Confesso que tenho uma simpatia especial por Carlos Queiroz.
Essa simpatia vem desde o minuto 45 do jogo disputado em Alvalade no dia 14 de Maio de 1994. Foi quando Paulo Torres é substituído por Pacheco. Essa auto-estrada do lado esquerdo da defesa do Sporting, criada por Carlos Queiroz, foi fundamental para um 3-6 que ainda hoje é uma alegria rever.
Carlos Queiroz tem a altivez legítima de quem conseguiu os primeiros resultados de topo para o futebol português. Foi campeão do mundo 2 vezes seguidas e lançou para o futebol português a chamada "Geração de Ouro". Sim foi ele, com a ajuda da sua equipa técnica, que deu as noções de trabalho e rigor a um sem número de jogadores que marcaram o futebol português e mundial durante 20 anos.
Alguns deles perderam-se pelo caminho, por falta de apoio nos clubes ou culpa própria. Mas Carlos Queiroz recebeu e lapidou uma geração notável de jogadores.
Também no Manchester United Queiroz deixou a sua marca, de tal forma que Ferguson não hesitou em chamá-lo de volta após a experiência armadilhada do português como treinador do Real Madrid.
Daí que, percebendo que Queiroz terá um feitio díficil de aturar segundo quem treinou com ele, tenho dificuldades em compreender a hostilidade para com um treinador que tem mais provas dadas e currículo que qualquer outro treinador português, à excepção de Mourinho.
Nunca se limitou, trabalhou pelo mundo inteiro e tem apresentado resultados. Percebo a raiva de Queiroz face ao futebol em geral em especial quando viu a preparação da selecção que treina boicotada. Todos puderam fazer vários jogos de preparação excepto o Irão. Pegou numa selecção sem qualquer historial e competitividade e faz um Mundial em que não merece perder qualquer jogo.
Ontem Queiroz cumpriu o seu papel. Não estava ali como português mas sim como iraniano. Como Pepe não esteve em campo como brasileiro. Podemos gostar mais ou menos de certas atitudes mas não é assim em qualquer campo ou jogo em qualquer parte do mundo?
Podia Queiroz ter admitido que o penalty que dá o empate ao Irão nem o Carlos Calheiros tinha a coragem de o marcar? Sim.
Mas será que qualquer outro jogador se teria safo ao vermelho se não se chamasse Ronaldo? Não.
Pedem respeito ao Queiroz, mas ninguém presta o devido respeito por alguém que fez mais pelo futebol português que 99% dos que lhe apontam o dedo ou se passeam na FPF.
P.S.: Falaremos do "Mala Ciao" às 12h30.


