cima do Emerson e admitindo que o Benfica joga com 9 jogadores do lado direito e 1 do lado esquerdo.

Creio que se perde demasiado tempo a falar de banalidades no futebol, com a perversidade de muitos ditos analistas profissionais e outros amadores não quererem perceber que depois do jogo acabar é fácil ser treinador ou jogador.

A jogada que dá o golo ao Chelsea é uma jogada recorrente que o Benfica permite (em particular) nas provas europeias, ao longo dos anos. Não foi uma jogada diferente da que deu o golo da vitória do Manchester United na Luz, quando éramos treinados pelo Fernando Santos e o Emerson ainda estava no Brasil à espera de ser contratado pelo Lille. Ou a jogada que dá o 2º golo da Fiorentina na Luz em 1996/97. O defesa direito era o Calado e depois do 0-1, para tentar ganhar o jogo, Manuel José trocou Calado por um avançado, descendo Panduru para essa posição. E foi por aí que nasceu esse tal 2º golo em cima do mn 90. Ou o 1º golo do Halmstad quando Mourinho descobriu que Uribe era um defesa direito. Ou o 2º golo do FCP no jogo da Liga, que nasce de um roubo de bola (em falta não assinalada), desenvolvendo-se a jogada de contra ataque pelo centro do terreno (e não pelo lado esquerdo). Ou o 1º golo do Bayern em Marselha, com a diferença que nasce de um roubo de bola sem falta (embora os do Marselha tenham ficado a pedi-la).

Mais exemplos poderiam ser dados, mas estes creio serem suficientes para concluir que o problema não é de um jogador mas de uma forma de jogar. O Benfica infelizmente continua a querer ganhar aos grandes orçamentos do futebol, jogando olhos nos olhos, com lealdade e sentido positivo de tentar ganhar, sem qualquer malícia...

E penso que é aqui que está o problema. Sabendo que em todos os jogos existem roubos ou perdas de bola que originam contra ataques devido ao posicionamento ofensivo (veja-se a semelhança com o 1º golo do SCP ao Metalyst), os jogadores do Benfica devem saber que têm de fazer falta mesmo que isso signifique levar cartão amarelo. E o Jardel devia tê-lo feito para parar a jogada e permitir o reagrupamento defensivo da equipa...

Para mim foi, é e continua a ser este o maior problema do futebol do Benfica ao longo dos anos: o nosso maior inimigo é a nossa lealdade e positividade como encaramos os jogos de coeficiente de dificuldade elevado. Mudar de jogador ou de treinador não é o caminho correcto, mas sim mudar a nossa forma de abordar o jogo em determinadas partes do mesmo.

Por último verifico que vencemos fase de grupos com uma média de 16 faltas feitas por jogo, que passou para 13,5 na eliminatória com o Zenit, e que neste jogo com o Chelsea foram 9 (contra 17 do adversário). Estranho talvez ... E se considerarmos que o Manchester saiu da fase de grupos com uma média de 9 faltas feitas por jogo, se calhar teremos de repensar muita coisa no nosso futebol ...

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