“Irá ter uma boa relação com a banca credora? Certamente. E o que os bancos credores querem é uma direcção que negoceie com eles, olhos nos olhos, porque significa que, finalmente, há um projecto sólido para o Sporting. Não sou nem nunca fui contra a banca, mas não aceito que pessoas ligadas à banca queiram vir mandar para o Sporting. Isso não faz sentido nenhum.
Está a falar de José Maria Ricciardi [presidente do Banco Espírito Santo de Investimento, membro do conselho fiscal de Bettencourt e candidato ao conselho fiscal da lista de Godinho Lopes]? Por exemplo. Ou uma pessoa encarna um projecto e avança para uma candidatura, ou estar sempre dentro de uma lista e nos órgãos sociais, mas sem ser a cabeça, é estranho. Não se pode estar sempre imiscuído dentro de listas, a fingir que não se tem nada a ver com a coisa, para depois o Sporting levar sempre este rumo de reestruturações que não o fazem ser campeão.”
- Bruno de Carvalho a 25/03/2011 ao “Público”.
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As eleições no Sporting interessam aos sportinguistas, mas a partir do momento em que se nota o regresso da “Geração Roquette” ao controlo dos destinos do Sporting, penso que interessa a todos os adeptos de um futebol português limpo não ver novamente o clube de Alvalade como muleta do FC Porto em troca de “um prato de lentilhas” como sucedeu durante os anos em que Roquette e os seus “discípulos” controlaram o Sporting.
Foi divulgado um clip não datado de José Maria Ricciardi a revelar um plano para terceiros controlarem o futebol do Sporting retirando ao clube qualquer poder de decisão.
Quer o Benfica by GB quer o Benfica Eagle abordaram o tema e com a conversa incluída.
Ora, mesmo com a questão da data da conversa em aberto, o plano de Ricciardi é real e está claramente em marcha tendo como “cavalo de Tróia” para a sua concretização…Bruno de Carvalho.
O actual presidente do Sporting foi eleito com a prerrogativa de trazer de volta o clube às mãos dos sócios, retirando do poder sucessivos presidentes e elites que endividaram o Sporting.
Foram as medidas que retiravam mordomias e eliminação de lugares na estrutura empresarial pagos a peso de ouro e a tão falada renegociação da dívida do Sporting com a Banca. Tudo parecia correr bem a Bruno de Carvalho…até ao final da temporada de Leonardo Jardim em que veio a público a vontade do atual treinador do Mónaco se colocar a milhas de BdC.
A partir daí nota-se que Bruno de Carvalho despiu a capa de “sportinguista apaziguador e unificador do clube” e surgiu o presidente irrascível, incendiário e que hostilizava tudo e todos, dentro e fora do Sporting.
Veio a temporada de Marco Silva em que ainda na primeira parte da temporada o treinador que venceu a Taça de Portugal é arrasado publicamente por BdC e pelos seus lacaios, deitando por terra qualquer hipótese de o Sporting lutar pelo título.
Entretanto chega a “era Jorge Jesus” em que todos os custos disparam, as contratações caras e falhadas multiplicam-se e em que o Benfica, ao contrário do que a história explica(mesmo para totós), torna-se o alvo preferencial de BdC.
Resultado? Rui Vitória, acabado de chegar, faz um campeonato histórico e é campeão na sua primeira vez num grande arrasando o “mestre da táctica”.
E é na ausência de títulos da temporada passada que reentra na equação Ricciardi e os “Roquettes”. Sem mais financiamento de Álvaro Sobrinho, com o “machado” da Doyen no pescoço e com as receitas quase todas hipotecadas, BdC precisava de garantias de financiamento para a corrente temporada.
Sem contactos na banca ou qualquer peso empresarial no país, BdC teve que se entregar a Ricciardi. Em troca mantém a sua única fonte de rendimento(o lugar de presidente da SAD) mas abre caminho para o Sporting se tornar um novo Belenenses em que a gestão do futebol serve interesses que não os do clube e tornaram o Belém num clube irrelevante.
Não deixa de ser irónico que Bruno de Carvalho, para salvar o tacho, se torne aliado e serviçal daqueles que supostamente retirou do poder nas últimas eleições do Sporting.
Não sei se Madeira Rodrigues é ou não o homem certo para dar ao Sporting aquilo que os (verdadeiros) sportinguistas desejam. Nem sequer vou dizer que Bruno de Carvalho é um Vale e Azevedo à maneira do Campo Grande.
O que sei é que o Sporting este ano, fruto das opções erradas de Bruno de Carvalho a roçar a “auto-sabotagem”, voltou a estar longe do FC Porto e relegado para segundo plano. Resultado? O FCP está aí novamente em força a lutar pelo título com todos os seus métodos sujos.
O Sporting não concorre ao “espaço” do Benfica. É o que a lagartada cega não atinge. E por isso são parte fundamental na constante “ressureição” do FC Porto.
Será que esta temporada teria que correr mal para justificar a alienação do controle do futebol do Sporting?
Será que Bruno de Carvalho não esperava concorrência na corrida nas eleições do Sporting?
Será que Madeira Rodrigues é o homem certo ou outro lado da mesma moeda?
Os sportinguistas e os lagartos que respondam nas urnas.

