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sexta-feira, 10 de março de 2017

Entrevista a Rui Costa (Jornal de Negócios)

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Rui Costa: "Foi o presidente do Benfica que disse que eu um dia seria o seu sucessor" 

O director desportivo do Benfica, Rui Costa, explica assim a ligação do clube ao empresário Jorge Mendes: "é uma questão de os melhores clubes do mundo trabalharem com o melhor do mundo".
Rui Costa: "Foi o presidente do Benfica que disse que eu um dia seria o seu sucessor"
   


Ambiciona ser presidente do Benfica?
Isso é uma coisa que me é dita desde que entrei para director. Essa pergunta e essa frase que as pessoas dizem, que honestamente é algo que me deixa contente porque é sinal de confiança em mim, vieram do nosso presidente. Foi ele que um dia disse que eu seria o seu sucessor. Não é uma coisa que se pondere neste momento. Acho que todo o benfiquista, toda a gente que gosta de alguma coisa, sonha um dia ter o cargo mais alto dessa mesma coisa. É normal. Mas não é uma coisa que se possa pensar neste momento. Primeiro, porque temos um presidente que está a conduzir o clube com os resultados que estão à vista e não há como duvidar do projecto e do trajecto que tem sido feito. Não há que pensar numa mudança porque ninguém a quer. Depois, porque estou tão envolvido naquilo que tenho de fazer, de forma a contribuir para o sucesso do Benfica, que não posso pensar num horizonte de 40 anos quando este presidente já não o for.


O amor à camisola ainda existe?
Existe.

Neste momento, há jogadores no Benfica que ainda têm amor à camisola?
As pessoas confundem muito o que é o amor à camisola. Amor à camisola é representar com toda a nossa força o clube em que estamos a jogar. Eu não posso pedir a um estrangeiro que chega ao Benfica este ano que tenha o mesmo sentimento pelo clube que eu tenho. Isso deixou de existir.


As pessoas confundem o lado emotivo com o profissional.
Exactamente. Eu representei profissionalmente quatro clubes, o Fafe por empréstimo, o Benfica, a Fiorentina, o Milan e voltei ao Benfica. E, se há coisa de que me orgulho mesmo muito, é de hoje ir a Fafe e ser visto como um dos meninos que passou por lá e talvez ter o título maior de todos os jogadores que por lá passaram que é o de campeão do mundo de sub-20. Representei o Benfica e a ligação que tenho ao clube é esta, representei a Fiorentina e, se for hoje a Florença, tenho a certeza de que serei bem recebido, e da mesma forma em Milão. Onde é que quero chegar com isto? Eu, pelo facto ter chegado à Fiorentina sem nunca ter ouvido falar do clube, deixei de o representar bem? Isso é amor à camisola ou não? Amor à camisola tenho pelo Benfica, porque se não estiver a jogar vou para a bancada com a bandeira. Mas deixei de ter o mesmo comportamento com a Fiorentina que tive com o Benfica? Ou com o Fafe? Ou com o Milan? Não, e é por isso que sou bem recebido lá. Se for a qualquer destas casas, tenho as portas abertas. Quando uma equipa não ganha, o adepto vai buscar muito o amor à camisola e diz que no passado é que havia esse amor. Então vamos por outro lado. No passado, havia as transferências para o estrangeiro? Então, se calhar, o máximo era aquilo. É muito subjectivo estar a falar do amor à camisola porque há duas reacções que os adeptos têm quando a sua equipa não ganha: é falta de amor à camisola e é "os jogadores não correm". Isto é a primeira coisa que salta ao adepto de bancada e eu mostro dados de jogos do Benfica onde perdemos, em que os jogadores correram bem mais do que em jogos que ganharam. Repito. Não posso exigir a um estrangeiro que chega hoje ao Benfica o mesmo sentimento pelo clube que eu tenho, porque eu nasci cá dentro. A única coisa que posso e tenho de exigir é que eles tenham o maior respeito pela sua profissão e pelo clube que estão a representar e que dêem tudo por isso.




Enquanto director desportivo, qual foi o jogador que lhe custou mais perder?
Esta é a minha nona época como director e tivemos o privilégio e alegria de ir buscar grandes jogadores mas, pelo sucesso do clube, também tivemos aqueles dias em que tantos desses excelentes jogadores tiveram de partir por questões financeiras relacionadas com o clube ou com o próprio jogador. Há um pelo qual eu tenho um carinho especial, os outros não me levam a mal por isso, que é o Aimar. A alegria que senti a vê­-lo chegar..., até porque era o meu sucessor aqui enquanto camisola… Procurei escolher um sucessor à altura e quis, a todo o custo, que no ano em que eu deixasse de jogar a minha camisola fosse para um jogador de nível, tão bom ou melhor do que eu, e a escolha de toda a estrutura recaiu em Aimar. Lá está. Não podia pedir a Aimar que tivesse o mesmo amor que eu ao Benfica, mas tenho a certeza de que ele, até partir, deu tudo o que tinha por este clube. Isso é representar um clube, tanto pessoalmente com profissionalmente.


Mas o Aimar acabou por se reformar e houve outros que saíram no apogeu.
Há uns que não deviam começar a carreira e outros que não se deviam reformar… O Aimar era um daqueles que nunca se devia reformar. E que guerra a gente às vezes tinha, o Aimar hoje não está em condições, está machucado… ponha-me o Aimar em campo que ele, machucado, dá espectáculo na mesma. É um daqueles jogadores que transmite algo que outros não conseguem. Depois, temos feito subir à equipa jovens de grande talento e que – porque, infelizmente, Portugal é um país vendedor – duram pouco tempo cá. E não é só no Benfica que isso acontece. É o normal no futebol português e é uma pena, porque só temos oportunidade de ver durante pouco tempo esses talentos no nosso país.


Por falar em transferências, a ligação do Benfica ao empresário Jorge Mendes é inevitável?
Fala-se tanto do Jorge Mendes. O Jorge Mendes ganha os prémios de melhor empresário do mundo e trabalhar com os melhores do mundo é sempre uma vantagem. Não é uma questão de ser evitável ou inevitável, é uma questão de os melhores clubes do mundo trabalharem com o melhor do mundo.

Acha que o Benfica tem tirado vantagens por trabalhar com ele?
Obviamente.


O Sporting e o Porto são rivais ou inimigos?
São rivais. Eu vivi sempre o desporto com uma intensidade tremenda, mas sempre a ver a situação desportiva. São dois clubes que procuram anualmente o mesmo que nós e nunca tive inimigos nem num lado nem no outro.


O futebol italiano teve um período de apogeu e depois enfraqueceu. Este envolvimento em que os clubes estão, por um lado o "fair-play" financeiro, por outro as diferenças evidentes de orçamento que existem, como é que esta história vai terminar? Será na tal Superliga europeia?
Há que ter algum cuidado com essa Superliga europeia. O nosso presidente, ainda há pouco tempo, referiu isso e eu vou fazer eco da voz dele. Os clubes portugueses e não só, também os países da dimensão de Portugal em termos de futebol, terão de ter atenção a esta liga europeia, saber como ela é criada e em que moldes. É um risco que o futebol português corre. Espero que os países como Portugal, a Holanda e a Grécia, por exemplo, possam ter a mesma oportunidade que outros de lutar por esses objectivos e não serem quase excluídos das competições principais. Quanto ao futebol italiano, teve uma quebra grande em termos financeiros, um pouco pelo aparecimento dos novos ricos ingleses e de outros clubes como o Paris Saint-Germain. E onde se consegue perceber a quebra do futebol italiano, além de ter diminuído a fornalha de bons jogadores italianos em termos qualitativos e quantitativos, é constatar que, até aos anos 2000, a imagem que se tinha era esta: Espanha e Inglaterra ficam com os estrangeiros que Itália não quer, salvo raras excepções como Real Madrid, o Barcelona ou o Manchester United. Hoje é ao contrário. Todos os que são Bola de Ouro vão para Espanha ou Inglaterra. E onde se percebe que algo se está a passar é quando o Zidane sai da Juventus para o Real Madrid. O Zidane era Bola de Ouro, era quase impensável, fosse por que dinheiro fosse, um clube italiano perder um jogador para uma liga concorrente. Depois mete-se o "calciocaos", a Juventus na segunda divisão, as duas milanistas com menor fulgor e começa a perceber-se a queda do futebol italiano. Não penso que seja duradoura e creio que Itália vai procurar esta igualdade novamente. Não é um processo fácil, a menos que comecem também a surgir investidores no futebol italiano, mas acredito que este fosso não irá durar muito tempo.


Como é que um jogador se sente enquanto bem transaccionável?
Não gosto muito de usar a expressão "vamos vender este ou comprar aquele". Gosto mais de "vamos transferir o jogador A ou B", do que "vamos comprar ou vender", porque o jogador não é carne humana. Tem de haver algum respeito por isso. Mas, no fundo, trata-se de uma linguagem simplista e não de uma linguagem ofensiva. Até porque, no momento em que uma equipa está a pensar numa transferência, o jogador também está. Nem sempre se chega a consensos, por vezes o clube quer uma transferência que o jogador não quer ou o contrário, nem sempre é fácil, mas há que encarar isso como fazendo parte da nossa profissão. O clube tem de escolher aquilo que acha ser melhor para si, seja fazer a aquisição, a cedência ou a transferência de um jogador, e o jogador, nesse preciso momento, também está preocupado em saber qual é o seu o futuro.

7 comentários blogger

  1. Rui Costa um dos nossos que alguns não sabem ou não querem reconhecer o excelente trabalho que ele tem desenvolvido em prol do Benfica como dirigente, pois enquanto jogador já tinha dado muito em termos desportivos quer económicos. Acredito e reconheço qualidades suficientes para que na altura certa Rui Costa possa vir a ser presidente do Benfica, pois ainda tem caminho a percorrer em várias valências na gestão de uma instituição como o Benfica, mas sem dúvida que se rodear de recursos humanos altamente preparados e qualificados... podemos ter um excelente Presidente.

    3 º Anel

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  2. Fui, sou e serei sempre fã do Rui Costa.
    Quanto à promessa do Vieira para ser seu sucessor, duvido que se realize.
    Vieira terá outras prioridades na sucessão. Mas não te amofines Rui, porque, é como dizia o outro; "no futebol o que é verdade hoje, é mentira amanhã"

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    1. A "promessa" de LFV a Rui Costa, não é mais que um desejo e mesmo as alegadas prioridades que o presidente do Benfica possa ter em relação à sua sucessão só terão alguma vez lugar se os sócios alguma vez assim quiserem. É é bom nunca esquecer que quem tem poder de eleger o Presidente do Benfica clube são os votos dos sócios do Benfica clube, que detém a maioria do capital da Benfica SAD e o poder de eleger o presidente do conselho de administração da mesma. Gostes-se ou não de LFV, este só é presidente do Benfica, porque os sócios assim o têm elegido.

      3 º Anel

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    2. ´Mas ó 3º. anel;
      Está tudo controlado. A golpada dos estatutos dá a LFV poderes para mandar e desmandar. É o DDT (dono daquilo tudo)
      Os "votos dos sócios" aquando das eleições são uma formalidade. Quem tem 50 votos das casas, (mesmo que o Presidente da casa tenha um ou dois anos de sócio) tem as eleições na mão. LFV só sai, quando quiser. Desde que seja um ganhador, ok? O pior é a dívida que nunca mais leva um real pontapé no traseiro.
      Na entrevista da CMTV perguntaram-lhe sobre o poder "dinástico" no Benfica, na pessoa do seu filho Tiago. Como é que os jornalistas da CMTV sabiam disso? Não há fumo sem fogo....

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    3. O que estas a dizer nao tem logica nenhuma,ninguem e eleito so com os votos das casas,isso e conversa dr quem ainda hoje nao consegue reconhecer o Grande Homem que e LFV.Rui Costa se quiser ira ser Presidente do nosso grande amor,basta ele se candidatar.

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  3. O Rui Costa sempre foi um ídolo de infância e merece todo o meu respeito mas no dia em que no Benfica passar (se passar!) a ser uma dinastia estaremos muito mal.

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    1. Subscrevo. Esta lógica de sistema profissional burocrático em que tudo está previamente delineado, cristalizado e mecanizado é muito útil para todos as áreas técnicas do clube, p.e. scouting, mas muito perniciosa para as áreas políticas/afectivas/emocionais como sejam os elementos dos órgãos sociais.A excessiva profissionalização do Benfica pode dar cabo da ligação ao clube. Toda a gente gosta do Rui, mas ele que apareça primeiro para escrutínio e diga o que quer fazer do Benfica. O Benfica nunca foi de um gajo só, para o bem e para o mal, ou querem os associados só para pagar quotas??!!

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