Balanço
da época antes do términos de uma semana decisiva?! Sim, talvez seja o mais
justo sim, pelo menos o mais racional, com 95% da época cumprida e sem a carga
emocional adjacente aos resultados dos três últimos jogos, jogos esses que para
muitos serão os únicos que acabarão por contar no fim, jogos esses muitas vezes
marcados por uma bola no poste ou um penalty mal assinalado, e que levam muitos
adeptos às conclusões mais absurdas.
RUI VITÓRIA
Não
era a minha escolha. Ponto. Mas teria sempre o benefício da dúvida e o meu
apoio como qualquer outro.
Em
termos objetivos, o Benfica tem neste momento 82 pontos, com a possibilidade de
somar 88. O ano passado o Benfica foi campeão com 85 pontos. Em termos
numéricos pois, este é um Benfica ao nível dos melhores da história.
Como
dizia no passado e volto a dizer agora (vale para todos os treinadores), sempre
fui apologista que uma equipa para ser campeã depende não só de si e das suas
performances (Trapatoni que o diga) mas também muito do que os adversários são
capazes de fazer, sendo essa uma variável que nenhum treinador controla. A
verdade é que há este ano um Sporting a fazer muito melhor do que num passado
recente, uma equipa com possibilidade de somar 86 pontos esta época contra os
76 da época anterior.
Na
Liga dos Campeões o Benfica chegou onde era humanamente possível exigir.
Na
Taça da Liga estamos na final.
Na
Taça de Portugal caímos contra um grande português, o ano passado foi com o
Braga.
Houve
aposta na formação como se exigia a Rui Vitória, um dos motivos da sua
contratação. Houve jogadores lançados e que evoluíram.
Houve
um encontrar de soluções constantes para os problemas do plantel.
Houve um treinador que fez algo
que aprecio e não via há muito tempo: “O
azar de uns é mesmo a sorte de outros”, e aqueles que entraram não foram
apenas apostas circunstanciais nem soluções temporárias até que os titulares
com lugar cativo voltassem a estar disponíveis. Jovens ou menos jovens, quem
entrou sentiu sempre a confiança do treinador, confiança essa que se sente no
campo.
Rui Vitória para continuar?
Evidentemente! Em termos objetivos (objetivos, repito, porque em termos subjetivos
mil interpretações se podem fazer), não há nada que possa sugerir sequer que a
aposta Rui Vitória foi uma aposta falhada!
APOSTA NA FORMAÇÃO
Aposta
ganha? Claro que sim! Contradiz algo que eu tenha sugerido ao longo do tempo
sempre que me referi a este tema?
Há
algo sim: De facto, os miúdos não tremeram! Do ponto de vista mental (aquele
que me preocupa sempre mais nestas idades) os miúdos do Seixal estiveram sempre
preparados. Mérito deles e mérito também de quem os trabalhou e os soube lançar.
E de facto também, os miúdos não
custaram pontos esta época. Não se pode dizer que o Benfica perdeu aqui ou ali
porque tinha miúdos da formação a jogar. Perdeu-os com os miúdos, tê-los-ia
perdido com os graúdos da mesma maneira.
Mas
também há pontos que confirmam aquilo que sempre defendi: Guedes por exemplo
mostrou não estar preparado do ponto de vista mental. Perdeu confiança sem que
se saiba bem porquê. Um jogador com talento (nota-se) mas que passou a jogar
sempre com os olhos no chão como se tenha medo de encarar as bancadas. Um
empréstimo talvez lhe tivesse feito bem.
Nélson
Semedo é neste momento uma incógnita depois de um início promissor. Em Setembro
e Outubro era um jogador cheio de confiança. Desde a lesão (e essa já aconteceu
há muito tempo), não mais foi o mesmo e a aposta André Almeida tem-se
justificado.
João
Teixeira e Victor Andrade não se impuseram em Guimarães, e quem não se impõe em
Guimarães pode não estar ainda preparado para se impor no Benfica.
Lindelof
e Renato Sanches são certezas e apostas ganhas a 100%. Renato Sanches é aos...
18 anos... a pedra MAIS fundamental da equipa... Se é o que é aos 18 anos, como
será aos 23 anos?, se tiver ao seu lado um treinador que o saiba corrigir os
pontos fracos e tornar um “puro sangue” num jogador mais objetivo e refinado?
Éderson não engana, mas este sim,
representa o percurso que sempre defendi como o ideal para a grande maioria dos
miúdos da formação (exceto para os génios como Renato Sanches): empréstimos a
clubes da primeira liga, e o regresso a casa com a confiança e a maturidade que
Éderson demonstra nesta altura.
Mas também se confirma aquilo que
sempre defendi, que o Benfica nunca seria um Barcelona por muitos bons
jogadores que o Seixal produzisse: No Barcelona, Renato Sanches ficaria a vida
toda. No Benfica joga sete meses e agora irá brilhar para outro lado qualquer.
Ter bons jogadores na formação é
ótimo, mas mais ótimo seria se pudessem ser mantidos pelo menos dois ou três
anos. Mas não. O dinheiro manda, de dinheiro precisa-se, e como aqui sempre
disse, os génios sairão sempre, e na Luz ficarão apenas as dores de
crescimento, o refugo ou aqueles jogadores que ainda não foram capazes de virar
certezas.
LUÍS FILIPE VIEIRA
Aqui
escrevi no início da época, que aqui estaria no final a reconhecer finalmente o
olho desportivo de Luís Filipe Vieira se o Benfica fosse capaz de ser campeão
esta época.
E
assim é, independentemente do que acontecer nestas últimas duas jornadas do
campeonato. O que vale para Rui Vitória vale para o Presidente.
Posso
continuar a apontar erros óbvios. Posso continuar a provar que o motivo da
troca de treinador para reduzir custos é uma falácia, provar por a+b que esta
época se gastaram milhões a mais e que não se “veem”, e que mesmo na equipa B
há jogadores a custar 7 e 8 milhões, e que um dia poderão dar jogadores... ou
não.
Posso
continuar a achar que LFV em nada ajudou Rui Vitória no início, tal como não
esqueço que em Novembro lá andava LFV a alterar o seu discurso vitorioso para o
discurso do “ah e tal, este é um projeto
que precisa de tempo para crescer.”
Mas no essencial (e sim, isto era
de facto o essencial), este ano provou que haviam no Seixal grandes talentos
que TINHAM de ser aproveitados, e que quer o treinador se chamasse Zacarias ou
Facadas, esses jogadores tinham de fazer parte do projeto.
Aqui sim (e este não é um ponto
menor, bem pelo contrário) esta é uma aposta ganha por Luís Filipe Vieira a
100%, até porque, como sabemos, a aposta formação não é um capricho do momento,
mas um projeto que se iniciou há 10 anos atrás, resultado de uma visão, e que
hoje permite ao Benfica começar a colher os seus frutos.
Independentemente dos gostos
quanto a treinadores, nunca um projeto desta
envergadura (Seixal) e fruto de uma visão Presidencialista, poderia ser posto
na gaveta por causa da visão (também essa legítima) de um treinador, fosse ele
quem fosse.
O que sempre aqui lamentei (e este
foi para mim o grande erro da época) foi a incapacidade do Benfica em assumir a
rutura antes da “fuga”, e querer ter sempre passado a ideia de que afinal foi o
“outro” que tinha fugido, posição essa que deu sempre ao Benfica um ar de
fragilidade e que contribuiu para o tom sujo dos discursos da presente época.
Que
estas últimas duas semanas tragam ao Benfica a glória que todos ansiamos (mas
para mim, nesta altura, e mesmo que o Benfica perca, não há razões para por nada em causa), e que essa vitória de um título de Tri-Campeão num ano tão
importante, ajude também a legitimar o projeto, que ajude o Benfica a focar-se
ainda mais dentro de portas e a ignorar o ruído que vem de fora.
A
resposta, como aqui sempre disse, tinha de ser dada dentro do campo.