O jornal Expresso publicou esta notícia no sábado passado.
Ao fim de vários meses de artigos de opinião favoráveis à OPA por toda a imprensa, de opinião escrita tendencialmente ignorando conflitos de interesse, percebe-se que o artigo do Expresso veio trazer algo que mais ninguém pode deixar de observar: a OPA não tem condições para ser aprovada.
Recordo que para os leitores do Novo Geração Benfica esta "notícia" não trouxe qualquer novidade.
Publiquei neste blogue o post "E se a OPA do SL Benfica fosse no país de Madoff?"a 10 de Janeiro do corrente ano.
Nesse texto, levantei várias questões:
- É ou não verdade que, de forma coincidente em 2017, José António dos Santos adquiriu em cerca de apenas 2 meses 2,67 milhões de acções do SL Benfica SAD?
- É ou não verdade que as relações financeiras entre José António dos Santos e Luis Filipe Vieira terão já ido mais além que estas supostas compras de activos em 2017? Existe alguma espécie de “dependência” financeira recente entre o presidente da SLB SAD e o empresário?
Podem estas perguntas passar ao lado da CMVM quando José António dos Santos, com esta OPA, pode encaixar quase 15 milhões de euros?
O artigo do jornal Expresso responde parcialmente a estas questões.
Falta responder à questão sobre se José António dos Santos adquiriu activos de Luis Filipe Vieira ou das suas empresas no processo de reestruturação de 2017, como por exemplo no Brasil.
Revela também outros pormenores que levantam preocupações acrescidas como as relações entre Luis Filipe Vieira e José António dos Santos envolverem familiares directos dos dois.
Será isto um reflexo de outras operações que envolvam o SL Benfica? Participação de familiares?
Mas as questões sobre indícios de posição privilegiada de alguns accionistas não se pode limitar a um acionista.
O que levou a Quinta de Jugais, um empresa de Cabazes de Natal, a investir em 2018 numa posição qualificada na SL Benfica SAD com 460.926 acções, quando os seus resultados líquidos publicados também em 2018 não passavam dos €1.272.930?
Que informação ou “feeling” tiveram os donos da empresa para tal investimento quando a SLB SAD nunca pagou dividendos ou nunca apresentou uma evolução de cotação que pudesse dar perspectivas de qualquer retorno?
A OPA, a ser concretizada, dará à Quinta de Jugais cerca de 2,3 milhões de euros. Quase o dobro do seu resultado líquido. Isto não levanta questões a ninguém?
O que pode explicar o silêncio e ausência de posição por parte do Conselho Fiscal do SL Benfica, da SL Benfica SAD ou da SL Benfica SGPS? O que estão lá a fazer? São ou não independentes?
Como pode haver silêncio quando se oferecem quase 15 milhões de euros de prémio?
Se olharmos com atenção para o histórico de cotações, verificamos que a acção da SLB SAD só ultrapassou a fasquia dos 2 euros na segunda metade de 2018. Até lá, e nos últimos 5 anos (como amostra) a acção da SLB SAD raramente tinha passado de 1,5 euros. Aliás, a média ronda o 1,25 euros com várias vezes a cotar abaixo de 1 euro.
Ora, olhando para estes números, para o não pagamento de dividendos e para a baixa cotação da acção durante anos, é justo questionar o porquê destes investimentos repentinos na acção da SLB SAD e agora este prémio chorudo.
Perante tudo o que é público e que ficou exposto com o artigo do jornal Expresso, não posso concordar que não há conflito de interesses.
Esse conflito é evidente e na minha opinião fere a legitimidade da OPA.
Mais que isso, deixa em aberto outra questão: que mais decisões de gestão têm sido tomadas em claro cenário de conflito de interesses? E por quem?





