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quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

O Football Leaks, Rui Pinto e o "medinho"...

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Parece que tanto o meu post "Os Leaks selectivos" como o do Benfica By GB "A narrativa da vergonha nacional!" tocaram nos pontos chave desta temática.

O segredo que envolve as informações do "Football leaks" visa proteger acima de tudo outros que não o SL Benfica ou até Vieira.

Protegem FC Porto e Sporting CP de serem completamente esventrados perante as suas massas adeptas, mas não só.

Protegem também quem anda a enriquecer ilicitamente à custa do futebol e da paixão dos adeptos. E nisso, a abrangência é muito grande, ao contrário do que possam pensar.

Daí que todo o mundo do futebol não está interessado em que se saiba o que se passa na obscuridade dos seus gabinetes.

Também concordo com algo fundamental: Rui Pinto não é um "whistleblower" mas sim um criminoso e que só ele saberá com que intenções começou a invadir tudo o que podia. Assim que começou a vacilar e a cometer erros, aproveitou essa figura criada para se tentar apanhar os criminosos de colarinho branco.

Só que não há como a justiça não olhar para o que Rui Pinto tem nas mãos. Como já foi mencionado várias vezes, por toda a Europa autoridades judiciais e fiscais não se importaram com a forma como lhes deram informações mas sim em averiguar se eram verdadeiras...e eram!

Por isso, só em Espanha, assistimos a processos de milhões resultados de várias informações anónimas enviadas a essas autoridades. Mas não só aí. 

Em Portugal, assim como no caso das escutas de Armando Vara com José Sócrates, acredito que a intenção da justiça vigente não é investigar o que se passou ou passa mas sim perceber o que lá está e mandar destruir, como fez o antigo presidente do STJ.

Por isso, enquanto não conseguem entrar nas encriptações de Rui Pinto, ficam de mãos atadas. O que duvido é que Rui Pinto tivesse só ali toda essa informação.

Daí que tenho a convicção que Rui Pinto fica em prisão preventiva por receio por parte do Estado e da Justiça. Acredito que têm medo que, estando em liberdade, Rui Pinto possa fugir para algum país sem acordo de extradição e a partir de lá coloque cá fora tudo o que queira. 

Não é por acaso que só partiram para a sua prisão a partir do momento que há ataques informáticos a sociedades de advogados que gerem os principais negócios deste país.

Não vejo razões, além destas, para que se mantenha em prisão Rui Pinto e se deixe à solta quem levou o país à bancarrota e destruiu milhares de empresas e vidas com a sua gestão danosa.

Por mim, sei que mesmo que nos Football Leaks estivessem informações graves contra o SL Benfica, o clube resistiria facilmente a uma temporada na Segunda Divisão.

Mas sei que tanto FC Porto como Sporting CP, nas condições financeiras em que estão, seriam arruinados caso fossem despromovidos ou sequer impedidos de ir à Europa.

Portanto, o grande "medinho" não é por parte dos benfiquistas, meus caros.

Especialmente os andrades são quem mais tem a temer com o que possa ser revelado.

Por tudo isso é que há leaks selectivos, como existiam nos tempos do "Mercado de Benfica".

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Os Leaks selectivos

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Fonte: The Black Sea

E de repente parece que afinal há certos Leaks que são legítimos. 

Os Luanda Leaks vieram excitar toda a gente esta semana. Parece que só agora é que muita gente descobriu que, se calhar, Isabel dos Santos não nasceu rica e não descobriu uma mina de ouro no seu quintal em Luanda.

Ao longo dos anos, ninguém ainda tinha percebido para que servia o EuroBic. Nunca ninguém tinha pensado porque raio o BPN tinha sido vendido ao BIC pelo mesmo ministro que agora preside à mesma instituição. 

Mas nem o carrossel de dinheiro que rodava no EuroBic nem o facto de o tal ministro ter levado o país à bancarrota ou ter tomado a decisão de vender em saldo o BPN fez ninguém questionar a sua idoneidade ou, entretanto, pensar em fiscalizar de perto as transacções financeiras no EuroBic.

Também ninguém tinha sequer entendido como a senhora em causa conseguia adquirir posições relevantes em empresas portuguesas ou de capital maioritariamente português. "É uma grande empresária", justificavam muitos.

Até tivemos um ministro que pediu desculpa ao antigo presidente de Angola, o pai da senhora, por a nossa justiça os estar a investigar e, mais que isso, por se ter sabido!

Mas pronto...agora parece que é uma novidade para todos. Ou será que não?

É oportuno lembrar que os mesmos jornalistas que aparecem agora a querer reivindicar um estatuto de justiceiros são os mesmos que ainda guardam num cofre a lista dos jornalistas que constavam na lista de pagamentos de Ricardo Salgado, o tal saco azul do BES.

Essa lista, até hoje, continua bem guardada e não há "consórcio" que lhe meta a mão.

Isto leva-me à questão deste post: há Leaks selectivos? Há.

O futebol português é um dos protegidos por essa capa jornalística. 

Mas há um erro enorme em que estão a cair muitos opinadores desde domingo passado. Tenho lido e ouvido que o silêncio em volta das informações do Football Leaks visa proteger o SL Benfica e o seu presidente. 

Mas e se o silêncio sobre o Football Leaks estiver a proteger o FC Porto ou o Sporting CP, e não só qualquer situação que possa envolver Vieira e o SL Benfica?

E se a informação do Football Leaks revelar, por exemplo, para onde foram parte das centenas de milhões em vendas de jogadores que o FC Porto fez desde 2004? 

Será que o Football Leaks indica também quantas imobiliárias andaram a fazer negócios com o FC Porto? Se calhar nenhuma ou se calhar milhentas...não sabemos.

Ou se a informação do Football Leaks explicar aos sportinguistas, por exemplo, o que os últimos 3 ou 4 presidentes do Sporting andaram a fazer com o património do seu clube? Ou quanto é que realmente custou aos cofres do Sporting a gestão Bruno de Carvalho?

É óbvio que interessa mais falar do SL Benfica, em especial aqueles que vivem o Anti-Benfica como seu primeiro clube. Como quem lê o NGB sabe bem, eu estou muito longe de ser um admirador de Vieira ou da sua gestão no SL Benfica.

Mas não sejamos ingénuos. O silêncio em volta do Football Leaks não protege o SL Benfica ou Vieira. 

Nesta altura, os mais protegidos são os clubes que delapidaram o seu património imobiliário, os clubes de espatifaram as centenas de milhões em vendas de jogadores e que estão virtualmente falidos.

Ou vamos acreditar que Rui Pinto, sendo ele a origem do Football Leaks, não tem noutro lado qualquer do mundo toda a informação que obteve e que, se quisesse, já não a tinha colocado cá fora?

Ou que os jornalistas que acederam a todas as informações sobre o Football Leaks não sabem muito mais do que disseram até agora?

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

O carrossel Jorge Mendes e os tramados Football Leaks

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Jorge Mendes e o seu carrossel estão sob investigação por toda a Europa, com destaque para a Irlanda e a Turquia onde Mendes e o seu amigo Ahmet Bulut não têm mãos a medir.

Por exemplo, como é que Talisca tem um agente chamado Carlos Leite e quer Benfica quer Besiktas pagam comissões a Ahmet Bulut, o que é proibido quer na Turquia quer pela própria FIFA.

Mais ainda: Bulut recebe do Besiktas na sua conta de empresa na Turquia e do Benfica recebe na conta no Dubai. Confusos? Não fiquem. Jorge Mendes tem isto bem controlado.

Basta olhar para os quadros acima, em especial o primeiro quadro, e nota-se que o carrossel passa sempre pelos mesmos clubes. Também fica evidente como o SL Benfica está metido neste carrossel, o que não é nada que nos surpreenda.

Olhamos ali para Simão, Manuel Fernandes, Sidnei, Bebé, Talisca...são só algumas amostras da avalanche Mendes que tem no SL Benfica a sua principal fonte de rendimentos ou não tivesse Jorge Mendes, palavra de Vieira, 10% em todos os negócios de compra e venda de jogadores do clube.


Para finalizar, adivinhem para onde foi emprestado esse craque chamado Filipe Augusto, agenciado pela Gestifute? Para o Alanyaspor.

Clube investigado por valores pagos a intermediários não registados legalmente na federação do país. Ou seja, valores colocados a descoberto pela investigação Football Leaks.

Quem quiser ter uma ideia do carrossel Mendes pode consultar os links:




Aconselho ainda a leitura do The Black Sea 4 para entenderem como Hugo Almeida se tornou um exemplo do desastre que foi para os clubes turcos a "Portuguese Wave" promovida por Jorge Mendes.

A maior preocupação? O SL Benfica está no centro disto juntamente com Atlético Madrid, Valência, Mónaco, os turcos, etc.

Por isso é que Jorge Mendes deve MUITO ao SL Benfica. Mais do que alguma vez conseguirá pagar ou compensar. 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Football Leaks: os truques sujos de Doyen Sports. Parte IV.

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(continuação do post Football Leaks: os truques sujos de Doyen Sports. Parte III.)

O médio franco-argelino Yacine Brahimi cresceu na França e iniciou a sua carreira sénior com Rennes antes de se transferir para o clube espanhol Granada em 2012, assinando um contrato permanente com os espanhóis em 2013.

No Verão de 2014, o FC Porto anunciou que tinha comprado o jogador por 6,5 milhões de euros. Na realidade, o Brahimi custou ao FC Porto 9,5 milhões de euros, dos quais oito milhões foram pagos pela Doyen Sports em troca de uma participação de 80% no jogador.

A Doyen Sports tinha comprado em segredo a participação em Brahimi a outro investidor, o que evitava uma comissão para o Rennes que, segundo Lucas, tinha "uma parte no lucro da futura transferência". O FC Porto pagou uma comissão de 500.000 euros para a conta da empresa Denos, da Doyen Sports, no Dubai. Porque Lucas não tinha uma licença de agente, foi seu colega Juan Manuel López que assinou os documentos do contrato.

No ano seguinte, em 29 de julho de 2015, Lucas organizou o pagamento secreto de 1,5 milhões de euros para Brahimi, via Denos.

"Brahimi é a nossa prioridade, mesmo porque pode acontecer um acordo neste verão!", Escreveu Lucas. A natureza do negócio não era clara. Poucos dias depois, no dia 4 de agosto, Lucas estava preocupado que o processo de pagamento estava demorando muito. "Isto está pago?", Ele escreveu. "Preciso dessa transferência hoje[...] Jogador quer falar com o clube e vai ser embaraçoso para mim."

O dinheiro foi finalmente transferido em 10 de agosto. Um mês mais tarde, Brahimi renegociou com sucesso o seu contrato com o Porto e que resultou que o FC Porto comprou os seus direitos de imagem por quatro milhões de euros.

Lucas recebeu 500.000 euros em pagamento de comissão do Porto, que foi enviado para Vela, através da sua conta bancária no Liechtenstein. Vela recebeu também um mandato para a venda futura de Brahimi, junto com uma comissão de 10 por cento sobre qualquer soma. Foi uma solução “criativa”, já que Lucas chefiou a Doyen Sports, que detinha uma participação de 80 por cento em Brahimi.

Para Doyen Sports, parece que não há lucro que deva ser ignorado. 

O defesa do Porto, Sergio Oliveira, foi libertado por uma transferência livre pelo seu clube para passar para um modesto lado português. 

Mas em janeiro de 2015, pouco depois de a Doyen Sports ter começado a representar o jogador, o FC Porto decidiu contratá-lo de volta com a ajuda financeira da Doyen Sports.

O processo estava marcado por um conflito de interesses, porque a Doyen Sports era o agente de Sergio Oliveira, que também detinha uma participação de 25% no jogador que tinha comprado por 500.000 euros ao FC Porto, ao passo que Lucas recebeu uma comissão de 300.000 euros como agente do FC Porto .

Uma vez que a lei portuguesa proíbe uma pessoa ou empresa de representar mais de uma parte num acordo de transferência, Lucas recorreu ao maltês Kevin Caruana, que deu a cara pela comissão de 300.000 euros (a pagar via Vela). Caruana recebeu 2.000 euros pelos seus serviços. Pouco tempo depois, Caruana escreveu a Lucas para pedir-lhe que "me apresentasse às pessoas do FC Porto", as mesmas pessoas que ele deveria ter conhecido no negócio de Sergio Oliveira.

A decisão da FIFA de proibir os negócios de TPO, que entraria em vigor em maio de 2015, era naturalmente indesejável para a Doyen Sports. A proibição impede qualquer um que não sejam clubes de deter uma participação nos direitos económicos de um jogador.

"These cocksuckers want to bash third party ownership continually", escreveu Arif Arif sobre jornalistas críticos do sistema TPO. 

Em novembro de 2014, um mês antes que os representantes da FIFA votassem sobre a então proposta proibição dos negócios de TPO, houve um pico de atividades na Doyen Sports. Lucas enviou uma nota ao seu pessoal insistindo na urgência de fazer negócios enquanto o tempo permitia, citando três jogadores, um brasileiro e dois espanhóis, em quem ele queria comprar uma participação.

"Agora está chegando um momento que afetará negativamente nossos negócios, já que os negócios que estamos fazendo provavelmente serão proibidos", escreveu ele. "[...] Portanto, devemos nos concentrar em fazer novos negócios agora, O MÁXIMO QUE PODEMOS."

Depois que a proibição da FIFA foi introduzida em maio de 2015, que começou com um período de transição, Lucas tentou em vão comprar em nome pessoal 25 por cento do meio-campista francês Gilbert Imbula durante a transferência deste último de Marselha para o FC Porto. A Doyen Sports, entretanto, tentou comprar jogadores em divisões inferiores.

Em novembro de 2015, seis meses após a entrada em vigor da proibição da FIFA, a Doyen Sports comprou participações de dois jogadores do Cadiz, com um custo total de 1,5 milhões de euros. Os parceiros do negócio concordaram com uma cláusula pela qual a venda das participações compradas só seria validada se e quando a proibição da FIFA fosse anulada. Até então, o dinheiro que era pago serviu como um empréstimo.

Porque só os clubes são agora autorizados a manter uma participação nos jogadores, Lucas insistiu em comprar uma participação nos clubes, com o objetivo de receber sempre uma parte da transferência quando o clube vende um jogador. 

Em julho de 2015, ele tentou comprar uma participação no clube espanhol Granada através de uma das empresas holandesas a seu serviço no que ele chamou de um ambiente livre de impostos.

"Tenho que fechar urgentemente com Granada e preciso da estrutura", escreveu Lucas aos seus advogados em 15 de julho de 2015. No final, o clube espanhol preferiu um acordo com investidores chineses. 

Lucas também se envolveu com uma tentativa prolongada do tailandês Bee Taechaubol para investir no clube italiano AC Milan. 

Depois de meses de negociações, em maio de 2015, o Taechaubol apareceu na véspera de comprar 48 por cento da empresa Fininvest do ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi. Taechaubol nomeou a Doyen Sports como conselheiro para o negócio. 

Parece provável que o envolvimento de Doyen Sports foi o resultado da amizade de Lucas com Adriano Galliani, vice-presidente do clube, e cuja filha é empregada da Doyen Sports. 

A 10 de junho de 2015, Taechaubol publicou uma foto em sua conta Instagram mostrando Lucas e Galliani apertando as mãos num jato particular, ao lado da legenda: "Construindo juntos sob a orientação do Presidente." Mas o negócio acabou por cair. 

Apesar de Bee Taechaubol insistir que ele permanece na licitação, Berlusconi aceitou este verão vender o clube a um grupo de investimento chinês num acordo ainda a ser finalizado.

Em novembro de 2015, a Football Leaks publicou detalhes de um acordo de TPO entre a Doyen Sports e o clube holandês FC Twente. A revelação do acordo secreto resultou na proibição do clube participar nas competições europeias por parte da associação de futebol holandesa por três anos, enquanto o clube foi também multado em 170.000 euros pela FIFA. 

Enquanto isso, Doyen Sports tenta bloquear legalmente a proibição de TPO, mas até agora não conseguiu.

Football Leaks: os truques sujos da Doyen Sports. Parte III.

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(continuação do Football Leaks: os truques sujos da Doyen Sports.Parte II.)

Uma das viagens, no final do verão de 2015, foi particularmente rentável. Em 26 de agosto de 2015, Lucas viajou para Madrid com uma mulher loira chamada Sabina para a assinatura da transferência do médio espanhol Asier Illarramendi do Real Madrid para a Real Sociedad. Cinco dias depois, Sabina viajou para Marselha com Lucas e o defesa português Rolando, para onde seria transferido vindo do FC Porto. 

Lucas procurou a companhia das mulheres para seu interesse pessoal? Eles ajudam a reforçar seu status durante as negociações? Ou eles são colocados à disposição de seus parceiros de negócios, como no caso de Miami com o presidente da Real Madrid? Ele não respondeu. 

Enquanto Nelio Lucas parece não ter dificuldade em encontrar mulheres, Arif Arif, entretanto, parecia ser um cliente compulsivo de prostitutas, incluindo uma que ele descreveu como uma "18 year old blonde, so tender and fresh".

O assunto das prostitutas é discutido abertamente pelos dois gestores da Doyen Sports: "Seria bom se você pudesse me dar aquelas 2500 libras esterlinas, I paid the bitches!!!", escreveu Lucas a Arif em julho de 2013.

Arif Arif parece disposto a trazê-las do leste da Europa, através de dois intermediários, um dos quais é um primo. Em trocas de mensagens sobre o assunto, ele usa cuidadosamente as palavras "futebolistas" e "jogadores", como nesta mensagem: "Organize futebolistas agora. Não perca tempo, vamos acabar como a noite passada sem nada !!!! "

Isto foi respondido três horas mais tarde com uma foto de uma mulher. O intermediário informa que ele vai participar de um "grande elenco neste fim de semana", organizado pelo gigante russo Gazprom.

Arif Arif usou sua rede para encontrar as mulheres que Lucas usou em seus negócios?
A família Arif não responde a perguntas. Por intermédio de seus advogados, a família disse: "Partes essenciais de suas perguntas são baseadas em suposições falsas e / ou preocupam questões protegidas pelos direitos pessoais das pessoas nomeadas".

A partir do outono de 2013, Nelio Lucas decidiu usar fundos ocultos em três empresas com sede nos Emirados Árabes Unidos (EAU), incluindo a capital Abu Dhabi e Ras al-Khaimah.

A Doyen Sports devia injectar 10,8 milhões de euros de comissões secretas para as empresas, chamadas Denos, Rixos e PMCI. Os documentos contidos no Football Leaks não revelam a quem o dinheiro foi destinado no final da cadeia, mas eles fornecem várias pistas.

O primeiro dos grandes negócios pelas comissões envolvidas refere-se ao internacional belga e jogador do Manchester United Adnan Januzaj.

Em fevereiro de 2014, a Doyen Sports comprou metade da empresa que administrava os direitos de imagem da Januzaj, por um pagamento de 1,5 milhão de euros e um segundo pagamento de 500 mil euros que transita via Denos com um contrato de "consultoria" falso e uma factura falsa. Em um email enviado por Lucas, este foi descrito como "pagar Januzaj", no que parecia ser um movimento para dar ao jogador um pagamento de bonus através de estruturas offshore.

Em 22 de maio de 2014, um advogado que representava Januzaj escreveu a uma colega de Lucas para reclamar: "O pagamento ainda não foi recebido. [...] Agora o pai está realmente a ficar nervoso. "

No verão de 2014, o sistema tornou-se mais freqüente. Lucas exigiu que dez por cento dos lucros de cada transferência de jogadores fosse pago via Denos no Dubai. O pagamento da primeira comissão secreta, de 1,3 milhões de euros, diz respeito à venda para o Mónaco no verão de 2013 do médio francês Geoffrey Kondogbia e também do avançado colombiano Radamel Falcao.

Lucas explicaria que a transferência era para pagar "as pessoas que precisamos para compensar" e que "não poderia fornecer ou não querem fornecer papelada". Ele acrescentou que tinha prometido aos destinatários isso, mas que eles estavam a perder a paciência ao ter que esperar para receber os pagamentos.

"Não podemos demorar mais", escreveu ele. Arif Arif queria saber mais sobre as identidades dos beneficiários, mas seu pai, Tevfik Arif, um dos quatro irmãos que controlam o grupo Doyen, disse-lhe "para ficar fora disso".

Tevfik Arif ordenou que seus contabilistas libertassem o dinheiro, apesar da preocupação de que nenhum contrato fosse entregue.

Um mês depois, os fundos secretos serviriam para o desbloqueio de uma grande operação. 

Em Agosto de 2014, o clube inglês Manchester City comprou o defesa-central francês Eliaquim Mangala do FC Porto por 45 milhões de euros, o que foi um recorde para um defesa. 

Foi também para dar à Doyen Sports o seu retorno mais rentável num investimento TPO. Com uma participação de 33 por cento em Mangala, a Doyen Sports ganhou dez milhões de euros no negócio, que era quatro vezes o preço que pagaram pela percentagem.

Então, no dia 2 de setembro, apenas cinco dias depois de receber o dinheiro, Lucas escreveu ao gestor bancário da Doyen para providenciar que dois milhões de euros fossem transferidos para a PMCI em Abu Dhabi. Isso representou 20% do lucro obtido com a transferência de Eliaquim Mangala, o dobro dos dez por cento habituais que foram transferidos ilicitamente do exterior.

Como justificativa para a transferência bancária, Lucas enviou ao gestor bancário da Doyen um contrato não assinado segundo o qual a PMCI havia realizado trabalhos de consultoria para a transferência de Mangala. Mais uma vez, o beneficiário da soma permanece um mistério.

(continua na parte IV, às 11h.)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Football Leaks: os truques sujos da Doyen Sports.Parte II.

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Em 2013, Arif Arif foi à procura de casa em Londres. - Encontrei uma boa - disse a Lucas. - Quero lhe mostrar. Feita à medida para orgias."A que Lucas respondeu:" Oh sim !!! " 

As suas mensagens de texto no WhatsApp sugerem que, para eles, os jogadores de futebol são apenas vacas de fazer dinheiro. Em 2014, Arif enuncia para Lucas os seus jogadores/clientes convocados naquele ano para o Campeonato do Mundo no Brasil. 

"Mangala, Promes, Defour, Januzaj, Xavi, Falcão, Rojo, Negredo, de Gea ... Doyen Sports niggas going to World Cup!" Quando a seleção brasileira de Neymar passou às meias-finais, Arif escreveu a Lucas: "Neymar bitch. Nigga making us money."

Os comentários sobre os jogadores se tornam particularmente desagradáveis ​​se um jogador de futebol escolheu seus próprios interesses antes dos da Doyen Sports. 

Um dos casos foi o atacante colombiano Radamel Falcao que, também no verão de 2013, mudou-se do Atlético Madrid para o Mónaco, uma transferência promovida por Jorge Mendes. 

A transferência foi de 43 milhões de euros, o que deu à Doyen, com uma participação de 33% no jogador, um lucro de 5,3 milhões de euros. Mas Lucas aparentemente esperava maiores retornos de Falcao. "Ele foi para Mónaco aquele cabrão", escreveu Arif, antes de insultar a mãe do jogador colombiano e concluir: "Sua carreira está acabada. [...] Ele vai acabar pagando impostos em França."

Para a Doyen Sports Investment, parece que “imposto” é uma palavra muito desagradável. 

A empresa está sediada em Malta, dando-lhe uma base respeitável na União Europeia, ao mesmo tempo que oferece o atraente compromisso de um regime de impostos simples e segredo comercial. Nelio Lucas possui duas empresas offshore registadas lá, escondidas atrás de testas de ferro. 

Um deles é WGP, que detém os 20 por cento em Doyen Sports, que lhe foram oferecidos pela família Arif. O segundo, chama-se Vela e tem uma conta bancária no Liechtenstein, e lida com os 900.000 euros anuais que remuneram Lucas e seus colegas. 

O português também tem uma conta no banco do Crédit Suisse em Zurique. A razão, nas suas próprias palavras, é "para que ninguém divulgue nada sobre nós". 

Nelio Lucas recebeu uma participação de 20 por cento na Doyen Natural Resources, uma das empresas do grupo no Panamá, que possui através de uma empresa-mãe nas Ilhas Virgens Britânicas. Quando não estava comprando futebolistas, Lucas viajou para negociar acordos de mineração no Brasil, na Serra Leoa e em Angola, três países cheios de corrupção. 

"Acha que eu deveria suborná-los ???", perguntou a Arif numa mensagem sobre os negócios no Brasil. "Sim mano", veio a resposta. O negócio desmoronou aparentemente depois que a outra parte tentou subornar Lucas.

Mas a especialidade de Lucas era, acima de tudo, ofertas de TPO(Third-party ownership). 

A Doyen Sports agiu como uma espécie de usurário no mundo do futebol, obtendo taxas de juros proibitivas para os clubes em crise financeira e que são forçados a vender suas jóias da equipa. 

O sistema era que Doyen Sports compraria a um clube uma percentagem num jogador, na esperança que seria vendido rapidamente com um bom lucro para Doyen Sports, que recebeu uma parte proporcional da transferência paga pelo clube novo. 

Oficialmente, a Doyen Sports não tem influência sobre as decisões de transferência, conforme estipulado nas regras da FIFA. Mas, na prática, era diferente. Quase todos os meios valiam a pena empregar para a Doyen Sports conseguir um acordo. 

Em agosto de 2013, Lucas organizou uma festa de sexo em Miami, numa tentativa de convencer Florentino Perez a comprar Geoffrey Kondogbia em que Doyen Sports tinha investido numa participação. 

Em 14 ocasiões entre março de 2014 e setembro de 2015, Lucas enviou mulheres jovens de Minsk, Moscovo e São Petersburgo para ajudar a resolver negócios, com os bilhetes de avião pagos por sua empresa offshore Vela. Algumas mulheres eram modelos. Outra, cujo nome é Kateryna, orgulha-se em sua conta no Twitter que ela é uma "Mulher bonita - um paraíso para os olhos, inferno para a mente e purgatório para os bolsos". 

Exceto o caso de um par de mulheres trazidas para Ibiza para dois dias de festa, Lucas usou a empresa feminina exclusivamente em viagens de negócios. Algumas juntaram-se a ele para os jogos da Liga dos Campeões, como a meia-final em abril de 2014 entre o Real Madrid e o Bayern de Munique. As mulheres também o acompanharam em viagens de negócios a Madrid, Barcelona, ​​Bruxelas e Atenas.

(continua na parte III, amanhã às 09h)

Football Leaks: os truques sujos de Doyen Sports. Parte I.

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(Nota prévia: não deixo de me surpreender com a pouca ou nenhuma atenção dada pelos jornalistas desportivos portugueses ao que vai sendo revelado pelo "Football Leaks". Não é por acaso que muitos deles apreciam os comes e bebes nos camarotes empresariais de alguns estádios). 

A 20 de Janeiro de 2014, Nelio Lucas celebrou o seu 35º aniversário de forma curiosa.

Perto dos seu escritório no centro de Londres, numa antiga igreja do século 19, Lucas hospedou 118 convidados para um jantar e festa que durou até de madrugada.

O custo da noite chegou a 195.000 euros, que ele pagou a partir de sua conta no Lichtenstein.

O evento, para o qual foram convidados amigos e parceiros de negócios, foi mais uma demonstração de força do que uma festa de aniversário.

Presentes estiveram o presidente do Real Madrid, Florentino Perez e Miguel Angel Gil, presidente do Atlético de Madrid, que deixaram de lado a sua rivalidade desportiva para brindar a boa saúde de Lucas.

Também participaram do evento o vice-presidente do Milan AC, Adriano Galliani, e a sua filha, que a empresa Lucas Doyen Sports Investments contratou recentemente, o director desportivo do Inter de Milão, bem como os directores do clube inglês Fulham, do Sporting Clube de Portugal, do clube espanhol Sevilla e o filho do presidente do FC Porto, Alexandre Pinto da Costa.

Os membros da elite do futebol estavam ao lado de oligarcas da antiga União Soviética (incluindo os proprietários da Doyen Sports), advogados suíços especializados em estruturas offshore e intermediários como o ex-agente Luciano d'Onofrio, com antecedentes criminais  de corrupção.

Os jogadores dirigidos pela empresa de Lucas também estavam na festa, incluindo o avançado Neymar do Barcelona, ​​o seu então companheiro de equipa Xavi Hernández e o defesa do Chelsea David Luiz.

Nelio Lucas tinha boas razões para sentir-se satisfeito consigo mesmo. No espaço de menos de três anos, este empresário pouco conhecido pelo público em geral tinha tornado a Doyen Sports Investment num dos maiores fundos de investimento no futebol europeu. A imprensa começava a compará-lo com Jorge Mendes.

Conselheiro de clubes, em que também actuou como agente e intermediário, Nélio Lucas gere  a comercialização da imagem de estrelas do futebol como David Beckham e Neymar, o jamaicano Usain Bolt, e o clube de futebol AS Monaco. Mas a especialidade da Doyen Sports eram os negócios de propriedade de terceiros (TPO) dos jogadores de futebol, um sistema denegrido pelo qual os direitos económicos de um jogador eram de propriedade de investidores.

A Doyen tinha investido mais de 100 milhões de euros em acordos TPO até que a prática foi proibida pela FIFA - cujo presidente Gianni Infantino comparou o sistema à "escravidão moderna" - em maio de 2015.

Os documentos contidos no Football Leaks revelam, pela primeira vez, o lado negro da Doyen Sports com empresas de fachada em Malta e nos Emirados Árabes Unidos, vastas comissões secretas pagas por facilitar transferências de jogadores, facturação falsa e contratos “martelados” e assinados  por testas de ferro.

A Doyen é o símbolo de uma realidade muito distante do que acontece no campo. Trata-se de um negócio de transferência assemelhando-se a um mercado de gado, excepto que o seu valor anual chega a quatro bilhões de euros. É um comércio onde os escrúpulos têm sido abandonados na busca de riqueza.

A história de Doyen Sports começa com um encontro improvável entre Nelio Lucas, filho de uma família portuguesa de meios modestos e filho de um empresário cazaque.

No início dos anos 2000, na Europa, actuou à margem da lei, pagando multas por evasão fiscal, conduzir sem carta e passar cheques sem corbertura.
Em Londres, ele começou a trabalhar para Pini Zahavi, que lhe ensinou o ofício. Lucas foi gestor de uma agência de modelos antes de ser contratado para lançar a Doyen Sports.

Os proprietários da Doyen Sports Investment são quatro irmãos do Cazaquistão, que agora estão localizados em Istambul, e que fizeram sua fortuna, principalmente no ramo de matérias-primas.

Em 2011, os irmãos Arif criaram uma filial londrina do seu grupo Doyen, incluindo uma divisão desportiva. Arif Arif, então filho de Tevfik Arif, de 25 anos, um dos quatro irmãos, foi encarregado de gerir o negócio londrino, dirigindo a recém-criada Doyen Sports ao lado do recrutado Nelio Lucas. Arif disse a Nelio Lucas. "Não se esqueça do nosso lema: juntos para sempre, bons e maus. Teremos sucesso e nos tornaremos bilionários ".

No seu caminho para alcançar esse objetivo, Lucas comprou um Bentley por 72 mil euros e um iate por 3,5 milhões de euros. Os dois jovens viajaram juntos para os jogos de futebol, para os luxuosos restaurantes de Londres e para passear em Ibiza, na Itália e na Riviera Francesa, onde ficaram na villa de luxo da família Arif. 

(continua na parte II, às 23h)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Football Leaks: Jovic no meio de ligações muito perigosas.

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Na informação revelada no "The Black Sea", ficamos a saber que:

Luka Jovic, com 18 anos, que custou 6,5 milhões, foi um nome referenciado directamente a Antero Henrique por Marc Rautenberg(um nome obscuro do futebol, direitos televisivos e com ligações às federações de futebol) e intermediário em transferências de futebol.

Marc Rautenberg fez referência a uma conversa de Antero Henrique com Pini Zahavi e Abdilgafar Ramadani. Se Zahavi já é um nome familiar aos portugueses, já Ramadani é, segundo o portal, associado de negócios dos irmãos Osmani conhecidos como chefes do crime organizado de Hamburgo e em outras cidades alemãs. Boa gente, portanto.

Rautenberg ofereceu uma série de jogadores romenos e sérvios ao FC Porto. Nenhum foi para lá. 2 deles assinaram pelo Apollon Limassol sem nunca irem lá sequer e depois foram parar ao Benfica(Jovic) e ao Eintracht Frankfurt.

Diz o portal: "Many players are further sold within days to clubs in western Europe, but the profit stays with the investors in Cyprus, which includes Pini Zahavi."

Ora, no caso de Jovic, a coisa fica mais interessante quando analisamos a sua "venda" ao Apollon.

A 25 de Janeiro de 2015, o Estrela Vermelha vende 70% dos direitos de Jovic ao Apollon por 1,4 milhões de euros. Além disso, o Apollon garante uma clausula que lhe garante os restantes 30% por 600 mil euros.

Mas o jogador ficou em Belgrado. Nunca jogou pelo Apollon. E a 1 de Fevereiro de 2016 assina pelo Benfica.

Ou seja: o Estrela Vermelha recebeu no máximo 2 milhões de euros por um jogador que veio directamente de Belgrado para Lisboa e o Apollon, sem que o jogador lá tenha colocado os pés, recebeu 4,65 milhões de euros pelo jogador.

O "grande" gestor do Estrela Vermelha que fez este negócio brilhante foi Zvezdan Terzic. Este senhor esteve fugido à justiça 2 anos por acusações de desfalque tendo-se entregue em 2010 e pago mais tarde uma caução de 1 milhão de euros para regressar "ao activo".

Entretanto, a irmã deste senhor é casada com um antigo guarda redes chamado Nikola Damjanac que foi contratado pelo Benfica para representar o clube nas negociações com Jovic. Por isso recebeu 100 mil euros do Benfica.

Curiosamente, Damjanac é co-proprietário da Lian Sports que entre outros representa: Djuricic, o irmão de Markovic Filip e Fejsa. Quem são os sócios de Damjanac? Rautenberg e Ramadani.

Ver o Sport Lisboa e Benfica envolvido nestes esquemas manhosos é repugnante.

Registo na FIFA, segundo o portal.


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