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terça-feira, 11 de outubro de 2011

O Sr.º Joaquim - parte II

 ●  7 comentários  ● 
(os comentários entre parêntesis e itálico, são da minha autoria e não visam desvirtuar o conteúdo do texto escrito por Jorge Fiel em 25 de Março de 2005)

Em 1984, deitou para trás das costas o cheiro a fritos e assados, passando a dedicar-se à exploração da publicidade nos estádios. Nascia a Olivedesportos, com o capital dividido em partes iguais pelos dois irmãos de Penafiel, a empresa que organizou, profissionalizou e ajudou a revolucionar os negócios do futebol no nosso país (com os empresários de Lisboa a “dormir”, temos de saudar o lado positivo desta revolução “made in” Porto: um aumento de receitas para os clubes, obtida de forma organizada, através da negociação dos direitos televisivos).

Antes dos Oliveiras, a publicidade à volta dos campos era uma actividade amadora. Como a soma das receitas conseguidas com a bilheteira e as quotas dos sócios nunca chegavam para fazer face às despesas, os dirigentes dos clubes pediam ajuda aos empresários da terra, oferecendo-lhes em troca espaço nos painéis publicitários.

A Olivedesportos arrancou com as concessões do Chaves (por isso a SIC foi impedida de filmar os resumos que legalmente tinha direito, com a conivência do Major Valentim Loureiro, Persidente da Liga na altura) e do Sporting (como se vê, o SCP pertence ao grupo desde o seu inicio) mas rapidamente cresceu. Dez anos depois já controlava a publicidade estática de 14 dos 18 clubes da primeira divisão (por essa altura aconteceu algo “insólito”. Desceram de divisão Leiria, Tirsense e Estoril, os únicos 3 clubes que ainda não tinham contratos com a Olivedesportos. Não foi coincidência). No início, dedicou-se à compra e venda de jogadores, actividade em que se estreou em 1984 importando os paraguaios Alonso e Cabral para o Rio Ave. Chegou a criar uma sociedade para este negócio, a Futinvest, que tinha como director-executivo José Veiga, antigo presidente da Casa do FC Porto no Luxemburgo, que à época vivia nas boas graças de Pinto da Costa. Posteriormente abandonou esta área de negócio, passando a empresa a Veiga.

A opção era clara. Tratava-se de focalizar a actividade do grupo na exploração da publicidade estática e das transmissões televisivas, negócios que implicavam estar de bem com os clubes a quem compravam os direitos. E as compras e vendas de jogadores podiam introduzir um ruído desnecessário num negócio que deslizava sobre rodas.

Em 1985, intermediou a sua primeira transmissão televisiva de um jogo de futebol (Checoslováquia - Portugal). No ano seguinte, foi visto em Saltillo a carregar painéis de publicidade e a dirigir a sua colocação à volta dos campos em que a selecção portuguesa disputou os três jogos no Mundial do México. Com a sua facilidade em fazer amigos e influenciar as pessoas, o negócio prosperava até ser sacudido pelo sobressalto do nascimento da televisão privada.

O aparecimento da SIC e a vitória de Vale e Azevedo nas eleições do Benfica ameaçaram seriamente o equilíbrio ecológico em que medrava o negócio dos irmãos Oliveira (nessas eleições obviamente terá apoiado a lista do Prof.º Tadeu, continuidade da gestão de Manuel Damásio). O novo canal privado escolheu o futebol para levar os portugueses a sintonizarem o canal 3 nos seus aparelhos, o que agitou o doce e reservado mundo das transmissões, até aqui reserva de caça exclusiva da Olivedesportos.

A SIC abriu as hostilidades, quebrando o monopólio ao pagar 400 mil contos (a preços de 1997, imagine-se quanto ganhava a Olivedesportos) por três jogos (Porto-Benfica, Sporting-Benfica e Sporting-Porto). Seguiu-se o ataque de Vale e Azevedo que mal chegou à presidência do Benfica rasgou os contratos (isto já foi explicado vezes sem conta: declarou nulos os contratos, rasgar foi o que fez Vilarinho com a SIC em 2001) que o seu antecessor Manuel Damásio tinha assinado com a Olivedesportos, e negociou com a SIC direitos de transmissão televisiva pelos quais o seu clube já recebera (é correcto: o Sr.º Manuel Damásio tinha recebido 2 milhões de contos de avanço por um contrato que só se iniciava em 1999. Quando JVA chegou à Presidência do Benfica, não havia dinheiro nas contas. Por conta desse adiantamento, a Olivedesportos entrou na Benfica Multimédia através da Sportinvest, com 49% do capital).

No entretanto o “Record” dirigido pela dupla Cartaxana/Marcelino era a ponta de lança da campanha contra uma Olivedesportos acusada de, em coligação com o FC Porto, controlar o futebol com recurso a meios duvidosos (na altura já era assim, agora é pior desde que esta Direcção do Benfica foi eleita!)

7 comentários blogger

  1. Apenas para pedir desculpas por ontem ter colocado um post muito em cima do anterior. As minhas desculpas ao seu autor.

    Nesta parte II vemos como as coisas evoluiram para o Sr.º Joaquim. Claro que o texto não entra nos pormenores: como foi possível Joaquim dominar os clubes na Liga para ter o monopólio! Isto daria muito que falar, mas confesso que apenas tenho uma opinião pessoal, não há factos que a comprovem. Apenas suspeitas. Não foi por acaso que depois do Major, o Presidente da Liga foi Pinto da Costa e a seguir ... Manuel "tótó" Damásio ... foi nesse período que Guilherme Aguiar fez aprovar um regulamento de transmissões ....

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  2. Fico à espera da história completa,que digo desde já,em parte desconhecia.

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  3. Também eu! E era também bom que os benfiquistas discutem isto! E que estes assuntos viessem à baila em tempo de eleições! Para que LFV nos explicasse porque ainda chama "amigo" a Oliveira!

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  4. Se fosses para a política chegavas às mesmas conclusões! Aliás, em Portugal futebol e política são filhos do mesmo pai!

    Claro que o Benfica poderia e deveria ter feito muito mais para evitar que chegássemos a este ponto mas era o alvo a abater e os corruptos de Palermo contavam com o seu grande aliado e que era o nº 1 no ódio ao Benfica. Este, cansado de ser ofuscado pela grandeza do seu vizinho arreou as calças julgando com isso vir a ocupar o lugar que sempre quis que fosse o seu. Fodeu-se e bem, pois foi sodomizado de todas as maneiras...

    Damásio foi um totó, mas o Benfica estava sem cheta, basta recordarmos a vergonhosa Operação Coração.

    Em Portugal a política, o futebol e a finança ficavam entregues a uma corja que tinha a sua Sede em Palermo. Ao contrário de Lisboa, no Porto dá-se imenso valor à sua terra, às suas raízes, é o chamado provincialismo! Foi com esse mandamento que eles iniciaram a guerra que visava apenas enriquecerem e serem poderosos.

    O "centralismo" de Lisboa, representado por gente de todos os lugares do país, tinha medo de enfrentar os homens do futebol do Norte! Recordo-me do bimbo-corrupto lançar mão dos seus cães de fila e fazer uma manifestação, na cidade do Porto, contra uma penhora por dívidas ao fisco. A célebre retrete das antas. E conseguiu o que pretendeu, pois a opinião pública ficou do seu lado! Que poderia o Benfica ter feito para evitar isso!

    Depois disso e de muitas outras coisas, os políticos que vieram a seguir trataram que não se meter com o bimbo-corrupto. E foi ver as figuras da politica na cidade do Porto, serem antes de tudo os bobis do cabrão...

    Realmente, o Benfica é muito grande, enorme, pois leva com as culpas de tudo!!!

    Um país e um Povo que permitiu que gente sem escrúpulos se apoderasse do poder; usasse de todos meios para atingir os seus fins; conseguisse ludibriar a justiça com o beneplácito daqueles que a aplicam e acabando (o seu maior rosto) em apoteose homenageado pelos representantes (eleitos) do Povo, deve assumir as suas culpas e não culpar aqueles que ingenuamente, ou simplesmente, por serem pessoas de bem não foram capazes de lhes fazer frente!

    Como bem já escreveste, JVA tentou e acabou ele mesmo preso. Condenado por um crime ridículo na justiça, mas condenado pela opinião pública como um dos maiores corruptos do nosso país! A culpa foi do Benfica??? Só se for por existir!!!

    Não sei se o rumo actual do nosso clube é o melhor, mas também não estou convencido se o melhor seria o da confrontação! Portugal é um país onde a corrupção grassa e onde, normalmente, os corruptos poderosos não são condenados. Pior que isso, acabam endeusados!!!

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  5. nem a proposito li isto num lugar imprevisto

    http://maquinadelavax.blogspot.com/2011/10/como-organizar-uma-biblioteca.html

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  6. Conde de Vimioso12 outubro, 2011 11:31

    Pois e, mas no assalto a RTP perpetuado pelo oliveirinha os maiores cumplices foram alguns Benfiquistas como, Moniz o todo poderoso la do sitio com o val do Secretario de Estado, altura, um tal Marques Guedes e posteriormente outro, um tal Arons de Carvalho, a quem o Vale chamou "piao da Olivesdesportos" e que agora ate se passeiam nos orgaos de comunicaçao do Benfica.

    E aquele celebre inquerito as relaçoes da Olive com a RTP, por pressao do Vale? Nunca se soube da publicaçao do resultado, a boa menrira portuguesa de de instaurar um inqueiro para calar a polulaça e a unica consequencia para que foi a saida de um tal Enes a quem arranjaram um tacho na Expo a ganhar ainda mais.

    Foi um fartar vilanagem e ate podia continuar mas ...fico por aqui.

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